Disney+ vs Netflix: dois serviços de streaming muito diferentes

Apesar das comparações entre as plataformas, ambas terão pouca coisa em comum

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A Disney pareceu lançar uma bomba na Netflix há duas semanas, anunciando um pacote de US$ 13 por mês para todos os seus serviços de streaming. O pacote inclui o Disney+, Hulu e ESPN+, todos pelo mesmo preço que o plano mais popular da Netflix. Sozinho, o Disney+ custa US$ 7 por mês, enquanto o Hulu e ESPN+ terão um preço de US$ 6 e US$5 por mês, respectivamente, se adquiridos cada um por conta própria.

Repórteres e analistas rapidamente lançaram o pacote Disney+ como um ataque à Netflix, o que faz sentido em algum nível. Não há duas empresas que capturem o conflito entre a mídia antiga e a nova, como Disney e Netflix, e as duas empresas competirão por tempo e dinheiro preciosos no dia a dia dos usuários. No entanto, a verdade é que os dois serviços terão pouco em comum. De preços e publicidade até o próprio conteúdo, as duas empresas estão adotando abordagens opostas em quase todos os aspectos do streaming de vídeo.

Roupagem diferente

Por design, cada um dos serviços de streaming da Disney tem como alvo um público separado, ou pelo menos gostos separados. O Disney+ foca em franquias de sucesso com apelo familiar, como Star Wars e Marvel; Hulu é mais para o público maduro, com séries como The Handmaid’s Tale; e ESPN + é para fãs de esportes. É razoável supor que algumas pessoas irão aprovar o acordo de pacote da Disney e assinar o serviço que melhor se alinha às suas preferências.

Enquanto a Disney oferece algum serviço a la carte – com um grande desconto para reunir tudo -, a Netflix é mais como um buffet. Embora não ofereça conteúdo esportivo, ela tenta combinar programas infantis, atrações familiares e programação madura em um único pacote. Em vez disso, os preços da Netflix são baseados na qualidade do vídeo e no número de fluxos simultâneos permitidos por um assinante, e a empresa afirmou que está comprometida com essa estrutura de taxa fixa a longo prazo.

Diferentes abordagens para o conteúdo

As principais atrações do Disney + são franquias e marcas reconhecíveis, com conteúdo dos universos Star Wars e Marvel, filmes da Disney e Pixar, todos os episódios de Os Simpsons (graças à aquisição da 21st Century Fox) e conteúdo da National Geographic Partners. A Disney chegou a anunciar há alguns dias um remake de Esqueceram de Mim, que será transmitido com exclusividade pelo Disney+.

Por outro lado (e por necessidade), a Netflix está adotando uma abordagem diferente. Como ela não pode se apoiar em um catálogo de franquias históricas, a plataforma procura criar as próprias séries por meio de acordos com grandes criadores de nomes. A empresa adquiriu a editora de quadrinhos Millarworld há dois anos (com o fundador Mark Millar sendo elogiado como o “Stan Lee dos dias modernos” no comunicado de imprensa da Netflix) e também comprou os direitos dos quadrinhos de Extreme Universe na esperança de ter a própria marca de super-heróis. A Netflix também trouxe criadores de TV como Shonda Rhimes (Grey’s Anatomy, Scandal) e Ryan Murphy (American Horror Story, Pose) para acordos de vários anos. E ainda tem um contrato de produção com Barack e Michelle Obama. O conteúdo resultante será muito diferente do que está disponível no Disney+ ou mesmo no Hulu.

Atitudes diferentes em relação à publicidade

Ao longo dos anos, a Netflix insistiu que nunca terá comerciais. Embora a empresa não esteja acima da colocação de produtos como forma de custear os custos de produção ou promover seu serviço com grandes marcas, a visualização sem interrupções é um dos principais pontos de venda da Netflix.

A Disney não é tão zelosa quanto à visualização sem anúncios. Embora o Disney+ seja livre de publicidade, o pacote de US$ 13 por mês incluirá a versão suportada por comerciais do Hulu, em vez da versão sem propaganda que normalmente custa US$ 12 por mês, e o aumento dos negócios de anúncios do Hulu é um dos motivos pelos quais a Disney está empacotando o serviço em primeiro lugar. “Se este pacote servir para aumentar os assinantes do Hulu de forma mais agressiva, isso será muito valioso para o lado da publicidade”, disse Bob Iger, CEO da Disney, à CNBC. Enquanto isso, o presidente da ESPN, Jimmy Pitaro, manifestou interesse em trazer mais formas de publicidade para o ESPN+, incluindo patrocínios que destacam uma marca durante eventos esportivos.

Diferentes modelos de negócios

O modelo de negócios da Netflix é bastante direto: mais assinantes equivalem a mais dinheiro, que a Netflix pode recuperar em mais conteúdo para atrair mais assinantes.

O negócio por trás do Disney+ é muito mais complexo: além de gerar receita de assinatura, a Disney pode ganhar dinheiro com merchandising de suas marcas populares e atraindo mais pessoas para seus parques temáticos, resorts e cruzeiros. A Disney espera que seu serviço de streaming perca dinheiro por pelo menos cinco anos, mas como apontou o estrategista e escritor Matthew Ball, a empresa ainda pode avançar criando mais fãs que gastarão mais dinheiro no ecossistema mais amplo da Disney.

Há espaço para ambos

Apesar da narrativa da Disney contra a Netflix, as duas empresas estão claramente em caminhos diferentes no negócio de streaming, e o resultado serão duas plataformas distintas. Alguns espectadores preferem o foco da Netflix em novas ideias e seu compromisso com a exibição sem anúncios, enquanto outros se voltam para as franquias reconhecíveis da Disney e o valor de agrupar seus serviços. Outros ainda encontrarão espaço em seus orçamentos para ambos, ou percorrerão os diferentes serviços à medida que suas necessidades e o conteúdo dos serviços evoluírem. Como sempre, a escolha final será do usuário.

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