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9 perguntas sobre o Chrome OS que ainda não tem resposta

Novos detalhes sobre o sistema foram revelados, mas muita coisa ficou de fora. Quanto custará? Só rodará em netbooks?

Harry McCracken, da Technologizer/EUA

09/12/2010 às 17h52

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Esta tem sido uma excepcional semana sobre o futuro dos sistemas operacionais da Google. Na segunda-feira (6/12), estive presente à abertura da conferência All Things Digital: Um mergulho na mobilidade, em que pude ouvir a entrevista de Andy Rubin, o pai do Android.

Já na última terça-feira, rumei para o evento da gigante das buscas, no qual, ao final, importantes detalhes a respeito do Chrome OS foram apresentados – a plataforma era para ter sido lançada agora, nas festas de final de ano, mas foi adiada para o começo de 2011; por enquanto, um programa piloto, com o netbook Cr-48, está em andamento.

Nas duas palestras, algumas das minhas perguntas puderam ser respondidas. Ainda assim, certas dúvidas ainda me restam, principalmente em relação ao Chrome OS. A seguir, listei nove delas, de modo a organizar aqueles pontos que não ficaram assim tão claros.

1. O que aconteceu com os parceiros de hardware do projeto?
Há um ano, a Google disse que Acer, Asus, HP e Lenovo faziam parte do projeto. Agora, anunciou que apenas Acer e Samsung lançarão produtos com o sistema no primeiro semestre do ano que vem, mas que outras fabricantes deverão se unir, mais tarde, a esse grupo. Talvez, Asus, HP – mesmo tendo o seu Web OS - e Lenovo continuam no barco, porém, em nenhum momento seus nomes foram citados.

2. Que outros dispositivos poderão vir com o Chrome OS?
Um comunicado no blog oficial do Chrome afirma que o sistema foi “desenvolvido para funcionar em telas de diversos tamanhos e formas, permitindo aos parceiros adicioná-lo em aparelhos além de notbooks”. A companhia de Mountain View, no entanto, diz que, para tablets, investe no Android. Então, o que sobra? Desktops? Ou a Google TV, que já está no mercado e é baseado no Android, trocará de plataforma em prol do Chrome?

3. A parceria entre Verizon e Google dá início a uma tendência?
A maior inovação do Chrome OS é que ele armazena tudo na nuvem. Esta pode ser, também, a sua principal falha. Para contorná-la, os netbooks da plataforma virão, nos Estados Unidos, com acesso gratuito à rede 3G da Verizon. São só 100MB por mês, é verdade -  o que não é o bastante para quem pretende usá-lo com frequência – mas é um começo.

O que eu gostaria de saber é como se deu esse acordo. A Google está subsidiando a conexão para tornar o seu sistema mais atraente ou a Verizon está pagando a empresa para conseguir mais assinantes? E será que outras fabricantes e operadoras responderão com ofertas semelhantes, dando início a uma nova tendência?

4. O quão útil será o Chrome OS sem acesso à Internet?
Ano passado, a Google não parecia disposta a tornar o Chrome OS sem acesso à Internet interessante. Na última terça-feira, entretanto, ela mostrou o editor de textos, o Google Docs, trabalhando em modo offline - nada a ver com o Gears. Também explicou que alguns aplicativos de sua loja virtual, como o do New York Times, poderão funcionar assim. Não obstante, não está claro do que o Chrome OS será capaz sem conexão á rede.

5. Quanto custará?
Nós ainda não sabemos, e, aparentemente, tampouco a Google e os fabricantes sabem. Os preços dos modelos da Acer e Samsung deverão ser revelados quando estiverem prestes a chegar às lojas. Mas, a título de especulação, por quanto sairia o Cr-48, se este fosse vendido em vez de dado? Eu aposto em algo em torno de 500 dólares (cerca de 851 reais), mesmo sem saber das especificações.

6. O Chrome OS competirá com o iPad?
É uma possibilidade, mas quando pensamos mais a fundo, as apostas quanto ao futuro da computação desses dois é completamente diversa. O Chrome OS, a princípio, estará em equipamentos de formato tradicional, os netbooks, não poderá rodar aplicativos locais e armazenará tudo na nuvem. Já o iPad é um suporte inovador, abri programas locais rapidamente e não salva seus arquivos na nuvem – a não ser que você procure um modo de fazê-lo.

7. Outras companhias também usarão o browser como base para sistemas operacionais?
O Chrome OS, de certo modo, já conta com alguns concorrentes. O Jolicloud construiu um SO minimalista e o Splashtop há algum tempo oferece um sistema baseado no navegador que serve como alternativa ao Windows.

Porém, e quanto às grandes companhias de browsers, elas estariam dispostas a desenvolver algo parelho ao produto da Google? Bem, eu não consigo imaginar um Internet Explorer OS ou mesmo um Safari OS. Plataformas baseadas no Firefox ou no Opera parecem mais plausíveis, mas considerando a dificuldade que a gigante das buscas teve para transformar seu navegador em um sistema operacional, percebe-se que a tarefa não é nada fácil. Arrisco que o Chrome OS continuará como protagonista deste nicho por uns bons anos, pelo até seus rivais avaliarem se tamanho esforço vale a pena.

8. O Chrome OS é para você?
De começo, achei que o público-alvo do Chrome OS seriam aqueles consumidores que não querem nada de extravagante e se sentem meio intimidados pela complexidade do Windows ou do Mac OS X. Mas a ênfase do encontro dessa semana parece ter sido dada para os clientes corporativos – uma representante do Citrix subiu ao palco para mostrar como o Chrome acessa aplicativos dessa área – e aos usuários avançados, ansiosos por receber um Cr-48.

Eu não sei a quem o sistema será direcionado - ou se a Google já pensou sobre isso - porém, quem sabe, o objetivo não seja chegar às mesmas pessoas que o Windows alcançou, ou seja, todo mundo.

9. A Google faria isso de novo?
Quando a empresa anunciou o Chrome OS em julho de 2009, vivíamos outra era, na qual os netbooks fazim sucesso e o mercado de tablets nem existia. A companhia de Redmond acreditava que a plataforma estaria já estaria pronta a final de 2010, mas, como estamos vendo, não cumpriu o cronograma. Não estou dizendo que a plataforma na nuvem da Google é um erro, ou que alguém da companhia não está entusiasmado com o projeto – o CEO Eric Schmidt estava muito agitado durante o evento de lançamento – só que desde que o projeto foi criado, muita coisa mudou.

Por exemplo, em 2009, quando o Chrome OS foi apresentado, foi dito que ele rodaria em netbooks. Na última terça-feira, entretanto, acredito que esta palavra não tenha sido usada uma vez sequer. Todos chamaram o Cr-48, ou qualquer outra máquina que poderia vir a aparecer, de notebook.

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