Moto G é um smartphone surpreendente

Rafael Rigues
09/12/2013 - 07h00 - Atualizada em 09/12/2013 - 17h00
Com design elegante e uma belíssima tela, aparelho tem desempenho superior ao de concorrentes que podem custar até o dobro do preço.

A Motorola vem passando por uma boa fase ultimamente, lançando aparelhos com um excelente custo-benefício. Com o RAZR D3 e RAZR D1 ela mostrou que é possível produzir smartphones Dual SIM de qualidade por um preço acessível, e com o Moto X mostrou que pode produzir um aparelho que é capaz de competir com as “super estrelas” do mercado sem fazer o consumidor enfartar com o preço.

O Moto G é a fusão destas duas abordagens, trazendo o design e a experiência de uso do Moto X com a versatilidade e preço dos modelos Dual-SIM. E o resultado é um aparelho surpreendente.

Qual versão?

Antes de comprar um Moto G, fique atento: há nada menos que quatro versões do aparelho nas lojas. As diferenças ficam por conta da quantidade de memória interna, número de SIM Cards suportados e acessórios inclusos. O modelo mais simples é Single SIM, ou seja, aceita apenas um SIM Card, tem 8 GB de memória e preço sugerido de R$ 649. A seguir temos a versão Dual SIM, também com 8 GB de memória, por R$ 699. Esta foi a versão analisada para este review.

Por fim há as edições especiais. A “Colors Edition” inclui um Moto G Dual SIM com o dobro da memória interna, 16 GB, e quatro capinhas nas cores amarela, vermelha, branca e preta, por R$ 799. E a “Music Edition”, que custa R$ 999, é ainda mais especial: inclui um Moto G Dual SIM de 16 GB e um par de fones de ouvido sem fios Tracks Air, da Sol Republic, que por si só custam US$ 200 no exterior.

Design e Hardware

De relance é fácil confundir o Moto G com o Moto X. O design básico é o mesmo, com cantos arredondados, uma traseira curva (que torna o aparelho confortável nas mãos) e o mesmo design discreto sem botões, bordas prateadas ou logotipos para chamar a atenção.

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O Moto G lembra muito o Moto X. A diferença está nos detalhes

Há algumas diferenças, claro: o Moto G é cerca de 1 mm mais grosso e 13 gramas mais pesado (6,6 x 13 x 1,16 cm e 143 gramas no total), e tampa traseira é diferente: em vez da textura macia ao toque e padrão que lembra o kevlar dos RAZR, há plástico fosco. Ainda assim é um aparelho bastante elegante, ainda mais se comparado aos concorrentes na mesma faixa de preço.

A tampa é removível, mas não se anime: a bateria sob ela é fixa. Debaixo da tampa ficam os slots para os SIM Cards, mas infelizmente não há um slot para cartões de memória. A tampa removível permite um pouco de personalização: você pode deixar o aparelho do seu jeito trocando a cor da tampa. A Motorola ainda não está vendendo tampas avulsas no Brasil, mas promete trazê-las "ainda no primeiro trimestre de 2014".

A tela LCD de 4.5 polegadas e resolução HD (1280 x 720 pixels) é protegida por Gorilla Glass 3 e é uma das muitas boas surpresas do Moto G: tem qualidade de imagem excepcional, com iluminação homogênea, cores precisas, distorção mínima mesmo quando observada de ângulos extremos e ótimo contraste. Já vi smartphones que custam o dobro do preço e não tem uma tela tão bonita.

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A tampa traseira do Moto G é removível, mas a bateria não. Os slots para os SIM Cards estão indicados em verde

Por dentro o Moto G é baseado em um processador quad-core Qualcomm Snapdragon 400 de 1.2 GHz, acompanhado por 1 GB de RAM. Ele não é um smartphone 4G, mas tem Wi-Fi (802.11 b/g/n), Bluetooth 4.0, GPS e Rádio FM. No modelo com 8 GB de memória interna pouco mais de 5 GB estão disponíveis ao usuário. Já no modelo de 16 GB há cerca de 13 GB livres.

Software

Outra surpresa: o Moto G roda o Android 4.3 (com upgrade garantido para a versão 4.4), algo raro mesmo entre os aparelhos topo de linha. E assim como no Moto X é uma versão praticamente “limpa” do sistema operacional, com pouquíssimas modificações. Entre elas a interface da câmera, da qual falaremos mais adiante.

Alguns dos recursos mais interessantes do Moto X ficaram de fora: não há o sistema de notificações inteligentes, que mostra na tela resumos de mensagens e notificações sempre que você tira o aparelho do bolso. Também não há o “Comando Inteligente por Voz”, que permite que você dê ordens ao aparelho, por exemplo dizendo “OK Google Now, ligar para casa”. Outro recurso ausente é a capacidade de abrir rapidamente a câmera girando o pulso três vezes com o aparelho na mão. 

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Uma raridade: a interface padrão do Android 4.3

Tudo isso é devido a uma diferença no hardware: o Moto G não tem os co-processadores para processamento de linguagem natural e detecção de movimento do Moto X, que permitem a seu “irmão maior” ter um maior nível de consciência de seus arredores com menor consumo de energia. 

Mas a Motorola manteve outros recursos que não dependem de hardware, como os apps Assist e Migração Motorola. O primeiro automatiza tarefas, silenciando automaticamente o aparelho quando você está em uma reunião ou na hora de dormir, por exemplo. O segundo facilita a migração a partir de um smartphone Android mais antigo, transferindo mensagens de texto, histórico de ligações, contatos, mídia e até configurações como brilho de tela e volume para o Moto G. É muito prático.

Na versão Dual SIM o usuário pode atribuir um nome e cor para cada SIM Card e definir qual o SIM padrão para dados, voz e mensagens. Um recurso interessante é a capacidade de definir a prioridade de conexão: em aparelhos como o RAZR D3 os dados tem precedência sobre a voz, ou seja, se uma conexão de dados estiver ativa em um chip, o outro chip não poderá receber ligações. No Moto G é possível manter esse comportamento ou priorizar a voz. Nesse caso downloads são interrompidos durante a chamada, e retomados quando ela for encerrada.

Câmera

O Moto G tem uma câmera frontal de 1,3 MP para videochamadas e uma câmera traseira de 5 MP, acompanhada por flash, para fotos e vídeos. A interface da câmera é praticamente idêntica à do Moto X: não há quase nenhum botão ou controle visível na tela. Toque na imagem para fazer uma foto, toque e segure para fazer várias em sequência, deslize o dedo para cima ou para baixo para aumentar ou diminuir o zoom. Os controles estão em uma “roda” acessível deslizando da esquerda para o centro da tela, e a galeria na direção oposta, da direita para o centro.

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Interface da câmera: o círculo verde indica onde o foco e exposição serão medidos

Há um modo HDR (que pode ser ativado manual ou automaticamente), um modo para fotos panorâmicas e é possível escolher o formato da imagem, 16:9 (Widescreen, melhor para ver no computador ou TV) ou 4:3 (a proporção tradicional das fotos impressas). 

Uma novidade em relação ao Moto X é o controle de foco e exposição, basta arrastar o indicador na tela para que a câmera faça os ajustes com base no ponto selecionado. Isto ajuda a compensar uma tendência que a câmera tem de “estourar” as partes mais claras da imagem.

Considerando o sensor, as imagens feitas pelo Moto G à luz do dia são adequadas. Você não vai querer aposentar sua câmera doméstica, mas também não vai passar raiva se esquecê-la em casa e tiver apenas o Moto G à mão.

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Foto diurna feita com o Moto G. Clique para ampliar.

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Foto diurna em HDR feita com o Moto G. Clique para ampliar.

Já nas fotos noturnas notamos uma redução de ruído bastante agressiva, que prejudica os detalhes e faz com que a imagem pareça uma obra pontilhista. Mas antes de condená-lo por isso, note que nem aparelhos mais sofisticados, como o Sony Xperia Z1 e LG G2 estão se saindo bem neste quesito ultimamente.

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Foto noturna feita com o Moto G. Clique para ampliar.

O Moto G também grava vídeos em HD (1280 x 720 pixels), e assim como no Moto X é possível fotografar durante a filmagem (basta tocar na tela) e usar zoom digital de até 4x (com o mesmo gesto usado nas fotos). Também há um modo de câmera lenta, que faz com que a ação pareça se desenrolar quatro vezes mais lenta que o normal.

Desempenho e autonomia de bateria

Em nosso benchmark padrão, o AnTuTu, o Moto G chegou à marca dos 17.431 pontos, à frente de concorrentes como o Galaxy S4 Mini 3G (15.076). No teste Ice Storm do 3DMark, que mede o desempenho gráfico, ele novamente superou o S4 Mini: 5.437 pontos, contra 3.154 no modelo da Samsung. 

E na prática a experiência de uso do Moto G não deixa a desejar. Ele lidou sem esgasgos com múltiplos apps, e graças à GPU Adreno 305 rodou jogos sofisticados como Asphalt 8: Airborne, Dead Trigger 2 e Arc Squadron: Redux com boa qualidade gráfica. Asphalt 8 rodou até melhor que em um tablet Nexus 7 (modelo 2012), que tem um processador quad-core Nvidia Tegra 3.

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A autonomia de bateria é muito boa

A autonomia de bateria agradou bastante: em um dia de uso típico, com dois SIM Cards no aparelho, ainda tínhamos 24% de carga da bateria após 14 horas e 25 minutos fora da tomada. Já em um dia de uso intenso, com o smartphone baixando constantemente via Wi-Fi as fotos de uma câmera digital (usando um cartão Eye-Fi Mobi na câmera e o app correspondente no smartphone), conseguimos quase nove horas e meia de uso antes de receber o alerta de 15% de carga restante.

Veredito

Por R$ 649 (no modelo mais básico) o Moto G é uma verdadeira barganha. Ele oferece desempenho e design superiores aos de concorrentes na mesma faixa de preço, e não deixa muito a desejar mesmo em comparação a aparelhos muito mais caros. O único ponto “negativo” são os 8 GB de memória interna não expansível, que podem ser um problema para quem pretende jogar ou quer colocar todas as suas músicas no aparelho. Nesse caso o melhor a fazer é pagar um pouco a mais por uma das edições especiais.

Motorola Moto G

PRÓ

Belo design
Excelente tela
Ótimo desempenho e autonomia de bateria

CONTRA

Não tem slot para cartões microSD

Fabricante: Motorola

Preço: De R$ 649 (Single SIM, 8 GB) a R$ 999 (Music Edition Dual SIM com 16 GB e fones Tracks Air)

Por R$ 649 (no modelo mais básico, Single SIM com 8 GB de memória interna) o Moto G é uma verdadeira barganha. Ele oferece desempenho e design superiores aos de concorrentes na mesma faixa de preço, e não deixa muito a desejar mesmo em comparação a aparelhos muito mais caros.

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