iPad Air 2019: uma importante evolução

Aparelho tem design quase idêntico à versão anterior, mas traz dentro de si sensíveis melhorias na usabilidade e desempenho

Foto: PCWorld Brasil
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Apple

iPad Air 2019

iPad Air 2019
  • Desempenho
    10
  • Produtividade
    9
  • Autonomia de bateria
    8
  • Usabilidade
    9
O iPad Air é uma ferramenta de produtividade que vai além dos recursos para produção de conteúdo, permitindo que se crie informações, desenhos, textos e outras produções, sejam com acessórios como a Apple Pen ou o Smart Keyboard, como diretamente em sua boa tela. Desempenho, usabilidade e autonomia de bateria são seus diferenciais.

Prós

  • Desempenho
  • Autonomia de bateria
  • Usabilidade
  • Tela
  • Produtividade

Contras

  • Preço
  • Sem expansão de memória

Embora eu escreva avaliações de produtos há mais de 25 anos, o teste do iPad Air 2019 é algo muito diferente e especial para mim. Os dois motivos para isso são: não sou um usuário frequente de tablets e também não sou neste momento usuário do ecossistema de produtos Apple. Por isso, acredito que este teste foi ao mesmo tempo um desafio e uma imensa oportunidade de usar minha experiência de décadas a favor de uma visão muito equilibrada, isenta e sem títulos de “hater”, nem de “fan boy” dos produtos da Apple.

Aos olhos de um usuário desatento, um tablet é considerado um smartphone crescido e vitaminado. Isso até não é errado, já que a principal diferença é o tamanho da tela, bem maior nos tablets e pelo fato de haver suporte a Wi-Fi e 3G/4G em alguns modelos. Aliás, o primeiro iPad, lançado em 2010, foi erroneamente classificado por parte do mercado como um “iPod touch grande”.

Não vou neste texto discorrer sobre as inúmeras aplicações de um tablet que o diferencia dos seus irmãos caçulas, mas claramente a Apple endereçou e aprimorou essas diferenças de forma muito sensível nos modelos lançados nos últimos anos. À primeira vista, há muita semelhança entre a versão 2019 e 2018 do iPad. As dimensões da versão atual são ligeiramente maiores, embora mais fino, com apenas 6.1 milímetros. Mas ele tem área útil da tela com maior dimensão, 10.5 polegadas e maior resolução (número de pontos – 2.224 x 1.668), mas ainda assim é um pouco mais leve que a versão 2018 (456 g contra 469 g).

Há ainda a diferença dos processadores, o A10 Bionic de 2018 e o A12 Bionic de 2019 de 6 núcleos, rodando iOS 12 nos dois casos. Trata-se de uma grande diferença. Construído com tecnologia de 7 nanômetros, o A12 traz mais do dobro do número de transistores. Isso se reflete na sua velocidade de operação, que tem capacidade de processamento consideravelmente maior que vários modelos de MacBook do ano passado. Isso é impressionante. Conta com 3 GB de memória RAM, 50% a mais que a versão anterior.

Características técnicas

Mas deixando de lado esse discurso tech de RAM, núcleos, transistores e nanômetros, na prática o A12 Bionic entrega muita fluidez no uso do iPad Air, agilidade na abertura de aplicativos e desempenho diferenciado nas tarefas. Tentei estressar o iPad Air abrindo muitos aplicativos em conjunto com reprodução de vídeo em 4K e ainda assim sem reflexo na responsividade.

Há um potencial muito grande para ampliar o modelo de uso do iPad (comentarei sobre isso no final do texto). Sua manipulação é muito confortável. Essa sensação vem do equilíbrio entre dimensão, peso e espessura. A Apple acertou neste conjunto de características. Mas é importante lembrar que ainda há aplicativos originalmente feitos para celulares que não têm versões otimizadas para o iPad - por exemplo, o app do Instagram se comporta como uma mera adaptação, o que é uma pena.

Chama a atenção o fato de ainda haver o botão físico (Home), presente nos iPhones até a versão 8. É bom pela sensação de familiaridade, mas desde o iPhone X o botão se tornou virtual (na tela) e não físico, garantindo ainda mais área útil de tela e bordas menores. A propósito, a espessura das bordas superior e inferior destoam dos smartphones, que hoje em dia praticamente não têm bordas. Na minha opinião, é um visual um pouco “datado”, mas ainda atrai os usuários.

Durante meus testes de cerca de 2 meses, eu o utilizei com a prática capa que cumpre duas funções importantes: proteger suas partes mais sensíveis e servir de apoio para deixá-lo inclinado, o que pode ser bastante prático para assistir vídeos. Infelizmente não pude testá-lo com a capa-teclado Smart Keyboard, que além de ter as funções anteriores, permite transformar o iPad em um dispositivo que é muito semelhante a um notebook.

Outro acessório que é extremamente bem vindo é a caneta da Apple (Apple Pen). Não apenas serve para apontar elementos na tela, mas também para fazer desenhos, escrever e assinar. Os aplicativos para essa função são riquíssimos e tiram proveito dos 4096 níveis de sensibilidade à pressão da caneta e assim permitir fazer traços e desenhos como se fosse uma caneta ou mesmo um pincel de verdade. O tamanho da tela do iPad, por lembrar uma folha de papel, garante que aplicativos muito versáteis e criativos sejam desenvolvidos para serem usados mimetizando uma prancheta ou folha de papel . Lembrando que tanto o Smart Keyboard como a Apple Pen são acessórios que complementam o iPad Air e são adquiridos separadamente.

O teclado virtual do iPad Air também entrega boa usabilidade, mas seu máximo talento é para a tarefa de consumir conteúdo como acessar informações na web, ler e-mails, mensagens, assistir vídeos, acompanhar séries, ler revistas e jornais. Pela resolução e qualidade extrema da tela e pelo tamanho de 10.5 polegadas, consumir informações é não apenas agradável, como algo muito produtivo.

Sobre suas câmeras frontal e traseira há observações importantes. Sua câmera frontal aumentou de 1.2 MP para 7 MP nessa versão. O objetivo foi melhorar bastante a qualidade no uso de aplicativos de vídeo chamada - afinal, a câmera de 1.2 MP já estava bem inadequada. A câmera traseira tem resolução de 8 MP e tem ótimo desempenho, melhor que qualquer tablet que já usei. Não é habitual as pessoas usarem câmeras de tablet para tirar fotos, pois um smartfone, além de fazer com qualidade ainda melhor, são dispositivos menores e mais práticos para isso no dia a dia. Mas estão lá e cumprem bem a tarefa.

Mas a melhoria das câmeras também está associada a aplicações de realidade virtual e realidade aumentada, já que o processador A12 Bionic tem condição de suportar estas sofisticadas funções. No primeiro dia que pude ver e testar o iPad Air, assisti algumas apresentações fascinantes deste tipo de uso na sede da própria Apple.

Já que um dos usos importantes é assistir vídeo, a qualidade do som é fator sensível. O iPad Air tem um nível sonoro e qualidade acima das minhas expectativas. Mesmo sendo tão fino, ainda se obtém sons graves com boa presença. Mas as duas saídas sonoras estão bem próximas na parte inferior do dispositivo, e por isso a sensação de estéreo é pouco pronunciada. Se as saídas de som fossem nas extremidades ou em lados opostos, os efeitos estereofônicos seriam melhores. Mas a despeito disso, a experiência para ouvir música é bem agradável.

Falando em som, eu não dispunha dos Apple AirPods para usar como fone de ouvido, mas consegui com grande facilidade sincronizar o fone Bluetooth Samsung AirBuds (que testei recentemente para a PCWorld Brasil) e assim também pude ampliar minha experiência sonora livre de fios. A propósito, mesmo com apenas 6.1 mm de espessura, o iPad Air tem o conector P2 para fones de ouvidos tradicionais, ao contrário dos iPhones que dispensaram esse formato há alguns anos. Ponto para o iPad pois, muitas pessoas como eu têm fones “de estimação” no formato P2 que podem continuar usando.

Sobre a autonomia da bateria, eu me dediquei mais a fundo neste teste e tenho informações interessantes. A Apple divulga há anos que a autonomia da bateria é de 10 horas. Isso é uma meia verdade. De fato, descobri que é melhor do que isso, mas depende da situação. Testei em situações diversas e compartilho os resultados abaixo.

Gravando vídeo de forma contínua, o iPad esgotou sua bateria em 6 horas e 47 minutos. É uma situação de grande demanda, tanto que smartphones mal conseguem chegar a 4 horas nesse patamar. Destaco que a tela de 10.5 polegadas é um dos fatores de maior consumo.

Assistindo vídeos na Netflix e no Youtube, curiosamente obtive valores bem diferentes. Entendo que o aplicativo da Netflix tem alguma ineficiência que o faz consumir mais energia. Foram mais de 19 horas no Youtube e algo em torno de 8 horas e 30 minutos na Netflix (a metade!).

Testei em modo standby com a tela ligada e desligada. Com o iPad Air funcionando, recebendo mensagens, notificações de redes sociais, entre outras tarefas, foram 22 horas, e com a tela desligada, a estimativa de duração (ficou 3 dias neste teste) foi de 40 dias. Isso mesmo: quarenta dias ou mais, o que significa que o iPad Air pode ficar em uma gaveta guardado que ainda terá carga para ser usado mesmo após um longo período sem uso.

O sistema de carregamento da bateria não empolga. O carregador padrão é de apenas 10 watts, e para carregar os 8.134 mAh, demora cerca de 4 horas e 11 minutos, ou aproximadamente 50% da carga em 2 horas. Penso que a Apple poderia melhorar esta característica do iPad Air. Por outro lado, a autonomia é tão boa que possivelmente seu usuário aceitará essa demora para a recarga.

Existe um tipo de teste que faço com smartphone que não pude fazer com o iPad (e nenhum outro tablet). É o teste de “uso normal”, ou seja, ao longo dos dias usando o iPad aferindo a duração da bateria. Tablet é um dispositivo de uso secundário (bem menos que um smartphone). Mas de toda forma consegui estimar que em regime de uso moderado, em meu perfil de uso (que pode ser diferente do perfil do leitor), o iPad Air exigiria recargas a cada 2 ou 3 dias. A única exceção seria caso eu utilizasse o app da Netflix - nessa situação não teria tal autonomia.

Sobre o futuro do iPad Air, e aqui não estou falando de novas versões, mas sim deste mesmo que testei, existem informações importantes. Ele crescerá em aplicações e funcionalidades. A Apple anunciou no dia 3 de junho que junto com o iOS 13 será liberado o iPadOS. Isto o tornará muito mais próximo de um computador. A Home Screen será muito mais parecida com a tela inicial de um iMac ou Macbook do que do iOS do iPhone. Terá o “modo escuro”, widgets mais acessíveis à disposição. Poderá trabalhar com múltiplas janelas de uma só vez, inclusive lado a lado, ao contrário do iOS atual, que só permite usar um aplicativo por vez.

Isso favorecerá muito o uso multitarefa, principalmente para usar o iPad Air como um substituto (total ou eventual) para um laptop. De uma forma um pouco diferente (nas funções de acessibilidade) também haverá suporte a mouse que complementa o uso como laptop. Ainda não há data exata prevista para o lançamento, mas chegará para os usuários em algum momento até o final do ano. Melhor que isso apenas se o iPad Air tivesse conector USB-C como o iPad Pro de 2019, que ampliaria a sua conectividade.

Conclusão

A família iPad vem crescendo e hoje em dia conta com os modelo Mini, Air e Pro, sucessivamente mais caros. O modelo testado, o iPad Air, não tem o diminuto tamanho do Mini, nem alguns avanços em relação ao Pro, mas em termos de custo benefício, dentro do mundo da Maçã, chega como uma ótima opção. Segundo a loja oficial da Apple, custa a partir de R$ 4.499 até R$ 5.699, em função do espaço de armazenamento (64 GB ou 256 GB) e de conectividade apenas Wi-Fi ou também com 3G/4G. Pode ser achado por preços um pouco menores em algumas lojas online.

É fino, leve, muito rápido, tem uma tela LCD IPS com brilho e resolução, ótima para consumir conteúdo de vários tipos. Seu poder de processamento é muito grande, graças ao A12 Bionic, chip mais rápido que o usado em alguns notebooks da Apple do ano passado. Fluidez e responsividade não faltam.

A presença do botão home faz a borda inferior ser mais grossa que remete a um layout de um iPhone de três anos atrás, que comparado com iPhone X e outros smartphones atuais (que têm bordas quase inexistentes), parece um pouco defasado. Como qualquer produto Apple, não tem possibilidade de expansão via adição de cartão de memória. Também apresenta, a meu ver, um conjunto desconfortável de opções para a capacidade de armazenamento, 64 GB ou 256 GB (que é cerca de R$ 1.100 a R$ 1.200 mais caro). O usuário que comprar a versão de 64 GB pode se arriscar a não ter espaço suficiente, mas terá que pagar muito mais para quadruplicar seu espaço - não existe modelo de 128 GB que seja mais em conta. Mas é assim que foi concebido o mix de ofertas. É um preço alto.

A chegada do iOS 13 será extremamente empolgante para os usuários do iPad Air com a atualização para o iPadOS. Hoje em dia, usando o Smart Keyboard (capa com teclado), o iPad já tem capacidade para desempenhar muitas funções que apenas os MacBooks seriam capazes. Nesse novo cenário haverá uma boa evolução do melhor dos dois mundos: leveza e poder de processamento. Aliás, por conta de sua capacidade, o iPad Air já pode ser usado em criativas aplicações de realidade aumentada e inteligência artificial, bem como para criação artística, desenhos e ilustrações.

Gostei demais da experiência, interface limpa, desempenho, ótima tela, uso intuitivo, uma bateria com ampla autonomia. Realmente, no universo dos tablets, precisamos admitir: os iPads reinam soberanos. Inclusive para quem não usa iPhone ou o ecossistema da Apple, como é o meu caso.

 

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