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A curto prazo, HTML 5 não vai acabar com os plug-ins.

Esta é a conclusão de um relatório da Forrester Research, que vê a polêmica conduzida mais por políticas de vendas do que pela realidade.

Paul Krill, da InfoWorld/EUA

22/04/2010 às 19h08

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A HTML 5, especificação para uso de multimídia em aplicações web, não vai tomar tão cedo o lugar das tecnologias proprietárias para criação de aplicações com conteúdo rico na internet (Rich Internet Application, ou RIA), como Adobe Flash/Flex ou Microsoft Silverlight, afirmou esta semana um analista de mercado, em relatório.

Com base nos dados compilados de três pesquisas de TI realizadas em 2009, a Forrester Research não enxerga a obsolescência das plataformas proprietárias de plug-in.

“Por no mínimo cinco anos, a resposta será um sonoro ‘não’; as implementações inconsistentes da especificação preliminar do HTML 5 e a existência de ferramentas ainda imaturas tornam a criação de aplicações HTML 5 capazes de funcionar de forma consistente entre navegadores e sistemas operacionais um desafio real”, afirma o relatório chamado “Does HTML 5 Herald the End of RIA Plug-ins? Not really” (O HTML 5 anuncia o fim dos plug-ins? Com certeza, não), publicado em 21 de abril.

Festa e golpe
O HTML 5 oferece recursos multimídia como padrão e tem sido festejado principalmente pela Apple, que tem promovido seu uso em aparelhos como o iPad ao mesmo tempo que desestimula o uso de Flash – o que tem sido um golpe amargo contra a Adobe. O HTML 5 também tem o apoio de empresas como Google e até da Microsoft, dona do Silverlight.

A Forrester vê a disputa “HTML 5 contra rivais proprietários“mais como uma questão de política de vendas do que baseada na realidade do desenvolvedor.

“No fim, as plataformas HTML 5 e RIA serão tecnologias complementares e as empresas de desenvolvimento terão que investir nas duas abordagens para fornecer aplicações expressivas que combinam alcance e riqueza de conteúdo”, afirmou a Forrester.

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O que atrapalha o HTML 5 são questões como a ausência de um codec de vídeo padrão e uma suscetibilidade a implementações inconsistentes baseadas no padrão preliminar (draft standard), sustenta a Forrester.

Desafio contornado
“Todas as pessoas com as quais converso dizem  que a questão do codec será um desafio a ser contornado”, conta Jeffrey Hammond, analista principal da Forrester e principal autor do relatório, em uma entrevista na quinta-feira (22/4). Não há um bom codec de código aberto para HTML 5 que seja consensual, diz ele.

O desprezo oficial da Apple pelo Flash, explica Hammond, “certamente serve a seus próprios interesses mas está basicamente forçando os desenvolvedores a fazer uma escolha para a qual não estão prontos”. O analista afirma que o HTML 5 ainda não está suficientemente maduro.

O HTML 5 é um esforço conjunto do World Wide Web Consortium (W3C) e do Grupo de Trabalho em Tecnologia de Aplicação Hipertexto para a Web (WHATWG, na sigla em inglês). Será preciso anos para que se torne um padrão estável e ratificado, prevê o relatório da Forrester.

Os fornecedores de browsers oferecem apenas suporte parcial, e ainda será preciso analisar se o modelo de programação do HTML 5 será mais produtivo, avalia a empresa. Os desenvolvedores que desejam trabalhar com HTML 5 também precisam conhecer CSS (Cascading Style Sheets) para criar estilos às aplicações, JavaScript para controlar seu comportamento, e SVG para gráficos vetoriais, enumera o relatório.

Aprovação em 2022
A Forrester prevê que o HTML 5 atinja o estágio de Recomendação Candidata (Candidate Recommendation) em 2012. Uma recomendação totalmente aprovada só deverá sair em 2022. Enquanto isso, plug-ins e AJAX permitirão que os desenvolvedores trabalhem, aponta o relatório.

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Entre outros destaques do relatório, a Forrester encontrou uma forte correlação entre o uso de plataformas de servidor e a estratégia deRIA. Desenvolvedores de plataformas .Net usam ASP .Net AJAX e Silverlight, ao passo que o Adobe Flex é mais usado por desenvolvedores Java.

A Forrester também descobriu que o AJAX de código aberto, como o Icefaces da Icesoft, vem ampliando seu espaço diante das tecnologias AJAX comerciais.

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