Samsung Galaxy A80: ideia muito boa… até chegar no preço

Smartphone chegou custando R$ 3.500, mas pode ser um prato cheio para quem gosta de selfies

Foto: PCWorld Brasil
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O Galaxy A80 é a oferta mais premium da Samsung dentro da família Galaxy A, que foi anunciada no primeiro semestre de 2019. Mas, apesar de alguns recursos inéditos e exclusivos, como uma tela totalmente livre de intervenções e uma câmera giratória, este ainda é um dispositivo intermediário que chegou ao mercado nacional custando R$ 3.500. Será que vale o investimento?

Falando um pouco da nova família Galaxy A, que chegou pra substituir a queridinha linha J, a Samsung ofereceu ao público várias opções de aparelhos. Começando por modelos bem acessíveis com o Galaxy A10 – que começou a ser vendido por R$ 999, mas já caiu de preço para menos de R$700 – passando pelos modestos A20 e A30, evoluindo com algumas melhorias nas especificações e recursos do A50; e, com mais alguns aprimoramentos, a marca oferece o ainda acessível, mas já bem interessante, A70.
Só que a partir daí, a coisa muda de figura com o Galaxy A80, que fica até fora da curva do restante da série Galaxy A.

DESIGN

Com um corpo feito em metal e vidro, o Galaxy A80 é um pouquinho pesado num primeiro contato. Claro, não é nada que incomode durante o uso, mas perto dos Galaxy S10, que são super leves, ele pesa um pouquinho sim.

  • Peso: 220g
  • Dimensões: 165,2 x 76,5 x 9,3 mm

Na lateral do aparelho, existe um “buraco” que fica aberto quando a câmera sobe, o que não passa confiança, já que é uma bela porta de entrada para sujeiras, areia de praia, e várias coisas que podem reduzir a vida do mecanismo ou, no mínimo, dar uma dor de cabeça depois de um tempo de uso.

Essa super tela AMOLED sem nenhum recorte ou outro tipo de interferência, combinada com molduras bem finas, é um grande atrativo. O botão da Bixby foi eliminado, o que deixa o aparelho só com os três botões físicos necessários.
O slot de cartão foi parar na parte inferior do aparelho, mas ele suporte apenas dois SIM cards. Ou seja, nada de microSD para expandir a memória, que fica limitada aos 128GB.
Ao lado do slot, temos o conector USB-C, que também vai servir pra colocar um fone de ouvido, já que a Samsung eliminou o conector de 3.5 mm. A empresa manda um fone com uma qualidade bem boa na caixa, com Dolby Atmos preenchendo bem o som, mas o adaptador para o USB-C não acompanha o kit. O que veio na caixa foi uma capinha de plástico mais resistente com um recorte simples para a câmera.
O aparelho é bem robusto e essa proporção de 20:9 é sensacional para assistir vídeos, mas não funciona tão bem pra quem quer um manuseio bem fácil. Eu não tenho uma mão que possa ser considerada pequena e, mesmo assim, não achei tão ágil o uso na rotina. Ainda dá pra acionar aquele modo de operação com uma mão já conhecido dos Galaxy S, que chega a ser engraçadinho de tão pequena que fica a telinha.

DISPLAY

Focando um pouco mais na tela, essa Super AMOLED de 6.7 polegadas que ocupa praticamente toda a parte frontal do telefone, dá um show – como era de se esperar da Samsung.
As cores são bem vivas, os pretos são profundos e o brilho é suficiente pra não dificultar a visão debaixo do sol. Também dá para adaptar a qualidade da tela às suas preferências pessoais no menu de configurações.
A proporção também facilita na hora de preencher essa telona só com conteúdo. Mas, o formato que ajuda também atrapalha um pouco. Algumas vezes acabei acionando os controles de vídeo, pois toquei sem querer nas laterais da tela durante a reprodução.
Mas, além do que a gente vê, a tela também esconde coisas bem importante. O sensor de impressões digitais que fica sob o display, por exemplo, funciona, mas ainda é preciso ficar com o dedo parado um tempinho ali para o reconhecimento. A verdade é que ele não é tão rápido quanto gostaríamos. Ah, e não tem reconhecimento facial; até porque esperar a câmera virar pra desbloquear não é nada funcional.

Outro ponto importante é o som, que sai do display, já que a Samsung eliminou também os falantes frontais. O negócio é bem empolgante, porque ele vibra a tela pra emitir o som, mas, na prática, você precisa se acostumar com a parte certa da tela onde o som é emitido durante as chamadas. Além disso, também rola um vazamento de som que, dependendo de onde você está, as pessoas ao redor conseguem ouvir suas conversas.
Para ouvir música e assistir vídeos, o som do único alto-falante no Galaxy A80, que fica ali na gradinha inferior, é muito bom. A clareza do áudio e o volume me convenceram...para um aparelho que tem UM alto-falante.

DESEMPENHO E BATERIA

O que não deixou a desejar foi a performance. Essa combinação dos 8GB de RAM com o Snapdragon 730G funciona bem. As transições entre aplicativos são bem fluídas, a latência nos joguinhos é baixa, e o Android 9 com a One UI vai que vai.
Já a bateria é um pouco menor do que o esperado: os 3.700 mAh que a Samsung colocou aqui ficam abaixo até do A70, que não tem o mecanismo de câmera e tudo mais pra alimentar. Dá pra passar o dia tranquilo em uso moderado, mas não muito mais que isso. A boa notícia é que o carregamento super rápido de 25 W fez a bateria chegar em 50% em apenas 30 minutos durante os testes, mas a carga completa demorou quase 1h40 de 0 a 100%. A bateria do Galaxy S10 ainda é melhor.

CÂMERA

Mas agora vamos falar do que todo mundo quer saber: a câmera. O mecanismo permite usar a câmera traseira pra fazer suas selfies, já que ele simplesmente gira pra frente quando você toca no botão que aciona a câmera frontal ou faz o gesto na tela.
O processo de girar a câmera não é super rápido, o que pode ser um pouquinho irritante para alguns usuários. Além disso, também tem o barulho do mecanismo, que fica alto na hora de fazer stories para o Instagram, por exemplo. Já quando você carrega um vídeo da própria galeria do aparelho, rola um corte automático que elimina essa parte da viradinha.
Essa quantidade de partes móveis na câmera também me deixou receosa na hora de usar o aparelho. Algumas vezes o mecanismo travou na hora de girar e, apesar dele forçar a saída da câmera quando tem algo bloqueando o movimento, se está em cima da mesa, por exemplo, ele emite um aviso para desobstruir o espaço e volta a câmera pra traseira.
Eu passei algumas horas com o Zenfone 6 – não foi tempo o suficiente pra fazer um comparativo, só pra deixar claro – mas já dá pra falar que a opção de usar todos os ângulos intermediários da câmera, não só os dois travados na frontal e na traseira, faz falta aqui. Mas, é importante lembrar que o Zenfone 6 é um modelo premium, e o A80 intermediário.
Falando da qualidade das imagens, o A80 conta com um sensor principal, de 48MP f/2.0 acompanhado de uma lente ultra-wide de 8MP e um sensor time-of-fligh (ToF), pra profundidade.
 
A câmera principal faz seu papel e entrega o esperado pra suas configurações, com fotos de boa qualidade à luz do dia. Dava pra ter uma abertura maior, mas funciona para o que se propõe.
Já o sensor com ângulo de 123 graus é bom para tirar aquela selfie em grupo, e tem uma qualidade bem decente para uma grande angular, mas claro que rolam algumas distorções normais deste tipo de lente. O zoom óptico ficou de fora do pacote de câmeras.

Foto superior com grande angular e inferior com sensor principal (Foto: Joyce Macedo / PCWorld Brasil)

Outros detalhes incluem o modo noturno, que dá uma mãozinha em locais mais escuros, mas não faz milagre. Assim como o sensor de profundidade, que entrega um bom modo retrato, mas nada "uau". Também dá pra editar as fotos depois de capturar a imagem.
Se compararmos com imagens de dispositivos como o iPhone XR, é mais provável que a grande maioria do público-alvo da família Galaxy A prefira publicar as fotos tiradas com o A80 nas redes sociais, já que elas saem bem vivas, com cores até um pouco fantasiosas.

Sensor principal do Galaxy A80 durante o dia (Foto: Joyce Macedo / PCWorld Brasil)

Um detalhe interessante é que quando você abre o painel para tirar uma selfie, o aplicativo da câmera some com algumas opções que aparecem na traseira, como o modo noturno e panorâmico. A opção de otimização de cena também some na frontal.
Mas sabe o que tem aqui? Aqueles filtros que os orientais adoram e a Samsung não desiste de tentar enfiar aqui pra gente. O “embelezamento”, quando ativo, é pesado e deixa todo mundo com cara de boneco de cera. Isso sem falar na opção de afinar o rosto que é praticamente uma bichectomia, aquela cirurgia de reduzir a bochecha. Bizarro.

Filtro de "beleza" exagerado para o gosto ocidental (Foto: Joyce Macedo / PCWorld Brasil)

Falando um pouco de vídeo, o sensor time-of-flight (ToF) permite fazer vídeo com foto dinâmico, que é, basicamente, desfocar o fundo da imagem durante a gravação do vídeo, em tempo real. É bem legal, mas se o objeto em destaque se movimentar muito rápido, dá ruim.
Também dá pra filmar em 4K sem estabilização de imagem e Full HD com o estabilizador acionado. Porque, em resumo, ele cropa a imagem pra tirar os cantos, que é onde mais notamos o tremor nas imagens.

Foto: Joyce Macedo / PCWorld Brasil

Em resumo, as câmeras entregam fotos boas, mas nada espetacular.

PREÇO

Todo mundo sabe que a Samsung dá uma viajada nos preços iniciais dos seus aparelhos, mas que a coisa vai caindo ao longo do tempo. Na linha Galaxy S, por exemplo, dá pra ver queda de até 35% no preço de lançamento depois de oito meses.
Pagar R$ 3.500 no Galaxy A80 não é um bom negócio, nem de longe. Principalmente, porque achamos um concorrente melhor pelo mesmo preço no varejo e, vejam só, da própria Samsung! Isso mesmo, já tem Galaxy S10, um topo de linha, sendo vendido por esse preço.

CONCLUSÃO

Modo noturno do Galaxy A80 (Foto: Joyce Macedo / PCWorld Brasil)

Essa telona livre de notch e qualquer outro tipo de intervenção é ótima, assim como a qualidade da imagem que a Samsung já está acostumada a oferecer. O desempenho do Snapdragon 730 é realmente impressionante, e a qualidade da câmera para selfies é muito boa. A opção de gravar vídeos com desfoque também é um ponto positivo.
Mas esse mecanismo de câmera me parece muito vulnerável para um uso rotineiro e natural, e as fotos não são aquela coisa absurda de qualidade nunca antes vista. Além disso, uma bateria maior, entrada P2 pra fone de ouvido e um slot pra microSD fazem falta no pacote do Galaxy A80.
O resumo da ópera é: se você tem R$ 3.500 pra investir em um smartphone, dá uma olhada porque pode ter outras opções. Mas, se você quiser esperar a redução de preço (que nem deve demorar) o Galaxy A80 é, sim, um aparelho bem interessante.

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