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Adeus, netbooks! Não precisam voltar!

Depois de maravilhar o mundo com uma opção portátil e de baixo custo, os netbooks abandonam a cena e não deixam saudades.

PC World/EUA

18/01/2011 às 19h53

Foto:

Como se não bastasse a queda no volume de netbooks vendidos,
as declarações do diretor comercial da Acer, Lu Bing-hsian, ajudam a jogar o que pode ser uma
pá de cal sobre um mercado que já minguava antes da explosão dos tablets. “Vamos
substituir nossa linha de netbooks por tablets, obedecemos às vozes do mercado”,
disse.

De fato, contra as vozes do mercado, não há argumento.
Durante edição da última CES – Consumers Eletronics Show, uma boa dúzia de
tablets foi apresentada e dava sinais do que aguarda os netbooks: ostracismo
digital. Pessoalmente, agradeço pela mensagem.

Venho esperando por tal anúncio desde 2007 quando pela
primeira vez segurei um netbook nas mãos. Era uma Asus Eee 701 e eu era uma das
primeiras pessoas no mundo a ter um, pois havia encomendado o dispositivo com
meses de antecedência.

Decepção
Toda emoção que me impedia de abrir a embalagem de uma maneira
civilizada foi destruída minutos depois do sistema dar o boot. Em termos de
experiência do usuário a nota merecida era -3. Eu tinha cãibras nos dedos por operar
aquele teclado minúsculo e desconforto por ter de movimentar o cursor com um
trackpad que mais se assemelha a um selo, dado sua minúscula área. Isso, sem
comentar área útil do monitor, pequena demais para qualquer propósito.

A falha era geral. Ninguém poderia usar o 7 polegadas. Exceção
somente para crianças ou pessoas com mãos pequenas e muita
paciência. Claro que houve quem soubesse operar o dispositivo sem jamais se
queixar. Mas a maioria das pessoas – assim como eu – compraram o netbook,
experimentaram e o promoveram para o sótão onde pudesse viver o resto de seus
dias entre montes de poeira.

Obviamente naquela época ninguém admitia a frustração e
ficamos todos boquiabertos esperando que os avanços tecnológicos pudessem resgatar
esse malsucedido projeto das trevas, mas esse dia jamais chegou.

Leia também: CES 2011: Veja quais foram as tendências dos tablets

Design e usabilidade
A conclusão que retiro disso é: se os fabricantes de
netbooks não tivessem simplesmente encolhido um notebook, talvez – talvez – a experiência
tivesse dado certo. Bastariam decisões inteligentes com consideração às dimensões
ridículas do aparelho.

Também foi um problema perceber que os fabricantes encaravam
os netbooks como PCs de baixo custo. Na perspectiva dessas empresas, o netbook
seria só mais um produto para alcançar as classes que não podiam comprar um
laptop – nada mais.

Nós, consumidores, queríamos um computador ultra portátil,
sem ter de abrir mão da usabilidade. Dizer que o custo seria um fator a
considerar é chover no molhado, pois preço sempre é um ponto chave. Mas isso
não quer dizer que os preços dos netbooks deveriam ser arrochados ao último. Quem
sabe 20 ou 40 dólares a mais para pagar por investimento em design pudessem ter
salvo a família net e deixado os acionistas felizes, mas, novamente, não foi o
caso.

Sistema operacional
Uma característica marcante em todos os netbooks é a baixa
qualidade dos sistemas operacionais que carregam. Linux e Windows são excelentes
para munir PCs grandes, mas netbooks não têm prerrogativas que justifiquem sua
instalação nos microportáteis. O que faltava, falta ou faltou (não importa
mais) é um sistema operacional próprio para esses dispositivos. O mesmo cuidado
deveria ser tomado ao avaliar como será navegar na internet com esse PCzinho. Um
browser padrão não fazia qualquer sentido. Imagine uma tela já bastante pequena
exibindo um navegador cheio de barras de ferramentas e rodapés que ocupavam
facilmente um quarto de toda a área visível. Eu não sou desenvolvedor de
interfaces, mas não é preciso ser um para perceber isso. Não teria sido uma
ideia razoável mover essas barras para um canto do lado esquerdo da tela,
considerando o fato de a maioria das telas de netbook serem widescreen?

Em comparação à navegação em tablets só existe um veredito:
netbook e internet são um pesadelo. Em contrapartida, navegar com um tablet
beira a sonhar acordado. Inegavelmente os sistemas operacionais fizeram toda a
diferença nesse veredito.

Adeus
Ainda assim, os netbooks foram capazes de introduzir uma
cultura na população: ter mais de um PC. Basta lembrar que, em 2007, apenas
fanáticos possuíam mais de uma máquina. A maioria dos mortais continuava com um
computador apenas, fosse esse um laptop ou um desktop.

Com base nos netbooks, ficou evidente que poderíamos alastrar
nossa presença digital por vários sistemas. Quem sabe, a revolução dos
smartphones e dos tablets não seja um farol alto informando a esses PCzinhos que já
é hora de partir.

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