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A próxima geração de consoles de videogame poderá caber no seu bolso

Com processadores móveis cada vez mais poderosos e novas ferramentas de desenvolvimento, as chances de que um “PlayStation 5” seja uma caixa ao lado da TV são cada vez menores.

John Gaudiosi, TechHive

30/05/2014 às 13h31

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Por décadas, os responsáveis pelas grandes decisões no mercado de games vem focando nos consoles. O mercado de jogos no PC vem e vai, mas é nos consoles que está o dinheiro de franquias conhecidas na indústria como “AAA”: Assassin’s Creed, Grand Theft Auto e Need for Speed, por exemplo.

Mas isso está mudando. A ascensão das plataformas móveis e dos jogos “Free to Play” iniciou uma mudança que pode levar à morte da tradicional “caixa” que fica ao lado de sua TV. E isso significa novas oportunidades para os desenvolvedores e jogadores.

Melhores ferramentas para os desenvolvedores

Andy Hess passou sete anos na Apple supervisionando a relação entre os desenvolvedores de jogos e a App Store, e viu desenvolvedores sob pressão para criar experências tradicionais “de console” ao mesmo tempo em que tentavam ficar de olho no mercado da mobilidade. “Eles sabem que precisam estender suas franquias no segmento móvel para que possam manter o engajamento com seus consumidores”, disse Hess, que agora é gerente de jogos independentes e plataformas móveis na Epic Games.

“Até recementente era difícil fazer isso porque as ferramentas que eles usavam para desenvolver conteúdo nos consoles capaz de engajar as pessoas em um nível emocional simplesmente não escalavam para a plataforma móvel. E dispositivos móveis, até recentemente, não tinha realmente o poder necessário para reproduzir experiências com a qualidade de um console”.

O que mudou? Entre outras coisas o lançamento da versão 4 da Unreal Engine, agora disponível sob um modelo de assinatura que qualquer um pode acessar por US$ 19 mensais. Antes de março, os desenvolvedores e publishers que quisessem usar esta mesma tecnologia teriam de pagar à Epic milhões de dólares em licenças. Agora basta uma assinatura e, no caso de jogos comerciais, um royalty de 5% sobre a arrecadação bruta do jogo. O novo modelo dá às equipes pequenas e startups ferramentas poderosas para dar frutos de forma rápida e eficiente às suas idéias.

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A Unreal Engine 4 permite que títulos desenvolvidos para consoles e PCs sejam facilmente
adaptados para dispositivos móveis. Na imagem: "Elemental", da Epic Games.

O desenvolvimento de jogos mudou drasticamente. No ano passado muitos publishers gastavam até US$ 30 milhões ou mais em uma única equipe focada em jogos para consoles, e então contratavam uma equipe separada com um orçamento muito menor, cerca de US$ 1 milhão, para criar uma versão “reduzida” para dispositivos móveis. E não havia sinergia entre as duas.

“Agora a tecnologia de engines para jogos evoluiu para tirar proveito de todas estas plataformas, permitindo que o mesmo conteúdo (modelos, imagens, sons, scripts) seja utlizado no PC, nos consoles e nos dispositivos móveis, e ainda assim com uma qualidade gráfica que seria indistinguível para o usuário leigo”, disse Hess. “O que estamos vendo são experiências móveis mais avançadas e projetadas para um maior engajamento ao longo de mais horas, que se diferenciam da enxurrada de jogos desenvolvidos por equipes menores”. 

Melhor hardware

Jim Merrick, vice-presidente de marketing da Qualcomm, uma das maiores fabricantes de processadores para dispositivos móveis, diz que a velocidade com que os chips para este mercado estão avançando é como uma “Lei de Moore Turbinada”. E sua empresa tem ajudado a alimentar esta tendência: só em 2014 foram anunciados cinco novos processadores da família Snapdragon.

“Há tantos novos aparelhos em desenvolvimento, tantos tablets e dispositivos móveis que estamos vendo uma aceleração contínua no ritmo de inovação”, disse Merrick. “O mercado da mobilidade sempre esteve muito atrás em termos tecnológicos, mas agora os recursos mais sofisticados estão disponíveis em processadores como o Tegra K1 da Nvidia e os Snapdragon da Qualcomm”.

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Detalhe da pastilha de um NVidia Tegra K1. 5 núcleos para processamento
geral (embaixo) e 192 núcleos para processamento gráfico (no centro)

Para os gamers, isso significa que junto a sucessos “2D” casuais como Angry Birds e Candy Crush Saga estarão experiências 3D interativas mais aprofundadas e duradouras, similares aos jogos que atualmente “definem” os consoles e os PCs. A capacidade dos desenvolvedores usarem a mesma tecnologia, como a Unreal Engine 4, entre plataformas iguala o mercado, e torna o que é possível no console possível também em dispositivos móveis.

A empresa de pesquisa de mercado Emarketer prevê uma base instalada global de 1,75 bilhões de smartphones no final de 2014. E o número de tablets entrando no mercado aumenta em um ritmo mensal com o lançamento de novos aparelhos como o Microsoft Surface Pro 3, Samsung Galaxy Note 10.1 e o Nvidia Tegra Note 7. Também há novos dispositivos híbridos como o Nvidia Shield que estão reduzindo a distância entre os consoles e os dispositivos móveis.

Bill Rehbock, gerente-geral para jogos em dispositivos móveis na Nvidia, destaca o jogo Mount & Blade da Taleworlds, que roda no Nvidia Shield e tem capacidades P2P entre dispositivos móveis e o PC. “Você pode ter partidas multiplayer com 64 jogadores, e alguns deles podem estar jogando no Shield com seu gamepad integrado, outros num PC com teclado e mouse”, disse Rehbock. “E ninguém irá saber qual aparelho seu oponente está usando, e isso não importa, porque a experiência é a mesma entre todos os dispositivos”. 

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Mount & Blade, da Taleworlds: a mesma experiência num dispositivo móvel ou num PC

Os desenvolvedores de jogos amam este conceito porque ele aumenta drasticamente a audiência potencial de um jogo para além dos jogadores de PC. E quando você leva em consideração a potencial convergência de dispositivos móveis com a experiência dos consoles, o futuro parece ainda mais brilhante.

O chipset Nvidia Tegra K1, que irá começar a aparecer em aparelhos em meados deste ano, possibilitará jogos em dispositivos móveis com a qualidade dos consoles da “geração passada” (PS3 e Xbox 360). Rehbock acredita que, no ano que vem, a tecnologia móvel irá alcançar o que vemos hoje no Xbox One e PlayStation 4.

Um dispositivo maleável

“Dispositivos móveis serão espertos o suficiente para saber que estou em minha sala de estar e simplesmente transmitir um jogo para minha TV acoplada a um bom sistema surround, ou então detectar que o conteúdo é algo mais simples que pode ser jogado com um dedo numa tela menor. E se eu estiver usando meu PC e quiser dar um tempo naquela planilha do Excel, poderei pular diretamente para um jogo de tiro em primeira pessoa”, disse Hess. “É nessa direção que as coisas estão caminhando. Os provedores de conteúdo terão de pensar em oferecer experiências que são apropriadas não só para o dispositivo onde estão sendo executadas, mas mais importante, para o contexto do usuário com o dispositivo”.

Outro sinal de que as coisas estão mudando: a recente decisão da Microsoft de reduzir o preço de entrada do Xbox One. “Eu diria que isto é o começo do fim dos consoles”, diz Rehbock. “A Nvidia ou a Qualcomm podem trabalhar com uma empresa e criar um único aparelho que funciona como um portátil, ou conectado a uma tela grande, ou ao PC. Do ponto de vista do consumidor isto é libertador porque o conteúdo comprado uma vez irá funcionar em qualquer lugar. Honestamente, é o que as pessoas estão querendo desde o Atari 2600. E estamos finalmente chegando lá. Esta é a parte que é tão interessante do ponto de vista do desenvolvimento e publicação de jogos”.

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O Nvidia Shield está reduzindo a distância entre consoles e dispositivos móveis

O Xbox One e o PS4 ainda estarão entre nós por boa parte da próxima década, apoiados pelos esforços da Microsoft e da Sony, mas as chances de um “PlayStation 5” ser projetado como uma caixa fixa ao lado da TV são pequenas ou nulas. É provável que os dois gigantes dos eletrônicos de consumo, que já tem suas mãos no mercado de dispositivos móveis, evoluam com os tempos. Mas o que eles estão enfrentando são aparelhos mais baratos, poderosos e atualizáveis do que qualquer coisa jamais vista no passado. 

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