Por dentro de uma fábrica de PCs da Lenovo

Poucos robôs e processo de montagem praticamente artesanal são destaques da visita

Foto: Intel / Lenovo
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Nada de celulares, câmeras, relógios, brincos ou outros acessórios de metal. Essas são algumas das exigências para entrar na terceira fábrica mais importante da Lenovo em todo o mundo, localizada em Monterrey, México. Por medidas de segurança, todo um dress code também precisa ser seguido, evitando roupas rasgadas, regata, saias, salto alto ou estampa militar.

Depois de uma série de instruções e dados a respeito do local, recebemos jalecos cor de laranja com a palavra “visitante” nas costas, uma forma de nos destacar em meio aos operários e também evitar que qualquer sujeira da nossa roupa entre em contato com os componentes. Outro método de evitar problemas com os produtos é o uso das calcanheiras, que são fitas usadas nos sapatos em área industrial. Elas os protegem da energia estática do nosso corpo, que pode queimá-los.

E se você acha que o que encontramos na fábrica foi uma série de robôs automatizados e autossuficientes, está enganado. O processo aqui envolve muito mais as mãos humanas.

O que é produzido na Lenovo de Monterrey?

Inaugurada em 2008, a fábrica de 263.000 m² monta dispositivos all-in-one, desktops, notebooks, servidores e workstations, focando principalmente na linha Think. Grande parte dos componentes chegam da China, tanto que as caixas que vimos nas docas do armazém são, em sua grande maioria, da Foxconn.

Tudo o que é montado nesta fábrica já está vendido, e o projeto é ambicioso: atualmente, são montados 2 milhões de produtos por ano, mas a meta é dar um salto para 7 milhões em 2020, elevando o local para o número dois da Lenovo no mundo.

Apesar de ser extremamente importante para a América Latina, a montadora em Monterrey não afeta o Brasil, uma vez que possuímos nossa própria fábrica em Indaiatuba, interior de São Paulo, por questões comerciais. A produção mexicana segue para outros países da América Latina (15%), Canadá (5%) e Estados Unidos (80%).

A fábrica brasileira foi criada aos moldes de Monterrey, no entanto a planta nacional já possui um avanço grande em automatização. Inclusive, o Brasil já está compartilhando novas tecnologias de automação para o mundo.

Ambas as fábricas, brasileira e mexicana, conseguem personalizar os pedidos dos clientes, colocando o nome da empresa nos PCs encomendados, mudando o software, colocando etiqueta de patrimônio, entre outros detalhes.

Testes são fundamentais

De acordo com a Lenovo, toda unidade é testada antes de deixar a fábrica. Para isso, o local conta com o chamado Early Life Performance Lab, onde são realizados testes de queda, vibração e aquecimento.

No caso da câmara de temperatura, os componentes são estressados durante 48 horas, chegando a um total de 60°C, sendo 40°C de temperatura do ambiente somado ao aquecimento interno dos componentes. Depois, eles derrubam a temperatura para 5°C, passando ainda para um ambiente com 80% de umidade por mais 24 horas. Todos os testes são feitos durante cinco dias antes de começar a produção em massa.

Depois de montados, os produtos também são testados individualmente simulando um uso rotineiro, como reprodução de vídeo, touch, áudio, e assim por diante. Para se ter uma noção, notebooks levam cerca de 7 horas para passar por todo o processo da Lenovo, sendo 30 minutos para a montagem, 6 horas de testes e 30 minutos de empacotamento.

Fábrica de empregos e poucos robôs

Como eu disse no começo do texto, não nos deparamos com uma horda de robôs super tecnológicos. Na verdade, vi apenas dois ou três deles por lá fazendo trabalho de inspeção visual e registro de dados com suas câmeras.

A explicação para isso veio da própria Lenovo e faz bastante sentido: a montadora de Monterrey trabalha com produtos customizados sob encomenda. Isso significa que a linha de produção varia muito, o que demandaria robôs diferentes para cada caso.

O resultado disso são filas de funcionários colocando manualmente cada peça e selo em seu espaço específico e, depois, outros que inspecionam se tudo está no lugar certo e funcionando como deveria. Se um dos funcionários tem algum problema com determinada peça, toda a linha de produção é interrompida e todos ficam parados.

A empresa chinesa gera cerca de 3 mil empregos na planta de Monterrey. Além disso, não é necessário formação pra trabalhar no local, uma vez que todos recebem dois tipos de treinamento iniciais: sobre componentes e funcionamento de notebooks, desktops e servidores; e outro sobre segurança e controle de qualidade.

Durante a visita pela fábrica, encontramos um quadro que descreve as opções de plano de carreira que podem ser seguidos pelos funcionários dentro da sua própria área de atuação ou até mesmo em outras.

A visita à fábrica da Lenovo foi promovida pela iniciativa “The World Runs on Intel”, que levou jornalistas da América Latina para conhecer o Centro de Design da fabricante, na cidade de Guadalajara, e também a planta da sua parceira Lenovo.

*A jornalista viajou para o México a convite da Intel.

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