Xperia Z1 é poderoso, porém desajeitado

Rafael Rigues
26/11/2013 - 07h00 - Atualizada em 29/11/2013 - 16h09
Aparelho é o smartphone mais rápido que já passou por nossas mãos, mas sacrifica a ergonomia e desaponta na câmera.

O mercado de smartphones se move com uma velocidade impressionante, mas a Sony parece estar com mais pressa do que suas concorrentes. Enquanto empresas como a Samsung e Apple lançam um “carro-chefe” de suas linhas a cada ano, só em 2013 a Sony lançou dois: o Xperia Z durante a CES em janeiro e o Xperia Z1 durante a IFA, em setembro. Sem contar o “phablet” Xperia Z Ultra, que chegou ao mercado entre os dois.

No papel o Xperia Z1, que chegou ao Brasil no final de outubro, é uma clara evolução em relação ao Xperia Z e ZQ com processador, câmera e bateria superiores. Infelizmente ele também “andou para trás” em outros pontos importantes, o que levanta a questão: o que você está disposto a sacrificar para ter em mãos o smartphone mais rápido do mercado?

Design e hardware

Há duas palavras que definem muito bem o Xperia Z1. A primeira é “austero”: se ele fosse uma pessoa seria um executivo na faixa dos 45 anos com um terno escuro de corte impecável e cara séria. O modelo que testamos é simplesmente um retângulo preto, sem nenhum detalhe ou firula para chamar a atenção, nem mesmo botões sob a tela.

A segunda palava é “desengonçado”: o Xperia ZQ chamava a atenção por colocar uma tela de 5” em um corpo incrivelmente compacto, e era bastante confortável nas mãos. Não é o caso aqui: o Z1 é 5 mm mais largo, 13 mm mais alto e 1,3 mm mais grosso, além de 19 gramas mais pesado, que seu antecessor, apesar de ter uma tela do mesmo tamanho e resolução.

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Xperia Z1

É difícil usá-lo com uma mão só, e como consequência o medo de que ele tomasse um tombo foi maior. E um tombo tem o potencial para dor de cabeça dupla já que não só a tela, como também a traseira é feita de vidro. Vidro, aliás, que acumula impressões digitais com incrível facilidade, o que rapidamente dá ao aparelho uma aparência suja.

Segundo a Sony a tela LCD usa a tecnologia TriLuminos, a mesma das TVs da série Bravia, e o sistema X-Reality Engine que ajusta automaticamente os parâmetros da tela com base no conteúdo que é exibido, na tentativa de obter sempre a melhor imagem. Mas o mesmo probleminha que notamos no Xperia ZQ persiste no Z1: a imagem fica um pouco “lavada” quando vista fora de centro, algo mais notável quando o aparelho está sobre uma mesa com a tela ligada. Não é um problema grave, mas é algo que chama a atenção considerando que concorrentes equipados com telas AMOLED como o Samsung Galaxy S4, ou IPS LCD como o LG G2, tem ângulos de visão perfeitos.

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Visão de perfil: o botão de força ainda é centralizado, como no Xperia ZQ

O Xperia Z1 tem certificação IP58, ou seja, é resistente a poeira e pode ficar submerso a até 1 metro de profundidade por até 30 minutos. A Sony encontrou uma forma interessante de demonstrar este recurso em um stand montado no Shopping JK Iguatemi, em São Paulo: dentro de um tanque, um mergulhador todo equipado tira fotos dos clientes usando um Xperia Z1. Vale lembrar que o aparelho só é resistente à água se todas as portas (duas na lateral esquerda, para microSD e USB, e uma na direita, para o SIM Card) estiverem fechadas. O conector de fone de ouvido pode permanecer exposto, pois é selado internamente. 

Por dentro o Xperia Z1 é baseado em um dos processadores mais poderosos da atualidade, o Qualcomm Snapdragon 800, um monstro quad-core rodando a 2.2 GHz e acompanhado por 2 GB de RAM. É a mesma “plataforma” na qual são baseados concorrentes com o LG G2 e o Nexus 5. Há 16 GB de memória interna, expansível com cartões microSD de até 64 GB, suporte a redes 3G, 4G e Wi-Fi nos padrões 802.11 a, b, g, n e ac, além de suporte a Bluetooth 4.0. Não há um conector HDMI propriamente dito, mas é possível ligar o smartphone a uma TV usando um adaptador MHL (vendido separadamente) plugado à porta micro USB.

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Um mergulhador comprova a resistência à água do Xperia Z1

O Xperia Z1 tem dois recursos incomuns em smartphones topo de linha: Rádio FM e TV Digital. Aliás, o modelo brasileiro é o único em todo mundo com TV Digital. Em ambos os casos o cabo de um fone de ouvido é usado como antena, e o sintonizador de TV permite a gravação dos programas, que também pode ser agendada. Também há informações sobre cada programa (enviadas pelas emissoras), mas não há suporte ao sistema nacional de TV interativa, o Ginga. E há um problema no espaçamento entre as palavras e formatação das legendas em Closed Caption.

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Há problemas com as legendas em Closed Caption no receptor de TV

O sistema operacional do Xperia Z1 é o Android 4.2.2, modificado com praticamente a mesma interface usada no Xperia ZQ, incluindo os “mini aplicativos” no sistema de multitarefa. Uma diferença em relação ao antecessor fica por conta do hardware: como não tem um emissor de infravermelho, o Xperia Z1 não pode ser usado como controle remoto universal para sua TV ou Home Theater, embora seja possível controlar alguns aparelhos da Sony que estejam conectados à rede local.

Câmera

Um dos principais destaques do Xperia Z1 é o sistema de câmera, composto por um sensor de 20.7 MP com tamanho (1/2.3”) maior do que a média dos smartphones, lente grande angular (27mm) asférica Sony G Lens, processador de imagem BIONZ e flash.

Considerando o “conjunto da obra” ele deveria produzir imagens melhores que as de concorrentes como o Galaxy S4 ou seu antecessor Xperia ZQ, ambos equipados com câmeras de 13 MP. Mas na prática não foi isso que notei. As fotos diurnas são bonitas, mas fazer boas fotos à luz do sol é fácil para qualquer câmera moderna. Já as noturnas apresentam ruído excessivo, que arruina o que deveria ser uma bela imagem. Foi uma decepção, já que um dos benefícios de um sensor maior deveria ser justamente a capacidade de captar mais luz.

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Foto diurna de 8 MP (modo "Auto Superior") feita com o Xperia Z1. Clique para ampliar

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Foto noturna de 8 MP (modo "Auto Superior" feita com o Xperia Z1. Clique para ampliar

O software da câmera piorou em relação ao do Xperia ZQ. Enquanto empresas como a Motorola reescrevem suas interfaces para que sejam mais fáceis de usar e “saiam do caminho” do usuário, a Sony fez o inverso, entulhando a câmera com todos os recursos imagináveis.

Alguns deles, como o Info-Eye, são úteis: ele funciona como o “Google Goggles”, analisando a imagem e tentando identificar onde foi feita ou do que se trata. Isso não é feito usando as coordenadas de GPS do local onde a foto foi tirada (seria fácil), mas sim analisando o conteúdo da cena. Ou seja, você pode estar em São Paulo, mas se fotografar uma foto do Cristo Redentor, no RJ, ele saberá que se trata do Cristo Redentor e onde ele fica. Já o Timeshift captura de uma só vez 60 imagens: 30 feitas antes do seu “clique” e 30 depois, e permite ao usuário escolher qual delas deseja manter.

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Info Eye analisa a cena para identificar o que foi fotografado. Funciona bem em pontos turísticos

Outros recursos são menos úteis: o Social Live permite compartilhar uma foto ou vídeo diretamente da câmera em redes sociais como o Facebook, e também há integração parecida com o Evernote. E há recursos “inúteis”, como o AR Effect: confesso que é divertido colocar um chapéu de urso ou cara de palhaço automaticamente numa foto de um colega de trabalho, ou fazer um dinossauro passear por uma selva sobre a sua mesa, mas não são coisas que você irá usar regularmente.

O que incomoda é que estes recursos vieram às custas da usabilidade ou de alguns outros que existiam no passado. Demorei, por exemplo, para descobrir que a câmera tem um modo HDR já que ele só aparece se ela estiver no modo manual com resolução de no máximo 8 MP, o que habilita também vários modos de cena.

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Dinossauros, fadas e borboletas: as crianças vão adorar o modo "AR" na câmera do Xperia Z1

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Aaarrrrhhh!

Falando no modo manual, só nele você consegue usar a resolução máxima da câmera, já que no modo “Auto Superior” ela é limitada a 8 MP. Os ajustes manuais de fato são poucos: apenas compensação de exposição e balanço de branco.

E a Sony parece ter removido o “Burst Infinito”, um impressionante recurso do Xperia ZQ que permitia capturar imagens em uma rápida sequência sem limite de tempo, enquanto houvesse espaço disponível na memória do aparelho, algo útil para fotografar esportes, crianças e animais de estimação. O Timeshift compensa um pouco esta ausência, mas nesse modo as imagens tem resolução máxima de 1920 x 1080 pixels. 

Também tive problemas com o modo panorâmico: a não ser que eu completasse o “giro” indicado pela câmera (às vezes uma área muito maior do que eu desejava fotografar) as imagens resultantes eram sempre incompletas, com uma área cinza.

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Panoramas incompletos (como este feito da direita para a esquerda) são comuns. Clique para ampliar.

Desempenho e Autonomia de Bateria

Em termos de desempenho, nenhum dos smartphones que já testamos chega sequer perto do Xperia Z1. Para se ter uma idéia no AnTuTu, nosso teste de desempenho padrão para smartphones Android, ele chegou à marca de 33.951 pontos, contra 25.035 no Samsung Galaxy S4.

No 3DMark, que testa o desempenho gráfico, ele gabaritou não só o teste IceStorm (o segundo aparelho a fazer isso, após o Moto X), como também o Ice Storm Extreme, uma versão mais “pesada” que exagera nos efeitos especiais e na resolução para desafiar mesmo as GPUs mais poderosas. 

Notei um detalhe ao rodar aplicativos que exigem alto desempenho, como jogos: a traseira do Xperia Z1 esquenta bastante, principalmente próximo à lente da câmera. E esquenta rapidamente, bastaram duas corridas em Asphalt 8, cerca de 10 minutos de jogo. Mas apesar do calor ser notável, em nenhum momento chega a ser perigoso.

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A autonomia de bateria é excepcional

A autonomia de bateria impressionou: em nosso teste de uso típico, que inclui cerca de 2 horas e meia de navegação via 3G, poucas chamadas e mensagens SMS, algumas fotos e atualização constante de e-mail e redes sociais em segundo plano via Wi-Fi na maior parte do tempo chegamos ao fim de um dia de trabalho, pouco mais de 13 horas fora da tomada, com 47% de carga restante na bateria. E isso sem ativar nenhum dos vários recursos para economia de energia inclusos no aparelho.

Veredito

Não há dúvida de que o Xperia Z1 (R$ 2.399, preço sugerido pela fabricante) é um monstro em desempenho e tem excelente autonomia de bateria, mas a impressão que tenho é que a Sony perdeu o foco durante seu desenvolvimento.

O aparelho ficou maior, mais pesado e menos confortável na mão que seu antecessor, apesar da tela com o mesmo tamanho e resolução. A qualidade das fotos piorou, apesar do sensor da câmera com resolução mais alta, e a interface da câmera ficou desnecessariamente complexa. E probleminhas que poderiam ter sido resolvidos, como o ângulo de visão da tela, foram ignorados.

Por outro lado, recursos como a resistência a água, TV Digital e Rádio FM integrados o colocam em uma posição única em sua categoria. Talvez seja o bastante para atrair os usuários.

Xperia Z1

PRÓ

O melhor desempenho entre todos os smartphones que já testamos
Excelente autonomia de bateria

CONTRA

Grande e desengonçado
Qualidade das fotos desaponta
Interface da câmera é desnecessariamente complexa, com recursos supérfluos em maior destaque do que o que realmente importa

Fabricante: Sony

Preço: R$ 2.399 (preço sugerido pelo fabricante, sem subsídios de operadora)

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