Apple ouve os usuários de maneira estratégica, mas age com cautela

O novo MacBook Pro de 16 polegadas prova que a Apple está ouvindo seus clientes e às vezes até reagindo a eles

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A Apple está de ouvidos atentos.

Muitas vezes parece que não, por duas razões. Primeiro, porque a empresa não tem o costume de sair por aí dizendo “estamos ouvindo” – pelo menos não especificamente. Mas de maneira mais visível, porque as ações resultantes dessa escuta geralmente levam muito tempo para se concretizar. A velha metáfora de algo que demora a mudar é “transformar um navio de guerra”, mas a Apple é tão grande neste momento que é mais como transformar um porta-aviões em uma cidade flutuante no meio de uma geleira.

Confuso? Calma que eu explico bem devagar, pessoal.

O MacBook Pro de 16 polegadas lançado nesta semana aponta para o fato de que a Apple pode sim criar criar um porta-aviões capaz de ir contra tudo aquilo que a companhia pregou nos últimos anos. E mesmo quando a empresa anuncia um produto de qualidade, pode não ser exatamente o que todos os usuários estão procurando. Mas certamente há mudanças significativas o suficiente nesta atualização mais recente para indicar que a companhia procura manter felizes seus clientes, especialmente aqueles que dão sua opinião sobre o que gostaria de ver na gigante de Cupertino.

Tchau, borboleta

O primeiro Mac a apresentar o teclado borboleta foi o MacBook de 12 polegadas, em 2015. Não demorou muito para que as primeiras queixas sobre ele começassem a aparecer, e a Apple quebrou a cabeça para tentar reformular o mecanismo. Primeiro com um teclado de segunda geração que aprimorou levemente os interruptores e depois com uma terceira geração que adicionou uma membrana de silicone para impedir a entrada de poeira.

Por fim, nenhuma dessas correções acalmou as reclamações, o que acabou levando a um problema muito maior: a percepção. Mesmo que os problemas do teclado fossem limitados a uma pequena porcentagem de usuários, a natureza franca das reclamações e falhas em reconhecê-las (além da admissão inerente à atualização repetida do mecanismo do teclado) resultou na quebra da confiança entre a empresa e seus usuários. No final, a Apple poderia ter lançado um teclado borboleta redesenhado que realmente solucionasse todos os problemas – contanto que tivesse um mecanismo borboleta, isso não teria importância.

Às vezes, você pode enfrentar um problema como esse e, às vezes, precisa fazer uma alteração. Em algum momento, provavelmente, mesmo quando a empresa estava lançando uma dessas gerações sucessivas de mecanismos borboleta, a Apple devia ter percebido que a única opção que restava era retirar a prancheta de desenho antiga e começar do zero. Isso demorou para acontecer.

Bateria maior

O MacBook Pro de 16 polegadas também inverte o rumo de outra tendência da Apple: aquela que mantém os produtos da empresa deslizando constantemente para mais finos e menores. Desta vez, o MacBook Pro até cresceu um pouco, embora não houvesse nenhuma surpresa real, dado que adicionou uma tela maior à mistura. Mas também obteve benefícios adicionais desse aumento de tamanho, entre os quais a capacidade de incluir uma bateria de 100 Wh, proporcionando uma hora adicional de autonomia em comparação ao seu antecessor de 15 polegadas. Isso não é nada tão significativo, dada a tela maior e os processadores gráficos aprimorados que ele precisa executar.

Assumir esse compromisso não era um risco. O MacBook Pro de 16 polegadas pode ser apenas um pouco maior que o modelo de 15 polegadas, mas é quase um terço de meio quilo mais pesado, e isso não é um movimento que a Apple faz – se me perdoem a expressão – levemente. Alguns usuários têm defendido exatamente essa mudança no passado e, desta vez, isso pareceu combinar com as prioridades da Apple.

O que não mudou

Apesar de todas as mudanças bem-vindas no mais recente notebook da Apple, há várias coisas que permaneceram iguais. Não espere um retorno ao conector MagSafe, a um slot de cartão SD ou a qualquer outra porta que não seja o quarteto de Thunderbolt 3/USB-C que já está lá. Como diz o velho ditado: quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem iguais.

Porque se existe uma verdade do fato de a Apple ouvir, é que a empresa não age com base em tudo que ouve. Então por que essa mudança?Muitas podem ser as explicações No passado, às vezes parecia que havia uma voz singular determinando a direção de seus produtos – primeiro Steve Jobs, depois Jony Ive. Agora que nenhum dos dois está na empresa, não está claro exatamente quem é a autoridade executiva final quando se trata dos iGadgets.

Mas quem quer que esteja tomando as decisões está claramente ouvindo, pelo menos um segmento específico do mercado da Apple. Como no iMac Pro e no Mac Pro, o novo MacBook Pro foi projetado para atrair o público profissional. Também não é para menos: todos os aparelhos premium agora levam o sufixo “Pro”, desde o MacBook até aos iPhones e AirPods. Esperemos que isso seja um bom presságio para os Macs voltados para o usuário final, porque o Mac mini, iMac e MacBook Air precisam de algumas atualizações. Tudo isso oferece mais uma chance para a Apple mostrar que não está apenas ouvindo, mas também agindo.

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