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Afinal, os tablets estão ou não matando os netbooks?

Institutos de pesquisa ainda não chegaram a um consenso; enquanto isso, grandes fabricantes investem nos dois.

PC World/EUA

02/12/2010 às 18h00

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Há meses temos ouvido que os tablets – liderados pelo iPad, da Apple – estão reduzindo as vendas dos netbooks a migalhas. Mas será isso mesmo? Em geral, a resposta a essa pergunta depende de quem a responde.

Por ora, a impressão é a de que as telas sensíveis ao toque estão atraindo os consumidores. Mas, a longo prazo, a situação pode se estabilizar: os netbooks devem conseguir um fragmento do mercado de dispositivos móveis, principalmente se as empresas continuarem focadas em aumentar o desempenho dos mesmos, com processadores mais rápidos e melhores capacidades de armazenamento.

Estudos divergentes
Os institutos de pesquisa não conseguem chegar a um consenso sobre como a chegada do iPad influiu na queda de vendas dos netbooks. Em outubro, por exemplo, a ChangeWave entrevistou 3100 consumidores e descobriu que apenas 14% deles pretendiam, em até 90 dias, adquirir um netbook – no começo de 2010 este índice estava em 18% e, em junho de 2009, 24%.

Mas, para a ABI Research, os netbooks não perderão mercado devido aos tablets, seja ele o iPad, o Galaxy Tab, da Samsung, ou o PlayBook, da Research In Motion. “Isso é uma especulação que se perpetuou graças aos fanáticos por produtos da Apple”, disse o analista da empresa, Jeff Orr, via e-mail para a PC World americana.

Segundo ele, as vendas de netbooks continuam crescendo e ainda não chegaram ao seu limite. Em 2009, foram 36 milhões de unidades, detalha, e, em 2010, a previsão é de 43 milhões. “É o primeiro produto do mercado de dispositivos móveis a atingir níveis de consumo de massa”, afirma – ou seja, entre 40 milhões e 50 milhões de unidades comercializadas em um ano.

Ainda assim, Orr não deixa de ressaltar que o ritmo das vendas tem diminuído e não chega nem perto do meteórico crescimento de dois anos para cá.

A culpa é do iPad?
O número de netbooks comercializados no terceiro trimestre de 2010, nos Estados Unidos, foi 34% menor em relação ao mesmo período de 2009, atesta a Gartnet. O motivo? O iPad, lógico.

“Sim, muitos preteriram o netbook em favor do iPad nos Estados Unidos, mas não temos como determinar um valor exato”, disse a diretora do instituto, Angela McIntyre. Ela estima que de 10% a 20% dos compradores potenciais de netbooks preferiram o produto da Apple.

Outros fatores, porém, devem ser considerados, afinal, muitos produtos sofreram quedas. “A recessão da economia, poucos lançamentos (atraentes) de computadores e uma postura de “esperar para ver” o que acontecerá no ano que vem com o mercado de tablets, também devem ter influenciado.

Duas vezes mais caro
Por mais que netbooks e tablets sejam aparelhos secundários, que complementam um notebook, por exemplo, a diferença de preço entre eles faz com que seja difícil acreditar que eles competem pelo mesmo nicho.

Um netbook custa nos Estados Unidos em torno de 300 dólares (1000 reais, no Brasil), enquanto que um tablet vale cerca de 600 dólares (2 mil reais aqui). “Há uma discrepância muito grande nos valores”, afirmou Bob O´Donnel, do instituto IDC. “Por isso, é difícil acreditar que os tablets estejam ‘matando’ os netbooks”.

Mesmo porque cada um conta com as suas particularidades. “Para escrever documentos longos e mensagens no Twitter, os netbooks, com o teclado físico, são bem melhores que os tablets, com o virtual”, esclarece Cindy Ng, da equipe de Marketing da Intel.

Nova geração
A maioria dos netbooks usa, como processador, o Intel Atom. A fabricante, aliás, promete que no começo de 2011 tais aparelhos renascerão.

Eles terão recursos como sincronização sem fio, de modo que os usuários poderão compartilhar seus arquivos facilmente com computadores e smartphones. Os chips usados serão de dois núcleos, o que segundo a Intel, os deixarão com uma performance similar ao do MacBook Air. E contarão com uma ferramenta para transmitir, por streaming, as músicas armazenadas para aparelhos de som.

Já a AMD deve lançar o Brazos, que promete juntar a placa gráfica ao seu chip, inclusive com suporte a DirectX 11. Se o resultado for tão bom quanto se prevê, o desempenho será superior ao do Atom, e não prejudicará a resistência da bateria – algo essencial para esse tipo de aparelho.

Assim, em 2011, com os novos chips, veremos netbooks de alto rendimento e notebooks mais baratos.

Acer
Poucos fabricantes investiram tanto no mercado de netbooks quanto a Acer, com o seu Aspire One, criado em 2008. Não é surpresa, portanto, que a empresa ainda confia no crescimento de tal nicho.

“O mercado de tablets já está maduro e não deverá mais sofrer tamanhas mudanças como as dos últimos anos”, conjecturou o porta-voz da companhia, em e-mail à PC World. “Entretanto, ainda é um produto importante em nosso planejamento, voltado a consumidores que querem unir produtividade, mobilidade e entretenimento em um único dispositivo”.

A Acer, que anunciou em novembro que também lançaria o seu tablet, enxerga grande distinção entre os dois aparelhos: “Os tablets representam um segmento em que os clientes se interessam mais por jogos e compra de aplicativos; estão naquela margem entre 400 e 600 dólares”.

Nos próximos anos, tablets e netbooks devem tomar diferentes caminhos: os primeiros priorizando o entretenimento, comunicação e conveniência, e os segundos buscando uma interface mais amigável. Cada um tentará encontrar o seu próprio segmento e não deverá invadir o do outro.

Depois de se tornarem mais poderosos, com novos recursos e melhor capacidade gráfica, os netbooks tentarão substituir completamente o notebook daqueles usuários que não precisam de muito para suas atividades diárias. Talvez eles possam se tornar o aparelho principal de alguns clientes, deixando aos tablets o papel de dispositivos complementares.

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