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Abandono de selo verde pela Apple é risco calculado, dizem analistas

Apesar de retirada do EPEAT poder significar fim de vendas de Macs para governo dos EUA, especialistas lembram que iPads e iPhones são mais importantes para empresa

Macworld / EUA

11/07/2012 às 11h19

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A decisão da Apple de retirar seus produtos do padrão verde EPEAT (Electronic Product Environmental Assessment) que ela ajudou a implementar levantou preocupações entre analistas de mercado e ambientalistas, que dizem que o design dos novos aparelhos da empresa, incluindo o MacBook Pro com tela Retina, tornam os notebooks difíceis de serem desmontados e reciclados.

A Apple removeu todos os seus Macs do registro EPEAT, incluindo produtos que antes tinham o selo EPEAT Gold, uma classificação dada aos computadores mais amigáveis ao meio-ambiente.

Alguns analistas afirmam que a relutância da Apple em trabalhar com parceiros da indústria para definir padrões ambientalmente amigáveis está sendo mostrado por meio de novos produtos como o MacBook Pro, um notebook com preço bem alto que é considerado difícil de desmontar e reciclar.

No entanto, algumas pessoas argumentaram que o processo do EPEAT é longo e frustrante. Por isso, a Apple teria decidido cortar perdas ao sair do sistema de certificação. O governo dos EUA e algumas outras organizações exigem a certificação EPEAT para os computadores que compram, mas essas vendas são pequenas para a Apple, por isso a decisão de abandonar o padrão não devem afetar as vendas da empresa de maneira significativa.

O padrão EPEAT permite que computadores sejam medidos com base em seu impacto ambiental. O EPEAT leva em conta os elementos tóxicos, seleção de materiais, longevidade do produto, eficiência de energia pela classificação Energy Star, a habilidade de desmontar e reciclar e o desempenho dos fabricantes do produto em impacto ambiental. No passado, a Apple teve a EPEAT em alto quesito, usando o padrão para chamar seus notebooks “os mais verdes do mundo”.

A Apple tem sido uma líder em programas ambientais e estava entre as primeiras empresas a abandonarem o uso de químicos prejudiciais como PVC e BFR, afirmou o analista do Greenpeace, Casey Harrell, que faz parte do processo de padrões do EPEAT.

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MacBook Pro Retina é mais difícil de desmontar e seria um dos "culpados" pelo abandono do EPEAT

O EPEAT pode ser bagunçado e frustrante com muitos diretores envolvidos no processo de decisões. Mas o design do MacBook Pro é menos sobre o EPEAT e mais sobre os esforços da Apple para ter mais controle sobre seus produtos desde o processo de fabricação até o final da vida útil, disse Harrell.

“Essa é um caso em que a Apple escolheu seus atributos de design em vez do meio ambiente”, afirma o analista.

Vale lembrar que a Apple possui seu próprio programa de reciclarem, que pode ser acessado pelo site da companhia.

Organizações ambientais como Greenpeace, Electronics Takeback Coalition e Basel Action Network também já criticaram o processo de decisão do EPEAT como sendo lento e difícil, além de acusar os diretores e acionistas de recusarem muitos de seus pedidos. No entanto, as organizações afirmaram que, apesar de o EPEAT não ser perfeito, ele fornece diretrizes básicas para a produção de computadores ambientalmente responsáveis.

iPad e iPhone dominam

O negócio da Apple agora gira em torno de tablets e smartphones, com produtos como iPad e iPhone gerando uma grande parte da receita da empresa. O EPEAT cobre apenas computadores e não smartphones e tablets. Por isso, a Apple talvez esteja tomando uma medida prática e tenha feito uma decisão financeira de cortar o EPEAT, afirmam analista.  E assim como as organizações ambientais, a Apple talvez também tenha se frustrado com o processo do EPEAT.

A saída da Apple do EPEAT vai afetar os negócios da empresa com o governo dos EUA, que exige que 95% das suas compras de computadores sejam registrados pelo padrão. Também houve um efeito imediato assim que a decisão da companhia se espalhou, com a prefeitura de San Francisco, na Califórnia, dizendo ao Wall Street Journal que as 50 agências não comprariam produtos da Apple que não fossem mais certificados pelo EPEAT.

A Apple possui um mercado maior atualmente com consumidores e organizações educacionais e ganha dinheiro com iPhones e iPads, por isso abandonar o EPEAT poderia cortar custos de componentes e fornecer um caminho para a empresa avançar com os designs de aparelhos “feitos em casa”, afirmou o analista principal da Endpoint Technologies Associates, Roger Kay. A Apple provavelmente percebeu que ia perder as vendas para o governo americano, mas essa talvez seja uma aposta que a companhia esteja disposta a fazer.

“É uma decisão comercial que a Apple tomou e eles provavelmente fizeram as contas.”

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