Nova inteligência artificial prevê as chances de você ter um ataque cardíaco

É melhor prevenir do que remediar

Foto: Shutterstock
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Segundo uma pesquisa financiada pela British Heart Foundation (BHF), entidade filantrópica que visa combater as consequências das doenças cardíacas e circulatórias, há uma tecnologia desenvolvida por inteligência artificial que pode identificar, com pelo menos cinco anos de antecedência, pessoas com alto risco de ataque cardíaco fatal.

Foram cientistas da Universidade de Oxford, na Inglaterra, que desenvolveram com machine learning o dispositivo, uma espécie de biomarcador chamado de fat radiomic profile (FRP) – perfil radiômico de gordura, em português. O objeto funciona como um “leitor de impressões digitais” ao detectar sinais biológicos alarmantes no revestimento perivascular dos vasos sanguíneos que fornecem sangue ao coração.

De acordo com os resultados apresentados no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, que aconteceu de 31 de agosto a última quarta-feira (4), o dispositivo é capaz de identificar indicadores de um futuro ataque cardíaco, como inflamações, cicatrizes e outras alterações nesses vasos sanguíneos.

“Ao aproveitar o poder da inteligência artificial, desenvolvemos uma impressão digital para encontrar características ‘ruins’ nas artérias das pessoas. Isso tem um enorme potencial para detectar os sinais precoces da doença e para poder tomar todas as medidas preventivas antes que um ataque cardíaco ocorra, finalmente salvando vidas”, disse Charalambos Antoniades, professor de medicina cardiovascular e pesquisador clínico sênior da BHF na Universidade de Oxford. “Acreditamos genuinamente que essa tecnologia poderá salvar vidas a partir do próximo ano”, completou.

A tecnologia foi desenvolvida com o intuito de investigar mais a fundo as ocorrências hospitalares, que à primeira vista não parecem nada além de uma dor no peito. “Só porque o exame da artéria coronária de alguém não mostra que há estreitamento, isso não significa que a pessoa está a salvo de um ataque cardíaco”, explicou Antoniades.

O procedimento padrão nesses casos é fazer uma angiografia coronária por tomografia computadorizada, exame que analisa as artérias coronárias para verificar se há segmentos estreitados ou bloqueados. Quando não há nenhum bloqueio significativo na artéria, os pacientes recebem alta, entretanto, isso não deveria ser um indicativo, já que, ainda assim, uma parte dessas pessoas virá a ter um ataque cardíaco no futuro, problema que pode ser evitado com um estudo mais profundo da situação.

Por isso, o professor Charalambos Antoniades, junto de sua equipe, desenvolveu uma pesquisa utilizando biópsias de gordura de 167 pessoas submetidas a cirurgia cardíaca para analisar outros fatores determinantes, como inflamação, cicatrizes e formação de novos vasos sanguíneos. Além disso, o grupo comparou os resultados de angiografias coronárias de 101 pacientes, de um total de 5487 indivíduos, que sofreram ataque cardíaco ou morte cardiovascular em até cinco anos após terem realizado o exame. Dessa vez, a intenção foi entender quais mudanças ocorreram nesse intervalo de tempo para que as vítimas fossem acometidas.

Após análises, os profissionais usaram machine learning para desenvolver o FRP conforme os resultados obtidos. A partir daí, o biomarcador passou a ser capaz de capturar os níveis de risco para cada paciente e, ao passo que mais verificações forem feitas, mais precisas serão as previsões – que já são bastante rigorosas. Agora, a equipe de pesquisadores espera que a tecnologia seja lançada aos profissionais da saúde já em 2020 e que o NHS, órgão público de saúde britânica, passe a utilizar o leitor nos próximos dois anos.

Fonte: EurekAlert!

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