Smartphones com tela curva: truque barato ou a próxima tendência?

Florence Ion, TechHive
14 de fevereiro de 2014 às 07h00
Fabricantes como a LG e Samsung já lançaram aparelhos com telas curvas no exterior. Mas será que eles trazem vantagens para o usuário, ou não passam de uma jogada de marketing?

Os smartphones não podem ficar maiores. Falar nos atuais aparelhos com telas de 5 polegadas ou mais é quase como levar um pequeno tablet ao ouvido. Então o que um fabricante pode fazer para diferenciar seus aparelhos de todos os outros? Curvar as telas!

Estes novos aparelhos podem parecer fúteis, mas se os primeiros modelos tiverem sucesso, logo serão o próximo produto “quente” nas prateleiras. A LG e a Samsung são as primeiras empresas no mercado com smartphones curvos, o G Flex e o Galaxy Round, respectivamente. O modelo da Samsung só está disponível na Coréia do Sul, enquanto o da LG já está à venda nos EUA e foi demonstrado no Brasil em Fevereiro, durante a edição 2014 da Campus Party em São Paulo.

Mas qual é a destes novos aparelhos? Será que sua forma incomum os torna mais agradáveis de usar, ou é só uma jogada de marketing para atrair os consumidores? Conversamos com especialistas para descobrir se os smartphones curvos realmente merecem um lugar em seu bolso.

Dois aparelhos, curvas diferentes

A Samsung e a LG chegaram à mesma idéia com abordagens completamente diferentes. O G G Flex, que tem uma tela de 6 polegadas, é curvado verticalmente, enquanto o Galaxy Round, com uma tela de 5.7 polegadas, é curvado horizontalmente. E embora tecnicamente ambos usem telas flexíveis, elas são montadas sob painéis de vidro. 

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LG G Flex (à esquerda) e Samsung Galaxy Round (à direita)

Se você mergulhar nos detalhes técnicos, verá que o Galaxy Round é basicamente uma variante curva do Galaxy Note 3, enquanto o G Flex é um descendente do LG G2, completo com os botões de volume e força na traseira. Ambos usam telas com a tecnologia OLED.

Eles se encaixam melhor ao rosto?

Se lembra como era falar ao telefone? Há muito os smartphones são anunciados como mini-computadores carregados de apps, com as boas e velhas chamadas relegadas a segundo plano. Mas a LG diz que a curvatura do G Flex foi especialmente calculada para se adequar à curvatura média do rosto humano, como nos telefones de mesa.

“O comprimento médio da bochecha de uma pessoa é 107,97 mm”, disse Kwan-woo Park, líder da equipe de planejamento de produto do G Flex, em uma entrevista via e-mail. “Curvamos cada lado do telefone de acordo com esta medida e reduzimos a distância entre a boca do usuário e o microfone”.

A curva também ajuda a resolver um problema do qual muitos dos “phablets” sofrem: são grandes demais para falar neles. Em vez de posicionar o microfone contra a lateral do queixo, como geralmente acontece em aparelhos com telas com mais de 5.5 polegadas, a curvatura ajuda a colocar o microfone próximo da boca.

Já o Galaxy Round, por sua vez, parece ter sido projetado para proporcionar uma melhor visualização do conteúdo. Alguns dos primeiros reviews do aparelho mencionam que a qualidade de áudio nas chamadas está abaixo da média, mas não está claro se isso é consequência do formato ou simplesmente porque a Samsung não se dedicou a este recurso em especial.

A visibilidade é melhor?

Um dos argumentos mais persuasivos a favor dos smartphones curvos é que eles oferecem visibilidade melhor. Pode ser difícil imaginar o motivo, considerando que uma tela curva é essencialmente um painel OLED igual a todos os outros, porém flexível, mas a curvatura realmente ajuda a reduzir a quantidade de reflexos da luz ambiente sobre a tela, o que torna mais fácil ver a imagem.

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LG G Flex (à esquerda) ao lado do LG G2 (direita)

Reflexos da luz ao seu redor podem fazer com que você aumente o brilho da tela, e com isso você também aumenta o consumo de energia. Com menos reflexos na tela você não precisa se preocupar tanto com a luz ao seu redor, nem aumentar o brilho só para ler uma mensagem de texto.

O Dr. Raymond Soneira, presidente da DisplayMate Technologies, explica em uma análise detalhada do Galaxy Round que sua tela é curvada especificamente para este fim:

“O formato côncavo da tela do Galaxy Round reduz os reflexos da luz ambiente de duas formas: a primeira é reduzindo o “ângulo de abertura” da tela, que em um smartphone convencional é de 180 graus, o que ajuda a eliminar alguns reflexos de luz ambiente vinda pelos lados. A segunda é reduzindo reflexos especulares na tela côncava, porque a curvatura direciona a luz ambiente que vem de trás do usuário para fora de seu campo de visão.”

A LG também diz que curvou sua tela para “uma experiência de visualização mais natural” e que a forma do G Flex deve reduzir reflexos e distorções na imagem. Certamente ajuda: achei agradável acompanhar meu feed do Instagram ou ler um eBook no app do Kindle na tela curva sob condições de iluminação variadas. Mas a tela ainda é brilhante, e não elimina completamente os reflexos: se há uma lâmpada acima de você, você terá de mover o smartphone para evitar olhar diretamente para o reflexo dela.

Os smartphones curvos são mais ergonômicos?

Há um motivo pelo qual os monofones dos velhos telefones de mesa eram curvados: isso os tornava mais fáceis de segurar. Um aparelho curvo como o Galaxy Round “é mais confortável de segurar porque se encaixa mais facilmente aos contornos da mão, em vez de forçar o usuário a segurá-lo pelas bordas”, diz o Dr. Soneira. “Ele também oferece mais privacidade, porque a curvatura torna mais difícil para quem está ao seu lado ver o que está na tela”.

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Samsung Galaxy Round

Kevin Costelo, um profissional com certificação em ergonomia e presidente da US Ergonomics, uma empresa especializada em ergonomia no mercado de trabalho, ainda não teve a chance de usar nenhum dos aparelhos, mas aprecia o novo formato. “Se você observar o iPhone ou vários desses “tijolinhos”, eles são planos e retangulares, e nosso corpo não é desta forma”. 

Costello diz que um aparelho com um design mais “suave” e moldado para se adequar mais naturalmente ao corpo oferece algumas vantagens e “demonstra alguma sensibilidade ao fato de que não somos robôs”. De fato, o G Flex me pareceu mais confortável ao digitar com as duas mãos, e apesar de seu maior tamanho, não foi tão difícil de segurar quanto outros aparelhos do mesmo tamanho.

Ainda dá pra melhorar

Como costuma acontecer com novas tecnologias, são necessárias algumas iterações até que todos os probleminhas sejam resolvidos. Os smartphones curvos ainda são tão novos que as opiniões são divididas quanto à qualidade das telas OLED usadas.

Ron Amadeo, do Ars Technica, escreveu em seu review do LG G Flex que embora o aparelho seja confortável nas mãos, sua tela é assolada por problemas. “A resolução do G Flex é de apenas 1280 x 720 pixels. Isso dá uma densidade de pixels de 245 ppi, a pior em sua categoria. Para referência, o primeiro Motorola Droid (Milestone no Brasil), lançado em 2009 e rodando o Android 2.0, tinha 265 dpi”. JR Raphael, da ComputerWorld, concorda em suas primeiras impressões sobre o aparelho. “Esqueça 720p vs. 1080p”, diz ele. “244 pixels por polegada é muito pouco para os padrões atuais. Vou aguardar um pouco antes de um julgamento final, mas minhas impressões iniciais me deixam um tanto preocupado, especialmente considerando o preço do aparelho”.

Também há a questão de se os consumidores estão realmente interessados em usar um smartphone curvo. Ramon Llamas, um analista de pesquisa da equipe de telefonia móvel do IDC, não acredita que haja muita demanda para eles no mercado atual. “Não vejo muitas pessoas reclamando que não conseguem ouvir ou ser ouvidas direito em seus aparelhos atuais”, disse ele, citando a abordagem de marketing da LG para o G Flex.

Llamas complementa dizendo que em vez de enfatizar o hardware, as empresas deveriam focar em usos multimídia que possam tirar vantagem das novas telas. “Uma tela curva voltada para você produz uma experiência muito mais imersiva. Para mim esse é o “tiro certeiro” que as fabricantes ainda estão tentando dar”. 

Se os fabricantes não conseguirem o interesse dos consumidores, os smartphones curvos provavelmente terão o mesmo destino daqueles com telas 3D. Lembra deles? “Afundaram como um balão cheio de chumbo”, lembra Llamas. “Isto mostra que nem todas as telas servem para todos, ou que irão durar muito”.

O mundo dos smartphones não é mais plano

A LG lançou recentemente o G Flex nos EUA, e se ele irá ser um sucesso ou não depende inteiramente da habilidade da empresa no marketing e de como os consumidores irão responder ao novo formato. 

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Os smartphones curvos só irão durar se os consumidores abraçarem a idéia

O Dr. Soneira acredita que há um futuro nas telas curvas, mas que irá demorar um pouco até que elas estejam completamente incorporadas ao mercado de smartphones. “Está claro que as telas flexíveis terão um profundo impacto no uso da maioria dos produtos baseados em telas a partir de um futuro muito próximo”, disse ele na análise do Galaxy Round. “O mundo das telas não é mais plano, e em alguns anos sequer terá de ser curvo”.

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Reviews

Mais reviews

Belo design, capas coloridas permitem personalizar o aparelho
Tela grande e de ótima qualidade
Bom desempenho e autonomia de bateria
Tem slot para cartões microSD

Câmera traseira tem foco fixo
Não tem flash
Não tem câmera frontal
Só 4 GB de memória interna

Desempenho excepcional
Excelente autonomia de bateria

Tela tem péssima qualidade de imagem
Grande e desengonçado