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Aeromodelo intercepta ligações telefônicas e rouba senhas de Wi-Fi

Aparelho mostra como sistemas podem ser facilmente penetrados. "Você não precisa de um doutorado para fazer um desses", afirma pesquisador.

Computerworld/EUA

04/08/2011 às 19h22

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Dois pesquisadores de segurança exibiram na quarta-feira (3/8) um aeromodelo controlado por controle remoto (spy drone), capaz de roubar senhas de redes Wi-Fi e reduzir seu sinal, além de poder interceptar ligações feitas por celulares quando estiver próximo de torres de transmissão GSM.

Chamado de Plataforma Aérea Vigilante de Wi-Fi (WASP, na sigla em inglês), o aparelho foi desenvolvido pelos pesquisadores Mike Tassey e Richard Perkins, que queriam demonstrar como um simples aeromodelo pode se transformar em um poderoso equipamento espião.

Na verdade, o dispositivo já havia sido mostrado na Black Hat – evento de segurança digital – do ano passado, realizada em Las Vegas. A nova versão, porém, é mais eficiente: pode voar a altitudes mais altas – até 6.700 metros, tornando difícil sua detecção por radares – e tem autonomia para funcionar por 45 minutos ininterruptos. A principal novidade, no entanto, é a capacidade de interceptar ligações feitas via rede GSM ou comunicações iniciadas por Bluetooth.

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O aeromodelo foi cedido pelas forças armadas dos Estados Unidos e era usado para exercícios de tiro. O hardware e o software incorporado a ele, segundo os pesquisadores, são tecnologias facilmente obtidas. O SO é baseado em Linux e roda a suíte Backtrack 4 para invadir as redes. Há, também, outro programa para coletar dados de telemetria, enviando-os à base instalada em terra firme.

O recurso de interceptar conversas telefônicas foi obtido graças à instalação de um software universal de rádio periférico (USRP, na sigla em inglês), que permite copiar o sinal transmitido pela torre GSM. A habilidade foi inspirada na função exibida ano passado pelo hacker Chris Paget, em conferência na Defcon, que provou como celulares podem ser enganados e monitorados quando um dispositivo especial é colocado próximo à antena transmissora do sinal.

O aparelho suporta redes 4G e pode receber instruções pela Internet de qualquer lugar do mundo. Segundo a dupla, sua construção, embora simples, custou 6 mil dólares.

“Ele vence facilmente barreiras físicas. Muros e cercas de segurança não são obstáculos para o WASP”, afirmou Perkins à Computerworld americana.

De acordo com Tassey, o objetivo era demonstrar como é fácil para um usuário com habilidades básicas de engenharia construir um sistema espião, e usá-lo, possivelmente, para fins ilícitos.

“Você não precisa de um doutorado no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) para fazer um desses”, afirmou Perking. “Tudo o que usamos é facilmente adquirido”.

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