Wolfenstein: The New Order tem nazistas, robôs e muita diversão

Hayden Dingman, PCWorld EUA
22 de maio de 2014 às 07h00
Apesar de não se parecer muito com o Wolfenstein clássico, jogo é o melhor título que a série já viu nos últimos anos.

Vou dizer o que Wolfenstein: The New Order (R$ 199,99 pela versão PC via Steam, também disponível para PS3, PS4, Xbox One e Xbox 360) não é: ele não é um jogo que exige reflexos rápidos, portanto os fãs do Wolfenstein “clássico” (que você pode jogar online) devem estar avisados. Também não é um shooter moderno. E também não é o típico “shooter na Segunda Guerra”, pelo menos não durante 90% do tempo. E ele não dá a mínima para sua opinião sobre se os jogos devem ser classificados como uma forma de “arte”.

Vou te dizer o que ele é: absolutamente glorioso. Se você está à fim de explosões, saiba que Wolfenstein tem disso aos montes.

Lembram do Billy?

Wolfenstein: The New Order o coloca de volta na pele do protagonista original da série, William “B.J.” Blazkowicz. O jogo começa com BJ e seus rapazes fazendo um último ataque ao complexo do general Wilhelm “Deathshead” Strasse, que na melhor tradição de Wolfenstein é um imenso castelo. E há tantas explosões!

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O jogo já começa grandioso, com a invasão de um imenso castelo

Infelizmente, no meio de uma audaz fuga nosso protagonista é atingido na cabeça por estilhaços e cai no mar. Ele passa os próximos 14 anos em coma, e ao acordar descobre que a guerra acabou, e que os nazistas venceram.

Por “venceram” quero dizer “dominaram todo o mundo”. A Grã-Bretanha caiu em 1946 e os EUA se renderam em 1948 depois que Hitler vaporizou Manhattan com uma bomba atômica. Se você já leu o livro “O Homem do Castelo Alto” (Man in the High Castle), de Philip K. Dick, tem uma boa idéia do que esperar.

Mas o Sr. Blazkowicz não gosta nada da idéia de nazistas espalhados por todo o mundo, e com a ajuda de alguns amigos decide desmantelar o regime e restaurar as “estrelas e listras” da bandeira americana ao seu lugar de direito como uma superpotência global.

O roteiro não é nenhuma obra prima, mas o jogo sabe e se aproveita disso. Não vou tentar te convencer de que o jogo é uma obra de arte: ele é ficção alternativa digna de um filme B, mas é a melhor coisa no gênero “não pense e atire nos caras maus” desde Call of Duty: Modern Warfare. 

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O roteiro é típico de um filme "B"

Também há interações momentâneas que mostram a vida sob ocupação, e o jogo tem o hábito de contrastar suas melhores conquistas com os piores males da humanidade. Você irá ver uma senhora idosa freneticamente explicando como a resistência foi varrida do mapa, ou ouvir um homem cantando uma canção para um colega que perdeu metade do cérebro durante a luta. Há muitas tragédias a considerar se você decidir diminuir o ritmo e explorar o mundo por alguns momentos. E alguns dos melhores momentos em Wolfenstein são os interlúdios entre a ação.

Mas é difícil ficar parado, já que você irá sempre querer ver o que há pela frente. O ritmo do jogo foi definido com maestria, o diálogo parece ter sido escrito por Stallone enquanto observa os bíceps na frente de um espelho, e há (eu juro) muita engenhosidade oculta por detrás das explosões.

O velho e o novo

Há uma estranha mistura do velho e do novo neste Wolfenstein. Entre os itens “novos” há a história contada de forma cinemática, ambientes lineares, alguns leves elementos de RPG e um sistema de recarga automática de energia. Mas entre o “velho” há os medkits (estojos de primeiros socorros) e armaduras, um suprimento infinito de armas e munição, inimigos robóticos ridículos, salas ocultas e uma irreverência que é incomum nos shooters atuais.

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Mechas nazistas estão por toda a parte

Há uma estranha tensão causada por essa mistura de duas diferentes eras do design de jogos. Por exemplo, sua energia se recarrega automaticamente com o tempo, mas só até os próximos 20%. Se você chegar a 49% de energia, por exemplo, ela só irá se recarregar até 60%. O restante tem que ser completado com medkits.

É uma forma insana de tentar reconciliar os fãs do velho Wolfenstein com o design moderno de jogos, e algo que não funciona muito bem. Mas isso não importa, já que você estará ocupado demais atirando em tudo o que se move para se preocupar com sua energia. Além disso, no nível de dificuldade “Normal” o jogo é quase um passeio, e Blazkowicz se parece mais com um Deus do que com um soldado.

E ele fica mais poderoso à medida em que você desbloqueia “perks”. O personagem ganha mais habilidades ao completar certos feitos, como uma espécie de prêmio dentro do jogo por conseguir conquistas. Matou cinco comandantes inimigos sem ser visto? Agora eles irão aparecer no mapa. Matou cinco inimigos arremessando facas? Agora você pode carregar uma faca extra.

É algo inano, mas você ainda irá se sentir orgulhoso a cada vez que desbloquear uma nova habilidade. Elas são divididas em quatro “árvores”: Assalto, Tática, Demolição e… Furtividade (Stealth). Sim, furtividade. Quer um pouco de heresia? Wolfenstein: The New Order é imensamente divertido como um jogo furtivo.

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Mova-se com cuidado e você poderá eliminar inimigos sem ser visto

Antes mesmo do lançamento a Bethesda (que publica o jogo) alardeou as duas formas de jogar: como um louco atirando em tudo o que se move, ou um assassino silencioso se movendo pelas sombras. Eu ri, já que não é exatamente pela furtividade que a série é conhecida. E imagine minha surpresa quando notei que eu estava me movendo cautelosamente sempre que possível, eliminando inimigos com facas de arremesso e uma pistola silenciada. O jogo permite que você ande agachado pelo cenário, eliminando com calma um ou outro soldado e talvez um comandante. E quando o chumbo começa a voar você pode guardar as facas, pegar uma escopeta em cada mão e ensinar os nazistas a ter medo do Tio Sam. 

O jogo lembra o clássico “Chronicles of Riddick: Escape from Butcher Bay” de 2004. Há até mesmo vários níveis que se passam em uma prisão, e eles se parecem exatamente com a sequência de Butcher Bay que eu sempre quis. Foi quando eu procurei informações sobre a desenvolvedora de Wolfenstein, a Machine Games, que tudo fez sentido: alguns dos membros da equipe são ex-funcionários da Starbreeze, que desenvolveu Butcher Bay. 

Veredito

The New Order não é Wolfenstein, mas ao mesmo tempo é. Se você está procurando um jogo “das antigas” que requer reflexos rápidos, fique bem longe. Este jogo é Modern Warfare em um castelo nazista maluco.

Mas se você é o tipo do cara que repete os bordões do Schwarzenegger, acha cães robóticos engraçados e colocou Far Cry 3: Blood Dragon em sua lista de “jogos do ano” em 2013, então não deve perder Wolfenstein: The New Order.

Problemas?

Algumas pessoas tem tido problemas ao rodar Wolfenstein: The New Order com algumas GPUs da Nvidia ou AMD. Não tive nenhum problema durante o review (feito em um PC com uma GPU AMD) mas sites como o PC Gamer e Rock Paper Shotgun tem relatos de crashes, taxas de quadros extremamente baixas, problemas com o “pop-in” de texturas e telas brancas aparecendo durante o carregamento do jogo. A equipe do Rock Paper Shotgun resolveu o problema usando uma GPU mais antiga da Nvidia, mas o PC Gamer relatou problemas com GPUs da Nvidia e da AMD.

Os usuários afetados podem tentar o seguinte para resolver o problema:

  • Quem tem uma GPU AMD pode tentar instalar uma versão mais ainda do Catalyst, e atualizar os drivers sem atualizar o Catalyst ao mesmo tempo.
  • Usuários de GPUs da Nvidia devem abrir o aplicativo GeForce Experience e marcar a opção “Include Beta Drivers” (Incluir Drivers Beta). A versão 337.50 (beta) dos drivers parece resolver alguns dos problemas.
  • Usuários de ambas as GPUs podem entrar em Advanced Video Settings, nas configurações do Jogo, e ajustar Shadow Resolution para a menor possível e desativar Screen Space Relfections. Rodar o jogo como administrador, no modo de compatibilidade com o Windows 7, desabilitar Triple Buffering nas configurações do driver de vídeo e reduzir a resolução para 720p também podem ajudar.

 

Um post nos fóruns do site NotebookReview tem soluções para problemas adicionais que os jogadores podem encontrar em notebooks, incluindo aqueles que podem ocorrer ao rodar o jogo em um portátil com múltiplas placas de vídeo ou mensagens de erro que podem aparecer no Windows 8 ou 8.1.

Obviamente nenhuma destas soluções é a ideal, então se você ainda não tem Wolfenstein: The New Order pode simplesmente esperar até que a Bethesda, Nvidia e AMD resolvam os problemas. De qualquer forma, recomendamos comprá-lo em algum momento, já que é um jogo excelente.

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