2AM E550: enfim um notebook gamer “baratinho”?

Aparelho é uma das apostas da Positivo para atrair jogadores e profissionais que precisam de uma máquina potente, mas com visual discreto

Foto: Matheus Menucci
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2AM

E550

E550
A partir de R$ 3.149 ver na loja
Na faixa dos R$ 4 mil, aparelho é uma das apostas da Positivo para atrair jogadores e profissionais que precisam de uma máquina potente, mas com visual discreto.

Prós

  • Processador de desktop
  • Design mais minimalista
  • Saídas de ar maiores
  • Melhor custo-benefício para um notebook gamer

Contras

  • Teclas poderiam ter mais espaço entre si
  • Sem SSD
  • Sem Windows instalado de fábrica

Muita gente talvez não saiba, mas a Positivo tem uma linha de produtos específica para o público gamer: a 2AM. Começou há pouco mais de um ano com o lançamento de alguns notebooks e desktops, nos mais variados preços, mas todos com foco em atender esse nicho.

Uma das adições mais recentes a esse catálogo é o modelo E550, que vem com os novos processadores de 9ª geração Intel Core - sim, os mesmos que até então só estavam disponíveis em desktops -, placa de vídeo da NVIDIA e um design bem mais sóbrio. A máquina pode atender não apenas aos gamers, mas também profissionais que querem um aparelho mais potente e que visualmente seja assim, mais discreto. Eu testei por quase dois meses e conto para você as minhas impressões.

Design e teclado

Olhando assim à primeira vista, o E550 nem parece um notebook gamer. Na verdade, o design do aparelho foi pensado justamente em agradar uma parcela muito maior de consumidores, em especial aqueles que estão à procura de uma máquina potente, mas não gostam muito do visual exagerado da maioria dos laptops gamers. O plástico que reveste o E550 é fosco e só tem um logotipo cravado na tampa, sem ser muito chamativo. E você ainda pode configurar as luzes do teclado para passar ainda mais essa sensação de notebook mais "comum".

Por falar no teclado, que possui vários LEDs abaixo das teclas, ele vem configurado por padrão em um vermelho intenso nas cores da 2AM. Essa versão que a empresa cedeu para testes ainda tem o diferencial de ter RG que... Bom, tem que ter em todo aparelho gamer, eles gostam dessa coisa retroiluminada, então estão lá. Mas essa opção RGB parece não estar mais disponível porque era algo exclusiva para os primeiros compradores do produto.

Por ser um teclado mecânico, as teclas são bem silenciosas e responsivas na hora de executar os comandos, mas senti que elas poderiam ser um pouquinho maiores - em especial as teclas Shift e Enter. Direto eu esbarrava em alguma tecla sem querer pela falta de espaço que há entre cada tecla, o que prejudicou a digitação. O touchpad, por sua vez, é grande e confortável, sem aquele jeito durão que muito notebook tem e que atrapalha a navegação pelo cursor. Não tive do que reclamar.

O E550 pesa 2,3 kg, e aqui é bom lembrar que portabilidade não costuma ser o foco de notebooks gamers. Mesmo assim, não achei ele tão pesado. Ele só é um pouco mais grosso na parte que fica abaixo do teclado, que é onde ficam as saídas de ar quente. Inclusive, mesmo o notebook tendo um chip de desktop que demanda mais desempenho, sai bastante vento durante o uso de programas ou jogos mais pesados - o que é excelente, já que ninguém quer o aparelho pelando em cima da mesa ou do colo, não é mesmo?

Quanto às conexões disponíveis, o E550 é um dos aparelhos com maior número de portas. São duas USB 3.1 tipo A, uma USB 3.1 tipo C, uma USB 2.0, uma HDMI, uma Mini DisplayPort, um leitor de cartões (SD, mini SD, SDHC, SDXC), entradas separadas para microfone e fone de ouvido, entrada para o cabo de força e a entrada para cabo de rede. Dá para conectar, por exemplo, dois monitores simultaneamente. Vai depender das suas necessidades.

Tela e som

Além do desempenho técnico, que a gente já vai falar a seguir, o E550 é grande no display. São 15.6 polegadas com resolução Full HD (1.920 x 1.080) e LCD com tecnologia IPS e proporção 16:9. É o mínimo que se espera para um notebook mais parrudo, e acredito que esse é um tamanho bacana para quem gosta de trabalhar ou jogar pelo laptop, já que a visualização de coisas muito detalhadas requer uma tela maior do que os notebooks portáteis tradicionais.

O áudio também tem uma qualidade satisfatória, mas por se tratar uma máquina com apelo em performance, esperava sons mais limpos vindos dos alto-falantes. Durante a reprodução de vídeos no YouTube e Amazon Prime, tive a impressão que o som saía mais abafado que o normal, embora na maior parte do tempo eu tenha usado um fone de ouvido ligado ao notebook. E o volume não é dos mais altos.

Desempenho e sistema

Por ser um notebook primariamente gamer, já era esperado que o E550 tivesse um poder considerável de processamento. Nesse aspecto, o que mais se destaca é o fato do aparelho ter um chipset de desktop e, por conta disso, o desempenho está dentro da média para um laptop na faixa dos R$ 3 mil.

O E550 vem com o processador Intel Core de 9ª geração (Coffee Lake) com Intel Turbo Boost de até 4.70 GHz, 8 GB de memória RAM e placa de vídeo NVIDIA GeForce GTX 1050 com 3 GB de memória dedicados. A capacidade interna é de 1 TB, o que eu achei pouco levando em consideração que a proposta do dispositivo é atender a tarefas que demandam muito processamento. Além disso, o armazenamento é em HD, e não SSD, e isso reflete diretamente na inicialização de programas, que demoram alguns segundos para serem abertos. Tem vezes que o próprio notebook demora quase dois minutos para ligar por completo.

Se você achar que essas especificações não dão conta do recado, você pode mudar as peças e atualizá-las para uma configuração melhor ou mais recente. Mas aqui eu faço um alerta: a 2AM tem uma política bem rígida quanto à garantia. Então se você modificar qualquer peça interna do aparelho ou até o sistema operacional, já era a garantia oficial.

Mesmo tendo um disco rígido tradicional, o E550 rodou tudo numa boa ao longo desses últimos dois meses de testes. Eu usei alguns jogos da minha biblioteca no Steam para ver até onde ele aguentava, e fiquei bem surpreso ao perceber que tudo funcionou como deveria, tudo rodando bem lisinho. Entre os títulos que usei estão Destiny 2, Counter Strike: Global Offensive, League of Legends e Fortnite.

A maioria desses jogos permite alterar quanto será extraído o desempenho, então sempre deixei os gráficos na capacidade máxima. Com tudo no ultra, foram pouquíssimas às vezes que notava alguma queda de frame repentina, mas nada tão perceptível a ponto de atrapalhar o gameplay. Se eu deixasse na configuração "muito alta", a experiência também saiu lisinha. Em média, a taxa de quadros por segundo variava entre os 40 e 90 fps, com mais estabilidade na casa dos 70 fps, dependendo do jogo.

Em contrapartida, reparei que o E550 dá alguns engasgos durante a abertura de um ou dois programas mais pesados. Não chega a travar, mas tem um delay quando você minimiza uma janela ou tenta trocar para outra página, por exemplo. Várias abas abertas no Chrome? Nem se fala. E também reparei que, ao ficar com um jogo aberto, todo o resto do notebook fica consideravelmente mais lento. Mas até aí é uma coisa compreensível.

Outra coisa que me pegou de surpresa foi saber que o E550 não vem com o Windows instalado de fábrica, mas sim o FreeDOS, uma plataforma de linha de código aberto baseada no clássico DOS. A versão que a 2AM nos emprestou já veio equipada com o Windows, então para quem quiser ter o sistema da Microsoft vai ter que se virar para adquirir uma licença separadamente.

Para dar conta de tudo isso, o E550 possui uma bateria removível de 47 Wh com um carregador de 150 W. Comigo, ele durou cerca de 2h30 contínuas rodando Destiny 2 no Steam, ou 4 horas com o Chrome aberto vendo vídeos e acessando sites. Ou seja, dá para usar o notebook tranquilamente por um bom período, seja jogando ou fazendo tarefas mais leves.

Vale a pena?

Minha experiência com o E550 da 2AM foi muito além daquilo que eu esperava para um notebook gamer. Bom, eu já não tenho muito o costume de usar o PC ou laptop para jogar, mas com esse modelo tive resultados excepcionais, ainda mais levando em consideração se tratar de uma máquina com o que há de mais moderno para notebooks (quase) portáteis. Senti falta apenas de duas coisas: um sistema operacional como o Windows e um SSD. Depois que você usa uma máquina com SSD, é impossível não reclamar o quanto dispositivos sem esse característica são extremamente lentos - para não dizer ultrapassados.

Por até R$ 4 mil reais, o E550 entrega tudo aquilo que se espera para um notebook gamer nessa faixa de preço. O desempenho é digno de desktop, os jogos rodam sem travar, o teclado mecânico deixa o uso das teclas mais leve e sem aquela barulhada toda (embora eu quisesse que as teclas não ficassem tão espremidas entre si), o sistema de resfriamento é competente e a bateria tem uma boa autonomia. Tudo isso em uma roupagem mais discreta, sem os exageros dos notebooks gamers tradicionais, mas preservando alguns elementos desse público.

Seja para trabalho ou diversão, o 550 mostra o poder do desktop em um notebook.

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