Snapchat estaria se posicionando contra táticas agressivas do Facebook

Rede social teria criado dossiê chamado "Projeto Voldemort" para divulgar possíveis práticas anticompetitivas da empresa de Mark Zuckerberg

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A história de como o Facebook, após não entrar em acordo com Evan Spiegel para a compra do Snapchat, copiou boa parte das funções características do app dentro do Instagram, é um exemplo da abordagem assertiva que a empresa de Mark Zuckerberg adota quando se trata de concorrência.

Acontece que, após anos atuando com relativa liberdade, concorrentes novos e antigos estão conversando com a Comissão Federal do Comércio (FTC, em inglês), que regula o funcionamento das companhias americanas, para avaliar se as práticas de negócio adotadas pela empresa de Palo Alto possuem respaldo legal.

O Snapchat, que para a surpresa de ninguém está entre as empresas que criticam a rede social, apresentou um dossiê feito por sua equipe jurídica para explicar quais as ações adotadas pelo Facebook para dificultar sua ascensão. E, de acordo com as informações apresentadas, a companhia fez muito mais do que emular funcionalidades.

Vilão da história?

Empresa mais citada na reportagem escrita pelo Wall Street Journal sobre o assunto, a Snap Inc. (dona do app fantasma) criou um dossiê chamado Projeto Voldemort, em referência ao antagonista da saga Harry Potter. No documento, existiam diversos arquivos com depoimentos e números que indicariam práticas anticompetitivas efetuadas pelo site.

Por exemplo: os executivos do Snapchat suspeitam que a empresa tenha manipulado os algoritmos do Instagram para que nenhum conteúdo vindo da outra rede aparecesse em destaque no seu Trend Topics. Segundo relatos, esse bloqueio poderia aconteceu tanto ao monitorar uma hashtag (tipo #snapchat) como as imagens, à procura de um dos famosos filtros criados pela plataforma.

Além do boicote, executivos do Snapchat também teriam ouvido de influenciadores que o Facebook os teria pressionado a não repostar na rede nenhum conteúdo publicado originalmente no app amarelo. A retaliação para quem não seguisse a regra, de acordo com as fontes, seria a perda do selo azul de verificação — usado tanto por empresas como pelos próprios criadores como uma credencial que os capacita a pedir maiores valores em parcerias.

App espião

Apesar do caso do Snapchat ser o mais lembrado a empresa já agiu de forma sumilar em outras ocasiões. A matéria do WSJ lembrou, por exemplo, da tentativa do Facebook de comprar o app de geolocalização FourSquare.

De acordo com documentos do Projeto Voldemort, o próprio Mark Zuckerberg teria dito, em reunião com os fundadores da marca, que a empresa teria duas opções: aceitar ser comprada ou lidar com um contra-ataque da firma. Hoje, o Foursquare modificou seu modelo de negócios, deixando de atuar diretamente com o usuário final e oferecendo sua API e ferramentas para empresas do setor de localização.

Outra empresa que também está no alvo da concorrência do Facebook é o Ashley Madison, site de encontros extraconjugais. De acordo com um porta-voz da companhia, a marca não consegue utilizar a plataforma de anúncios da rede social desde o lançamento do Facebook Dating.

Espião monitorado

Além da competição declarada, o Facebook também teria usado um sistema pouco transparente para verificar os hábitos de consumo dos usuários e, assim, identificar novos apps que fazem sucesso com o público e criar uma proposta de aquisição.

Segundo a matéria, o app Onavo (comprado em 2013) oferecia um app grátis que tinha a promessa de criar uma rede privada que protegeria sua conexão. Porém, ao autorizar o aplicativo, o usuário dava acesso ao Onavo para registrar todos os apps e endereços acessados. Diz a lenda de que foi a partir dos registros captados que o Facebook decidiu adquirir o WhatsApp.

For conta de todas essas situações a FTC está conversando com empresas para decidir se a conduta da companhia de Zuckerberg é ou não passível de punição.  Dentro da rede social, de acordo com fontes, os líderes estariam preocupados com as conversas e dados que poderiam ser compartilhados por concorrentes e estão discutindo formas de estreitar relações.

Vale lembrar que, recentemente, a instituição já multou o Facebook em US$ 5 bilhões, valor considerado “baixo” por muitos críticos. Se as hipóteses levantadas agora pelo órgão se mostrarem corretas, existe a possibilidade de que não apenas uma nova multa (e bem mais alta) seja emitida, como a regulação do negócio da empresa fique bem mais rígida.

 

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