Samsung Galaxy A50 | Um celular basicão que você vai querer ter

Dispositivo tem um excelente custo-benefício, trazendo três câmeras na parte traseira e bateria de longa duração

Foto: Matheus Menucci
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Samsung

Galaxy A50

Galaxy A50
R$ 1.799 ver na loja
O Galaxy A50 é um dos grandes acertos da Samsung no mercado de telefones intermediários, trazendo recursos avançados sem cobrar a mais por isso.

Prós

  • Tela excelente
  • Design de topo de linha
  • Bateria que dura dois dias inteiros
  • Sistema responsivo adaptado à One UI

Contras

  • Pra quê tantas câmeras?
  • Leitor biométrico sob a tela não é tão preciso
  • Sem proteção contra água e poeira

A Samsung pode ter lançado o Galaxy S10 e o Note 10 em 2019, mas são os modelos intermediários que estão fazendo bastante sucesso aqui no Brasil - e acendendo um alerta vermelho no reinado de concorrentes como LG e Motorola. E isso graças à linha Galaxy A, que chegou para substituir os aparelhos da família J, agora com características mais robustas, sem deixar de lado o custo-benefício.

Uma das opções é o Galaxy A50, que chegou no início do ano por R$ 1.999, mas já pode ser encontrado por um preço bem mais camarada meses depois. E mesmo para um aparelho mediano, esse bonitão aqui tem alguns recursos legais, como leitor de digitais sob a tela e um conjunto de câmera tripla. Mas isso tudo funciona de maneira satisfatória? É o que eu te conto nesta análise.

Análise em vídeo:

Design premium (só que não)

Olha, eu vou dizer para você que fica um tanto redundante falar sobre o design do A50 quando ele e todos os seus outros irmãos são tão parecidos. Basicamente, ele tem a mesma roupagem do Galaxy A10, do A20, do A30, e até da linha Galaxy M.

O que mudou dos extintos Galaxy J para as linhas M e A é a construção dos aparelhos. O A50 mantém tudo aquilo que torna um celular intermediário popular: botões físicos nas laterais (são poucos botões, mas eles estão lá); bandeja para dois cartões de operadora; suporte a microSD; e claro, uma entrada P2 para fone de ouvido. Ele ainda adiciona uma porta USB-C que, felizmente, não é mais uma característica exclusiva de modelos topo de linha. E com a vantagem de não ficar pesado nas mãos: o A50 tem somente 166 gramas e tem uma pegada que se encaixa bem em qualquer mão.

O A50 também tem um visual inspirado nos aparelhos premium mais recentes da Samsung, como o Galaxy S10. A versão que eu testei é essa com a traseira em um branco gelo que muda de cor de acordo com o reflexo da luz. Celulares com esse tipo de tonalidade vieram para ficar, e é ótimo saber que até dispositivos mais básicos estão adotando esse estilo. Mais ainda em saber que a Samsung obteve um resultado semelhante usando plástico, em polímero reflexivo, em vez de vidro. O que, quando colocado no papel, reduz consideravelmente o preço do aparelho.

Na parte frontal, o smartphone traz uma tela Super AMOLED de 6.4 polegadas FHD+ e resolução de 2.340 x 1.080 pixels, então pode ficar tranquilo no que diz respeito ao contraste e intensidade de cores. Ah, o brilho também dá conta do recado, principalmente em ambientes com muita luz, apesar do brilho automático não ser tão eficiente quanto deveria. O notch também está ali, mas de um jeito bem discreto, no formato de gota, garantindo mais espaço para assistir a vídeos. Só o "queixo" protuberante na parte inferior que poderia ser menor.

Ainda falando na tela, o A50 é um dos primeiros smartphones medianos a incluir um leitor de digitais embutido no display. É uma função legal, mas que não funciona de um jeito tão eficaz quanto no Galaxy S10. Isso porque o sensor do A50 é óptico, e não ultrassônico, como acontece na família S10. E o que isso significa na prática? Demora no desbloqueio do celular e mais tempo ainda para cadastrar suas digitais. Eu mesmo levei entre dois e quatro minutos para registrar cada dedo.

Por conta dessa dificuldade, parti para a opção de reconhecimento facial. Mas não que isso tenha sido algo melhor: a experiência é fraca porque o A50 só efetua o desbloqueio se baseando na primeira foto que você cadastra no sistema. Por isso, se você usou óculos na primeira configuração, como foi o meu caso, é provável que você tenha de usá-lo sempre que quiser desbloquear o aparelho por meio do reconhecimento facial. É uma tecnologia sem muita precisão ou segurança porque não rastreia a íris ou pontos do rosto, o que acaba se tornando um desafio para a Samsung nas próximas gerações da família Galaxy.

Outra coisa: se por um lado o design manteve recursos essenciais em aparelhos intermediários, por outro o A50 perdeu em alguns aspectos, justamente para deixá-lo com um preço mais acessível. Entre esses aspectos está a certificação IP68 contra água e poeira, portanto nada de sair com seu A50 na piscina.

Hardware e bateria

Assim como os outros aparelhos da linha M, o A50 vem equipado com um processador da própria Samsung. A bola da vez aqui é o Exynos 9610, um chip octa-core, sendo quatro núcleos Cortex-A73 de 2.3 GHz e outros quatro Cortex-53 de 1.6 GHz. Pense nesse chip como um equivalente ao Snapdragon 660 da Qualcomm - ambos são voltados para intermediários que aguentam atividades que demandam mais potência, porém sem comprometer o desempenho geral.

E bota desempenho nesse rapaz aqui. O A50 entrega aquilo que promete, trazendo uma experiência que atende demandas do dia a dia, como acessar redes sociais ou mensageiros, até visualização de vídeos no YouTube e jogos mais pesados. Nos meus testes, entrei em partidas de Asphalt 9: Legends e Cyber Hunter, e praticamente não senti nenhuma latência ou engasgos. Só algumas exceções, em que a taxa de quadros por segundo nesses games caía repentinamente, mas nada que atrapalhasse de um jeito tão perceptível.

O que deixa a desejar um pouco no processamento é que ele parece não estar totalmente otimizado no próprio sistema operacional do A50. A gente já fala da One UI e do Android, mas só para fechar esse tópico: eu pude notar que a transição de janelas e o multitarefa têm um pequeno atraso até que sejam abertas, de fato.

Já a bateria do A50 não desaponta. São 4.000 mAh que aguentam o tranco por pouco mais de um dia e meio sem precisar de uma nova carga. Eu testei jogando Cyber Hunter por uma hora, deixei rodando vídeos em Full HD no YouTube por mais duas horas, abri meus aplicativos de mensagem e redes sociais, usei o Chrome e ouvi música em alguns momentos do meu dia. No início, a carga estava em 100%; depois de todas essas ações, quase antes de ir dormir, a bateria ficou em 39%.

Para carregar, o A50 disponibiliza um carregador de 15 Watts para recarga rápida. A bateria vai dos 0% aos 100% em cerca de 1 hora e 40 minutos, o que é um tempo regular se a gente levar em consideração a capacidade da bateria.

One UI: o acerto da Samsung no software

A Samsung tem trazido para todos os seus novos aparelhos a One UI, que é uma interface proprietária da Samsung que chega para substituir a Samsung Experience - que, convenhamos, não oferecia lá uma boa experiência. O jogo virou com a One UI porque a Samsung soube implementar um layout único, que não deixa de lado as características que fazem da One UI ser o que ela é, ao mesmo tempo que se aproxima de algo mais simples, que é encontrado no Android "puro".

No A50, a One UI é integrado ao Android 9 Pie. E o que você precisa saber é o seguinte: é uma interface mais limpa, muito mais estável que a Samsung Experience, mais bonita e com itens organizados de uma maneira mais fluída para facilitar a navegação. A Samsung também tem disponibilizado atualizações de segurança mais constantes, mas resta saber se o Android 10 vai demorar para chegar ao smartphone. Isso se chegar, né? Mas a gente acredita que sim.

E lembra da Bixby? A assistente pessoal da Samsung tem um espaço dedicado no A50 na forma da Rotinas da Bixby. Basta você arrastar toda a tela para à direita até revelar um painel com diversos cards, que podem ser lembretes sobre tarefas importantes, despertador, galeria de fotos e acesso a notícias de destaque no seu dia a dia. Por enquanto, a Bixby ainda não funciona por voz no português do Brasil, então a saída é recorrer ao Google Assistente.

Câmeras... ok. Apenas isso

O A50 segue o padrão de quase todos os dispositivos da Samsung, que agora têm pelo menos duas câmeras traseiras. No caso do A50, são três: começando de cima para baixo, a primeira é a câmera de desfoque, tem 5 MP e lente com abertura f/2.2; a do meio é a principal, com 25 MP e abertura f/1.7; e a terceira é uma lente grande angular de 123 graus de 8 MP com abertura f/2.2.

As câmeras do A50 são... ok. Apenas ok. A câmera de desfoque, por exemplo, entrega fotografias que correspondem à função, mas o efeito desfocado às vezes fica borrado demais, deixando o aspecto da imagem bem artificial. Também tem um efeito artificial o recurso de HDR, que aumenta os contrastes e deixa tudo com uma cor não muito natural. Algumas fotos passam a impressão de estarem mais escuras que o normal.

Essas mesmas características estão presentes na câmera principal, que tem um resultado legal, mas que poderia ser melhor. Enquanto isso, a câmera grande angular foi a que mais me agradou, em especial pelo efeito de amplitude. Mas de novo: não espere por fotos com uma qualidade excepcional. Fotos noturnas então? Até rolam, mas pode esperar por bastante ruído e efeito craquelado. No geral, o A50 cumpre seu papel ao entregar o básico do básico. E um último detalhe: nenhum dos sensores possui estabilizador óptico, o que significa que as gravações em vídeo podem não sair tão legais.

Já na câmera frontal, temos 25 MP e abertura f/2.0. É uma configuração regular e que também entrega aquilo que promete. Mas aí é o conselho de sempre: em lugares bem iluminados, principalmente com luz do sol, as fotos saem boas. À noite ou usando luz artificial, o resultado fica bem longe do esperado.

E aí, vale a pena?

O Galaxy A50 pode ser o próximo smartphone de quem procura um aparelho intermediário com recursos de smartphones premium a um preço mais acessível. O acabamento que imita o design de aparelhos topo de linha é um diferencial, além de uma bateria com autonomia suficiente para quase dois dias (isso se você usa bastante o celular) e Android atualizado junto com a One UI.

Em contrapartida, o A50 não traz a mesma eficácia em alguns de seus principais recursos, como o leitor de impressões digitais integrado à tela, que é lento e pouco funcional, e na quantidade exagerada de câmeras, que, ao que parece, estão ali mais para fazer número. As fotos ficam boas? Sim, mas bem abaixo da média se comparadas a outros smartphones intermediários.

Felizmente, o preço do A50 caiu consideravelmente nos últimos meses, passando dos quase R$ 2 mil para cerca de R$ 1.400. É um baita desconto, ainda mais se levar em consideração que o aparelho deve atender uma boa parcela de consumidores que não querem gastar muito em um celular mediano. Isso, claro, sem deixar de lado algumas firulas de hardware e software que tornam o A50 mais atrativo.

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