Sonda Voyager 2 está oficialmente fora do Sistema Solar

É o segundo objeto na história da humanidade a chegar tão longe

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Pela segunda vez na história, um objeto criado pelo ser humano atravessa as barreiras do Sistema Solar. Na última segunda-feira (04), cientistas da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, publicaram na revista científica Nature Astronomy os estudos que comprovam que a sonda espacial Voyager 2 imitou o feito de sua irmã Voyager 1 ao conseguir ultrapassar a heliopausa, ou seja, a fronteira entre a heliosfera e o espaço interestelar.

Para quem não entendeu nada, a heliosfera é a grande bolha onde a Terra e todos os outros planetas do nosso sistema habitam. Aqui, somos protegidos da alta radiação emitida pelos raios cósmicos por um escudo feito de partículas expelidas pelo Sol em formato de plasma. Portanto, sair dessa enorme redoma não é uma tarefa nada fácil – e a Voyager 2 que o diga, já que demorou quatro décadas para chegar lá.

“Em um sentido histórico, a velha ideia de que o vento solar será gradualmente reduzido à medida que você avança no espaço interestelar simplesmente não é verdadeira”, disse Don Gurnett, autor do estudo. “É simplesmente surpreendente como fluidos, incluindo plasmas, formam limites”.

Enviada em 1977, a sonda passou pela heliopausa por volta do dia 5 de novembro de 2018, mais de seis anos após sua irmã. Apesar de terem sido enviadas ao espaço com poucas semanas de diferença, a Voyager 2 foi obrigada a pegar um caminho mais longo, além de ter feito uma visita bem demorada ao nosso vizinho distante, Netuno.

Ainda assim, a Voyager 2 saiu à frente da Voyager 1, já que conseguiu chegar ao outro lado da barreira com um importante artefato em funcionamento: o instrumento que mensura a concentração de plasma, algo muito importante para entender melhor o que se encontra nessa região do espaço pouco explorada fisicamente.

Com essa vantagem, a Voyager 2 enviou, recentemente, os primeiros dados coletados no espaço interestelar, entre os quais um perfil detalhado dos níveis de gás ionizado no limite do quintal do Sistema Solar. Ao comparar os dados recolhidos por outro instrumento – o que mede a intensidade dos raios cósmicos recebidos –, este funcionando em ambas as sondas, foi possível perceber que a travessia da irmã atrasada foi um pouco mais tranquila que a turbulenta passagem da pioneira. A mudança se deu por conta de uma heliopausa mais fina, menos agitada e com um campo magnético mais forte no lugar e no momento em que a Voyager 2 passou por ela, algo que mostra que o limite é complexo e pode variar de acordo com a região e com o tempo.

Contudo, outra informação dá indícios de que a heliosfera é praticamente simétrica, já que, quando a Voyager 1 alcançou a heliosfera, ela estava a 122,6 UA (unidades astronômicas, o equivalente a distância entre o Sol e a Terra) da influência do Sol, enquanto a Voyager 2 estava a 119,7 UA – uma distância bem próxima em termos astronômicos. “Isso implica que a heliosfera é simétrica, pelo menos nos dois pontos em que as sondas Voyager cruzaram”, explicou Bill Kurth, cientista pesquisador da Universidade de Iowa e co-autor do estudo.

Infelizmente, as irmãs devem continuar funcionando só pelos próximos cinco anos, quando suas fontes de energia chegarão ao fim. Até lá, mais descobertas podem surgir e, mesmo após seu tempo limite, elas continuarão a vagar para sempre no espaço interestelar.

Fonte: Science Daily

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