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A revolução dos Ultrabooks

Os computadores portáteis estão sofrendo uma mudança radical, e quem abre o caminho é a mais nova geração de Ultrabooks

Loyd Case, PCWorld EUA

28/08/2012 às 15h12

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O PC está passando pela mudança mais radical desde a criação do IBM PC há três décadas, e os Ultrabooks e o Windows 8 estão puxando a fila. Ultrabook cada vez mais finos estão tendo sucesso onde os netbooks falharam, entregando mais desempenho, automomia de bateria e uma experiência de computação “completa”. Antes vistos como simples cópias do MacBook Air, os Ultrabooks agora estão indo além. Experiências como o Toshiba Satellite U845W, com sua tela em proporção de cinema, estão expandindo a definição do que é um PC.

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Toshiba Satellite U845W: Um ultrabook com tela de cinema

Revoluções são caóticas. Elas modificam o status quo e deixam velhas tradições e conceitos para trás. O PC, que antes era a ponta de lança da revolução digital pessoal, pode parecer algo antiquado ao lado de novos tablets e smartphones projetados para um mundo sempre conectado. Na realidade o PC está bastante envolvido na revolução atual, mudando sua propria natureza para responder a novos modelos de uso e uma nova geração de usuários. O recente anúncio do Surface - um PC com Windows 8 disfarçado de tablet - demonstra a flexibilidade do PC e sua relevância na era digital moderna.

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Vídeo: Saiba mais sobre os Ultrabooks

Os atuais Ultrabooks - notebooks leves e finos que a Intel está incentivando os fabricantes de PCs a construir - representam o futuro do PC. Tablets são ótimos para navegar na web e consumir mídia, mas os usuários precisam de teclados e capacidade de expansão para melhor produtividade. Os fabricantes de Ultrabooks estão adotando algumas das melhores características dos tablets, como o suporte a multitoque e longa autonomia de bateria, enquanto mantém a essência do PC como a ferramenta de produtividade digital definitiva.

A nova revolução da computação se aproxima graças a uma legião de usuários e desenvolvedores que estão criando novas formas de interagir com os dados e uns com os outros em uma sociedade conectada. Estas não são mudanças incrementais, mas um primeiro disparo vindo de desenvolvedores e usuários que nunca conheceram um mundo sem a Internet. E o novo PC desempenha um papel crucial atendendo a essas necessidades. A Apple e a Microsoft estão criando ambientes uniformizados, possibilitando uma transição invisível entre o smartphone e um PC ou Mac, todos conectados via serviços na nuvem. O Windows 8 está na frente dessa tendência, com o mesmo núcleo no Windows Phone 8, Windows RT para tablets e Windows 8 em PCs.

A nova revolução

A conectividade sempre presente, a nuvem e a fácil mobilidade definem esta revolução na tecnologia pessoal. Os usuários também tem um papel, adotando o consumo de mídia digital em vez de encarar os aparelhos como apenas hardware. Usuários de smartphones e tablets - em particular iPhones e iPads - abriram o caminho. Assim como nos primeiros dias da computação pessoal, antes do IBM PC, o mercado de smartphones era altamente fragmentado, com visões divergentes sobre o que os usuários queriam. Mas após o iPhone todos os smartphones são muito similares, e ter um plano de dados associado à sua linha agora é algo comum.

Depois de um início tímido, os fabricantes de PCs estão abraçando a mudança. O programa Ultrabook da Intel está incentivando a adoção pelas massas de computadores ultrafinos e ultraportáteis que tem bem menos limitações que os não tão distantes netbooks. A maioria destes projetos, incluindo os da Apple, são baseados em hardware da Intel.

Entretanto, a nova geração de Ultrabooks, incluindo até mesmo os modelos mais sofisticados como o Vizio C14-A2, tem sido lenta na adoção do conceito do “sempre conectado”, com surpreendentemente poucos modelos equipados com banda larga móvel (3G e, nos EUA, 4G). Mesmo a Apple, que liderou em outras áreas, ainda não inclui este recurso em suas famílias MacBook Pro e MacBook Air.

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Vizio C14-A2

À medida em que verdadeiras redes 4G se tornarem mais populares a situação pode mudar, especialmente quando o armazenamento em nuvem se tornar praticamente uma parte do sistema operacional. A Apple já está indo nessa direção com o iCloud, e a Microsoft estará integrando o seu serviço de armazenamento SkyDrive no Windows 8.

O tablet Surface, da Microsoft, mostra como os PCs estão evoluindo em outras direções. O Surface RT, modelo baseado em um processador ARM, é “travado” para acessar apenas a loja de aplicativos da Microsoft, assim como o iPad é ligado à App Store. Mas o Surface Pro será um PC ultrafino - um tipo de Ultrabook - em pele de tablet, com um desktop completamente funcional e a capacidade de rodar a maioria dos aplicativos Windows.

Windows 8: alcançando as nuvens

O Surface e o Windows 8 representam uma mudança na forma como a Microsoft vê o PC: a nuvem, antes um acessório, agora é uma das peças centrais do sistema.

O SkyDrive é integral ao Windows 8, permitindo que aplicativos como o Microsoft Office 2013 armazenem arquivos online nativamente. O SkyDrive permite que a Microsoft extenda seu ecossistema também a tablets e smartphones, com os usuários podendo acessar facilmente seus dados no SkyDrive a partir de telefones celulares, tablets e PCs. 

Além disso, com o Office 2013 e o Windows 8 a Microsoft espera massificar as interfaces multitoque. Isso não significa necessariamente telas sensíveis ao toque: touchpads maiores e melhorados, com recursos como detecção na borda, irão tornar o Windows 8 muito mais fácil de usar do que com a geração anterior de dispositivos de entrada.

O fator Apple

O imenso sucesso da Apple com o iPad, iPhone e MacBook Air incentivou os fabricantes de PCs a explorar novos designs para seu hardware. Embora a Apple ainda não tenha conseguido erodir de forma significativa a participação do Windows no mercado de desktops, nos notebooks ela vem ganhando terreno. O MacBook Air se tornou quase um sinônimo de computadores portáteis ultrafinos. O sucesso do Air com certeza inspirou o Ultrabook, e dezenas de modelos deste estão agora chegando ao mercado.

O novo MacBookPro, com sua tela retina, tem uma resolução de 2880 x 1800 pixels, ou uma densidade de 220 pixels por polegada. Os fabricantes de PCs ainda estão atrás, mas já começam a se mexer: a nova geração de Ultrabooks com telas de 13 polegadas e resolução de 1080p tem uma densidade de pixels de 160 ppi. O limite foi redefinido, e os usuários irão considerar uma tela de alta qualidade como algo essencial.

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Visão ampliada de um processador Intel "Ivy Bridge"

O panorama dos notebooks

O processador Ivy Bridge, da Intel, oferece alto poder de processamento com um consumo de energia muito menor do que as gerações anteriores. Embora os Ultrabooks tenham chegado ao mercado com processadores da geração anterior, Sandy Bridge, é com o Ivy Bridge que eles irão realmente cumprir a promessa de longa autonomia de bateria e novos tamanhos e formatos, a maioria mais fina, leve e eficiente que os anteriores. Durante a feira de tecnologia Computex, que aconteceu em Taiwan em Junho, os fabricantes de PCs mostraram uma enorme quantidade de protótipos - alguns radicais, outros pequenas variações no design. Por exemplo o Taichi, da ASUS, que é um notebook com uma tela destacável que se torna um tablet independente.

As empresas também está experimentando materiais exóticos para reduzir o peso. Tanto o Lenovo Thinkpad X1 Carbon quanto o Gigabyte X11 usam fibra de carbono como o principal material em seu chassis. E como mencionamos no começo desta matéria, o Toshiba U845W tem uma tela com proporção de 21:9 e resolução nativa de 1792 x 768 pixels, capaz de exibir filmes em widescreen em seu formato nativo.

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Lenovo IdeaPad X1 Carbon: chassis em fibra de carbono

Ainda não está claro quais destas idéias irão conquistar os corações dos consumidores. O que está claro é que a era de máquinas quase idênticas e sem apelo, com telas de 15.6 polegadas em desajeitados gabinetes plásticos está chegando ao fim. E isso só pode ser uma coisa boa.

A evolução dos Ultrabooks

Originalmente os Ultrabooks tinham de atender a alguns requisitos básicos - como uma autonomia de bateria superior a cinco horas, retorno rápido da hibernação e um design “fino e com estilo” - para poder ostentar o título.

Mas com o novo processador Ivy Bridge a Intel modificou a definição de um Ultrabook. Todas as máquinas baseadas no novo chip tem que ter estes recursos:

  • Transferência rápida de arquivos via USB 3.0, Thunderbolt ou ambos.
  • Mais agilidade, resultado do uso de discos de estado sólido (SSDs) ou sistemas híbridos baseados na tecnologia Intel Smart Response (que usa pequenos SSDs como cache rápido para HDs tradicionais)
  • Segurança integrada ao hardware, incluindo proteção de identidade e tecnologia antifurto.

Também há recursos opcionais como suporte a multitoque, sensores mais sofisticados, incluidno acelerômetros, e a tecnologia WiDi para streaming de vídeo para TVs de alta-definição.

Mas este não será o capítulo final na evolução da definição de Ultrabook. A próxima geração de processadores, de codinome Haswell, trará melhorias substanciais aos gráficos em 3D, maior eficiência no consumo de energia e melhor desempenho. A Intel vê o Haswell como uma tecnologia de processador disruptiva, possibilitando uma maior variedade de designs e maior autonomia de bateria sem sacrificar o desempenho.

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