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Ações da Nokia na Ovi sugerem o futuro das redes sociais móveis

Aposta da fabricante na rede social centrada em conteúdo multimídia aponta como mobilidade e redes sociais atuarão em conjunto

Computerworld/EUA

10/04/2008 às 18h18

Foto:

A maioria das pesquisas aponta que a Nokia vende 40% de
todos os telefones celulares do mundo. Por isso, parece um tanto extraordinário
que esteja injetando dinheiro em um portal de rede social.

Mas é exatamente
o que este fabricante finlandês de equipamento móvel está fazendo com o Ovi,
lançado no começo do ano.

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O Ovi sinaliza como a mobilidade mudará as redes sociais
para melhor, de acordo com Randy Kerr. Ele tem uma visão privilegiada: é
co-fundador do site de compartilhamento de mídia com recursos de rede social
Twango, que a Nokia adquiriu em agosto do ano passado. Rebatizado de Share, o
serviço é a primeira peça funcional do Ovi. Kerr e os outros quatro fundadores
do Twango agora são funcionários da Nokia.

Para Kerr, a combinação de mobilidade e serviços de cunho
social mudará significativamente a natureza de social networking. Em uma
entrevista, Kerr debateu estas mudanças e o que ele e a Nokia consideram ser o
bravo novo mundo das redes sociais.
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As compras da Nokia
A Nokia fez uma verdadeira farra de aquisições no ano
passado. O histórico da empresa aponta para as mudanças que podemos esperar em
redes sociais móveis, observa Kerr.

Junto com o Twango, a Nokia adquiriu o
Loudeye, um serviço de download de músicas, a Gate5, desenvolvedora de software
de navegação, e a Enpocket, que possui uma plataforma de publicidade móvel.

A aquisição maior, por 8,1 bilhões de dólares, foi da Navteq,
importante fornecedora de tecnologia de mapeamento digital e GPS. A Avvenu, outra
aquisição, oferece software para acesso móvel a arquivos baseados em PC,
incluindo iTunes.

A compra mais recente, em janeiro, foi a Trolltech,
desenvolvedora da plataforma de software Qt baseada no Linux, utilizada para
aplicações móveis e desktop como Google Earth e Skype.

Também está na lista o N-Gage, um projeto mais antigo da
Nokia que estreou como um hardware híbrido de game/telefone celular, mas se
metamorfoseou em uma plataforma de software para games em smart phones.

Juntando as peças em uma nova rede
O Ovi será a interface centralizada, ou portal, para estes
serviços aparentemente distintos. Outros serviços também farão parte do mix,
segundo Kerr. A maioria dos serviços incluirá social networking, mas esta visão
não tem a ver com colocar redes sociais estilo Facebook em telefones celulares.

“Não é a rede social por si só. Acumular
milhares de amigos soa falso”, observa Kerr.

Em vez disso, o futuro da rede social, vislumbra Kerr,
envolve o conteúdo — e o contexto — das interações sociais. O resultado tornará
a rede social mais útil e atrativa tanto para consumidores quanto para usuários
corporativos.

“Ao socializar, tirar as aplicações do PC e colocar em
contexto, você devolve o foco ao contato pessoa-a-pessoa”, explica Kerr.

Em especial, a rede social móvel vai se expandir para
abranger presença, localização e contexto. Uma versão simples de presença há
tempos faz parte de programas de mensagem instantânea, que podem informar se
seus contatos estão disponíveis.

O contexto capitaliza isso —  talvez você esteja disponível, mas somente
para pessoas específicas ou depois que chega em um lugar específico.

“Se você está em uma reunião, talvez queira que o próprio
telefone entre no modo silencioso e direcione todas as ligações para correio de
voz”, diz Kerr. “Poderia ser uma configuração do calendário".

O usuário também
poderia receber ligações de determinadas pessoas em determinadas circunstâncias
e, quando o local e as circunstâncias mudassem, receberia ligações de outro grupo
de pessoas.

Além disso, Kerr prevê “mashups internos” de serviços

capazes, entre outras coisas, de fornecer direções baseadas em GPS para um
local mostrado em uma foto no Share ou seguir tags em um vídeo de um show para
downloads de músicas de uma banda em um serviço como o Loudeye.
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Crescimento orgânico
Mas isso é só o começo desta nova visão de rede social.
Interações sociais novas e aprimoradas poderão evoluir naturalmente deste novo
tipo de conteúdo sensível ao contexto, acredita Kerr.

No mínimo, a mobilidade acrescentará agilidade à rede social
porque as interações sociais vão ocorrer com maior freqüência em tempo real. Ao
invés de esperar para retornar aos seus PCs desktop, os usuários poderão enviar
updates para suas redes sociais a partir dos seus dispositivos móveis.

Um exemplo mais complexo deste tipo de rede social móvel em
tempo real é utilizar capacidade de busca local para encontrar um restaurante
em outra cidade e depois usar o GPS para localizar uma pessoa que postou uma
análise do restaurante. Kerr chama isso de geo-social networking.

Outro exemplo
é usar o GPS para localizar amigos ou contatos profissionais nas redondezas a
fim de se encontrarem no restaurante em questão.

Uma vez que este novo tipo de rede social intrinsecamente
móvel evoluirá naturalmente do ato de estar em movimento, ele será natural para
muitos usuários, sustenta Kerr.

Melhor ainda, a Nokia e outros fabricantes de
telefone vão criar dispositivos móveis que funcionam não só em redes de
telefonia celular, mas também em
redes Wi-Fi e WiMax. A disponibilidade dos usuários será
aumentará significativamente — assim como a capacidade de se conectar com
outros na rede.

Envolvendo usuários corporativos
Embora o Ovi esteja sendo desenvolvido como um serviço para
consumidores, por enquanto, Kerr reconhece que a utilização corporativa será
inevitável. Originalmente, o serviço Twango não tinha foco corporativo, mas
isso não demorou a mudar.
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“Descobrimos que as pessoas estavam usando o serviço para
ampliar o contexto do negócio, além de suas vidas pessoais”, revela Kerr.

“Através do telefone celular, as empresas compartilhavam fotos do andamento de
um negócio com clientes que estavam de férias, por exemplo. O serviço também
era usado para transferências de grandes arquivos que o e-mail não seria capaz
de realizar de maneira confiável.”

Para Kerr, o serviço evoluiu tão naturalmente quanto uma
ferramenta corporativa, à medida que as distinções entre as vidas pessoal e
profissional dos usuários se toldaram.

O Ovi tem metas de natureza pessoal e escopo global.

“Pretendemos alcançar um grande número de pessoas ao redor
do mundo que utilizam dispositivos móveis para se manter em contato com a
família e se relacionar com pessoas novas para compartilhar interesses e
informações — diretamente, todos os dias.”

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