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A Microsoft finge que Bill Gates nunca deixou a empresa

Embora o distanciamento do ex-CEO seja óbvio, a empresa não faz questão de alardear o fato. Existem boas razões para isso?

Steven J. Vaughan-Nichols, da ITworld

22/06/2010 às 19h20

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Quer você o ame ou o odeie, Bill Gates foi, e ainda é, a cara da Microsoft. Mas o que a Microsoft não quer que você saiba é que Gates já não tem praticamente nada a ver com a empresa.

É isso que emerge ruidosamente do recente perfil, publicado pela revista Fortune, do homem mais rico do mundo. Em vez de planejar como fazer a Apple comer poeira ou colocar a Google em seu devido lugar, Gates dedica seus dias à Fundação Bill e Melinda Gates, passando pelos laboratórios da Intellectual Ventures para trocar ideias de tempos em tempos com Nathan Myhrvold, e deixando seus três filhos na escola.

Bill Gates? O grande tubarão branco da computação, envolvido na rotina diária de um típico pai de família? Sim, é isso mesmo, embora eu duvide que ele dirija uma minivan.

Pode ser ótimo para Gates, mas tal situação não cai bem à Microsoft. É como disse a jornalista especializada em Microsoft Mary Jo Foley quando conversávamos sobre o artigo. Ela gostou do texto “porque ele admite o que a Microsoft não quer dizer: Gates não está mais envolvido com a companhia. Eles temem que isso seja de conhecimento público, mesmo sabendo que, para nós, trata-se de algo óbvio”.

Então por que isso assusta? Porque, nos últimos anos, a Microsoft tem estado em declínio. Embora o último trimestre da Microsoft tenha sido melhor do que há um ano – em grande parte, graças à "forcinha" proporcionada pelo Windows 7 -, nem o crescimento da Microsoft nem seus lucros são o que eram quando Gates estava no comando.

Centrado no PC
Como lembrou o presidente da RealNetworks e ex-funcionário da Microsoft Rob Glaser, o negócio da Microsoft ainda permanece tão centrado no PC como nunca, e nós entramos num mundo em que a computação não gira em torno dos PCs. A Apple percebeu isso. A Google também. A Microsoft não.

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E nem vai perceber, enquanto Steve Ballmer estiver no controle. Ballmer é um excelente vendedor, mas não é Bill Gates. Eu tenho pensado que, se a Microsoft realmente quiser se tornar a grande e agressiva Microsoft de antigamente, ela deveria demitir Ballmer. Além das razões já citadas, eu acrescentaria que todo mundo na Microsoft com quem converso diz que Ballmer não quer – repito, não quer – ouvir nada que ele não queira ouvir. Ele é tão capaz de mudar o curso das coisas como o Titanic a caminho do fatídico iceberg.

Portanto, isso não vai acontecer. Como disse Foley, “fico imaginando quando eles terão a coragem de admitir que Ballmer não pode fazer o que é preciso.” Sua resposta foi: “Nunca. Isso nunca vai acontecer”. Depois de alguma reflexão, eu posso entender seu ponto de vista. Ballmer não tem oposição efetiva - nem dentro da Microsoft, nem no conselho de administração.

E, como já foi observado, “quem poderia substituí-lo, afinal? Não consigo pensar em ninguém dentro da Microsoft e eles certamente não vão querer olhar para fora.” Bem, de fato, há um lugar que a Microsoft poderia olhar, e é na casa de Bill Gates. Mas ele não vai voltar. Bill Gates está fora.

É uma situação boa para Apple, Oracle e as empresas de Linux, mas e para a Microsoft? Bem, a meu ver, o mais provável é que a Microsoft continue com seu longo declínio do topo da indústria de computação.

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