As inovações de 2016 que fizeram a ficção científica virar realidade

Carla Matsu - Do IDGNow!
31/12/2016 - 10h00 - Atualizada em 05/01/2017 - 06h39
Inteligência artificial trabalhando para humanos, táxi-drone, ressurreição e ondas gravitacionais. As histórias que marcaram o ano
O ano de 2016 foi significativamente animado, com uma coleção de histórias no mundo da tecnologia que poderiam muito bem protagonizar roteiros de ficção científica. De inteligência artificial que conseguiu derrotar um dos melhores do mundo em Go a Elon Musk com planos concretos para colonizar Marte, relembre as histórias mais ambiciosas - e algumas um bocado estranhas - que marcaram nossa editoria.
 
Afinal, existirá vida em Marte?

 
Quando diz que levará humanos a Marte, Elon Musk não está nem um pouco brincando. Prova de que o CEO da SpaceX está mais sério do que nunca em suas ambições interplanetárias é que neste ano ele, finalmente, apresentou detalhes de como pretende fazer isso.
 
O veículo encarregado de levar os primeiros humanos a nosso planeta vizinho será o Mars - criativo nome, aliás. A nave espacial será lançada da Terra em topo de um foguete propulsor e depois viajará o restante do caminho por conta própria. Após a decolagem o foguete propulsor e o Mars separarão quando este atingir a órbita. Então, o foguete voltará a Terra para depois decolar novamente levando nova carga de combustível ao veículo espacial. Finalmente, a espaçonave terá como destino Marte. Quando chegar, o veículo pousará na superfície, usando seus motores para desacelerar seu pouso com segurança. Os passageiros então usarão a carga com eles transportada para darem início a construção das habitações. 
 
Mas claro, o processo de “conquista” de Marte não será feito em uma primeira viagem. Segundo Musk, serão necessárias entre 20 a 50 viagens, o que levará de 40 a 100 anos para conquistar uma civilização autossustentável e com 1 milhão de pessoas no planeta. Musk ainda não deu detalhes de como as pessoas viverão no planeta vermelho e como se alimentarão, assim como outras necessidades básicas, como preocupações relacionadas a saúde, microgravidade ou ainda radiação solar. Indagado sobre que tipo de pessoa Musk espera aceitar uma viagem arriscada como essa, ele disse que é preciso “senso de aventura”. Mas ressaltou que a viagem não será apenas de ida: “é importante dar as pessoas a opção de voltar”. E acrescentou que, em todo caso, “nós precisamos da espaçonave de volta”. Musk ainda disse que tem como meta tornar a viagem acessível para "qualquer pessoa", com passagens para Marte a um custo médio de US$ 200 mil por pessoa. E quando ele espera enviar a primeira turma de aventureiros? 2024.
 
Não dê descarga, por favor 
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Neste ano, a NASA lançou um desafio onde pede certa solidariedade de pessoas inventivas para resolver uma questão de real necessidade: como melhorar a experiência de ir ao banheiro para astronautas? Batizado com o sugestivo nome de “Space Poop Challenge”, a agência espacial buscava encontrar um sistema inovador para administrar os dejetos humanos no espaço.
 
É importante dizer que para manter tudo limpinho na Estação Espacial Internacional (ISS), a NASA recorre a um sistema que envolve uma mangueira, um método de sucção, reciclagem e até mesmo combustão na atmosfera. No entanto, durante o lançamento dos foguetes e durante o pouso, que podem levar de oito a dez horas, astronautas se encontram confinados em suas roupas espaciais. Ali, os profissionais estão fadados a um método mais arcaico para lidar com suas próprias necessidades: fraldas absorventes.   Fraldas não são viáveis a longo termo, ainda mais quando se há a ambição de ir até Marte. Em situações emergenciais, onde astronautas precisam se manter em seus trajes espaciais, elas podem se tornar, inclusivo, riscos de irritação e infecção.  
 
A NASA aceitou propostas até o último dia 20 de dezembro. O projeto vencedor ganhará US$ 30 mil. Estamos ansiosos para saber qual ideia pode ajudar uma nova geração de astronautas.
 
Empresa de biotecnologia quer trazer mortos de volta à vida
 
Nos últimos anos, cientistas no emergente campo da medicina da ressuscitação propuseram a ideia de que a morte é mais um evento do que um processo e que alguns processos podem ser revertidos. 
 
Pois em maio, a empresa americana BioQuark ganhou o troféu da história mais estranha da biotecnologia de 2016 ao anunciar planos para, sim, trazer de volta os mortos. 
 
Os pesquisadores tentarão regenerar os cérebros de pacientes declarados clinicamente mortos. O ensaio proposto combina múltiplos procedimentos e terapias concebidas para "reiniciar" as mentes de pacientes com morte cerebral que estão sendo mantidos vivos apenas com suporte vital. O plano é injetar células-tronco diretamente no cérebro, iniciando um processo semelhante ao que permite que répteis regenerem caudas e membros perdidos. Enquanto isso, laser e outras técnicas de estimulação nervosa são aplicadas ao tronco cerebral. O Projeto ReAnima (nome coerente, aliás) teria recebido a aprovação de agências de saúde na Índia e está recrutando pacientes em potencial. 
 
Amazon realiza primeira entrega comercial com um drone
 
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Há alguns anos a gigante do varejo online Amazon começou a provocar a ideia de que drones seriam a próxima fronteira da logística inteligente. Quer comprar uma pizza, um livro ou qualquer objeto? Legal, um drone poderá entregá-los muito antes que métodos tradicionais por terra. Pois, a Amazon finalmente revelou em dezembro que completou, com sucesso, sua primeira entrega comercial feita com um veículo aéreo não tripulado
 
A entrega foi realizada nas vizinhanças de Cambridge, no Reino Unido, no dia 7 de dezembro. O cliente, em questão, comprou uma Amazon Fire TV e uma pipoca, ambas entregues em um pacote deixado pelo drone em seu quintal. De acordo com a Amazon, a entrega demorou cerca de 13 minutos para ser concluída. O Reino Unido foi escolhido pela empresa de Jeff Bezos uma vez que a legislação nos Estados Unidos impede entregas do tipo em solo americano. Os drones são guiados por GPS, o que possibilita também que clientes consigam localizá-lo por meio de QR code para indicar a localização precisa de pouso do pacote.  
 
O drone que consegue transportar uma pessoa
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E por falar em drones, sonhando com o dia em que um levará você ao trabalho? Pois uma empresa chinesa está lidando com suas altas expectativas para meios de transporte do futuro. Neste ano, conhecemos o Ehang 184, um drone que se propõe a ser seu veículo aéreo pessoal. Ele consegue transportar uma pessoa de um ponto A a B e a uma altitude de 3.350 metros e atingir velocidade de 99 km/h. O drone tem capacidade para passageiros de até 120 quilos e autonomia para voos de 23 minutos. E mais, pode ser controlado inteiramente através de um aplicativo. A Ehang diz que passageiros precisam executar apenas dois comandos, o de levantar voo e pousar. 
 
Mas você pode ser perguntar se voar num negócio desses é seguro. Segundo a companhia, o 184 AVV conta com sistemas de alimentação múltiplos, assim se um falhar, o drone ainda conseguirá voar. E se mesmo assim, algo não funcionar apropriadamente, o drone pousará imediatamente na região mais próxima e segura. Quanto ao preço? A companhia não confirmou valores, mas indicou que custaria entre US$ 200 mil e US$ 300 mil. Da mesma forma não deu uma garantia de quando o veículo seria lançado comercialmente. 
 
Cientistas usam impressora 3D para reproduzir coração humano em um chip 
 
Pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, usaram uma impressora 3D para reproduzir o tecido do coração humano em um chip com sensores integrados. A tecnologia pode, eventualmente, replicar em laboratório uma desordem genética de um paciente, combinando propriedades de uma doença ou até mesmo as células individuais para fins de teste e tratamento.  
 
Tradicionalmente, pesquisas sobre doenças são conduzidas através de estudos clínicos, que podem levar anos para serem concluídos e testar um simples composto de medicamento pode custar mais de US$ 2 bilhões. Os pesquisadores de Harvard inicialmente fabricaram microchips que recapitulam a microarquitetura e funções dos órgãos humanos, que já incluem pulmões, intestinos, rins, pele e ossos. Os microchips chamados de “órgãos em chips” são feitos de um polímero flexível do tamanho de um pendrive que contém canais de microfluídos conectados com vasos sanguíneos artificiais forrado de células. Pesquisadores podem, então, aplicar forças mecânicas ao chip para reproduzir o microambiente físico de órgãos vivos, incluindo movimentos de respiração dos pulmões e movimentos peristálticos do intestino. “Ao fazer um coração em um chip com essas células, nós poderíamos investigar, então, as terapias em potencial para pacientes específicos”, disse Lind. “Isso pode soar um pouco como ficção científica, mas nosso laboratório já tem investigado terapias específicas usando o método em um estudo anterior”.  
 
Inteligência artificial supera campeão em Go

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Neste ano, o programa de inteligência artificial do DeepMind do Google, o AlphaGo, conseguiu ganhar do campeão mundial Lee Se-dol no jogo de tabuleiro milenar. O programa AlphaGo foi descrito como a próxima fronteira da inteligência artificial porque sua habilidade de aprender a partir de sua experiência é inesperada e longe de movimentos humanos que nunca foram bem sucedidos. 
 
O AlphaGo usa tecnologia de rede neural projetada para replicar as funções do cérebro humano. Na verdade, o sistema emprega dois cérebros digitais. Inicialmente programada com mais de 30 milhões de movimentos individuais, a tecnologia criou suas próprias estratégias jogando contra si mesma, executando milhares de jogos entre suas duas redes neurais. As vitórias do sistema são uma conquista significativa no campo da inteligência artificial desde que o Deep Blue da IBM derrotou em 1997 o campeão de xadrez Garry Kasparov. 
 
Cientistas validam ondas gravitacionais previstas por Einstein há 100 anos
 
Em fevereiro, cientistas da National Science Foundation, Caltech e o MIT anunciaram um marco para a física e astronomia ao validarem a existência de ondas gravitacionais, ondulações do espaço-tempo previstas por Albert Einstein há um século. 
 
O que os pesquisadores identificaram foram distorções em escala subatômica no espaço e no tempo causadas pela colisão de dois buracos-negros. O evento aconteceu há 1,3 bilhão de anos. Tal cataclismo lançou ondas em todas as direções que só chegaram recentemente à Terra. Nesse caso, a colisão de buracos negros registrada pelo Observatório de Ondas Gravitacionais por Laser Interferômetro (Ligo, na sigla em inglês) foi detectada em 14 de setembro. 
 
O Ligo consiste em dois enormes detectores de cerca de 4 km de extensão instalados nos estados de Washington e Louisiana. Os dois operam conjuntamente desde 2002, porém somente com um aprimoramento realizado no ano passado foi possível detectar tais oscilações. E, em junho, o mesmo projeto conseguiu detectar pela segunda vez a presença das ondas gravitacionais. O segundo episódio indica que o evento ocorre com frequência e que o consórcio deve identificar outros semelhantes em um futuro próximo. Além de provar que a teoria de Einstein é sólida, a descoberta promete mudar como nós estudamos o universo. 
 
 

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Belo design, capas coloridas permitem personalizar o aparelho
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Bom desempenho e autonomia de bateria
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Não tem flash
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