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Alexa ganha um app independente para o Windows 10

Com isso, o assistente da Amazon passa a estar disponível para todos os PCs

Matthew Finnegan, Computerworld/EUA

14/11/2018 às 9h02

Foto: Divulgação - Acer

A Alexa, assistente inteligente da Amazon, estreou em laptops Windows 10 no início deste ano, apenas para um número restrito de fabricantes recém-lançados da HP, Asus, Acer e Lenovo. Agora está disponível para download em todos os dispositivos Windows 10, como um aplicativo independente. Não há recursos específicos para a plataforma neste momento, mas a Amazon planeja adicioná-los no início de 2019.

Indo além do gerenciamento de entretenimento e aplicativos domésticos inteligentes, a presença do Alexa no Windows 10 é voltada para a produtividade do trabalho e serve para destacar o aumento do uso de assistentes pessoais com Inteligência Artificial no mercado corporativo. A Alexa já conta hoje com mais de 25 mil habilidades disponíveis, incluindo uma lista crescente direcionada especificamente para usuários de negócios.

A Amazon também está negociando acordos com parceiros corporativos. Várias empresas, incluindo Salesforce, SAP, Concur, Ring Central e ServiceNow, planejam integrar seus aplicativos ao Alexa for Business - o serviço lançado no ano passado para ajudar as empresas a gerenciarem grandes quantidades de dispositivos Alexa no local de trabalho.

A empresa também anunciou recentemente que o Alexa for Business foi aberto a fabricantes de dispositivos em uma tentativa de expandir o uso do assistente em hardware corporativo.

As empresas estão prontas para a Alexa?
A perspectiva de assistentes virtuais no escritório geralmente é bem-vinda pelos líderes de TI.

“Vemos os assistentes virtuais como inevitáveis no local de trabalho. Experiência em casa vêm incentivando a expectativa de interação por voz no ambiente corporativo, especialmente em relação a buscas e controle de outros dispositivos, em especial os de IoT”, disse Joel Jacobs, vice-presidente, CIO e CSO da MITRE Corporation.

"Os assistentes inteligentes já provaram que podem ser úteis hoje e vejo potencial de maior uso amanhã", afirma Jim Rinaldi, CIO e diretor de TI do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.

Na opinião de Rinaldi as interfaces de voz podem economizar tempo em comparação com as entradas por teclado e permitir multitarefas de maneira mais conveniente. “Imagino que assistentes inteligentes serão capazes de acessar os vários painéis que tenho para responder perguntas [em vez de] ter que acessar o painel toda vez que eu precisar de informações geradas por um computador”.

Tom Cullen, CIO da Driscoll's, imagina um dispositivo do tipo Alexa lidando com solicitações de autoatendimento do usuário - em vez de registrar um ticket tradicional para questões como alterações de senha - ou sendo usado para habilitar um fluxo de trabalho normalmente dependente de outro membro da equipe.

Os assistentes virtuais podem também ser “alavancados para solicitações do tipo suporte de aplicativos, para que uma resposta rápida e uma orientação sobre onde ir para obter mais informações possam ser úteis”, comenta ele.

Tom Anfuso, vice-presidente sênior e CIO do National Life Group, contou que a empresa investiu em um protótipo no ano passado uma simples prova de conceito do uso do Alexa por seus agentes de seguros.

"Nós provavelmente continuaremos trabalhando com a Alexa este ano, no contexto de nosso programa de pesquisa e desenvolvimento de inovação". Embora não exista um plano consolidado no momento para ir além do conceito, Anfuso disse que a empresa é "geralmente otimista sobre o crescente ecossistema em torno do Alexa".

O IPG Mediabrands, braço de mídia da Interpublic Group of Companies, vem explorando a integração com o Alexa for Business em sua organização, segundo Frank Ribitch, vice-presidente sênior de tecnologia para as Américas.

"Sabemos os benefícios que os assistentes virtuais, como o Alexa, podem trazer para um indivíduo. Agora estamos procurando explorar esses recursos para ajudar a ativar a tecnologia nas salas de conferência dos nossos escritórios. No meu mundo perfeito, poderíamos entrar em uma sala de conferências, pedir a Alexa para iniciar a videoconferência e começar a trabalhar”.

Apesar dos inúmeros avanços na tecnologia de videoconferência, uma chamada geralmente exige que uma pessoa de TI esteja disponível para garantir que tudo esteja configurado e funcionando corretamente. "Eu adoraria poder remover minha equipe dessas reuniões e focar em outras questões mais urgentes", frisa ele.

Preocupações com segurança
Ainda há desafios a superar, no entanto, sendo o principal deles a proteção de dados sensíveis. Para Cullen, a principal desvantagem para o uso de assistentes virtuais no mercado corporativo é a segurança. "A razão de eu não ter um em minha casa é que ele está sempre ouvindo e você não sabe para onde estão indo todos os dados e o que está sendo feito com eles".

“Nos últimos meses, nosso CISO e nossas equipes Jurídica e de Privacidade elaboraram uma política interna para lidar com dispositivos de IoT. Estamos adotando uma abordagem multiclasse com dispositivos IoT para ajudar a definir melhor suas capacidades e, mais importante, como protegê-los em nossa rede e, ao mesmo tempo, abordar preocupações relacionadas à privacidade. Esperamos ter as políticas finais concluídas no fim deste trimestre”, concorda Ribitch.

Jacobs também questionou onde os dados criados nas interações com o assistente virtual residiriam. “Por exemplo, se a interpretação de voz for na nuvem, isso significa que a faixa de voz e a transcrição estão sendo armazenadas pelo provedor de serviços? Se sim, como podem ser usados?”.

"Não vejo grandes desvantagens, mas sempre haverá preocupações em relação à privacidade e segurança que precisam ser projetadas antecipadamente e nunca de forma reativa", disse Rinaldi.

Os desafios inerentes à introdução de assistentes inteligentes ativados por voz refletem, em alguns aspectos, o fluxo de smartphones em ambientes de trabalho na última década. Essa revolução forçou os administradores de TI a lidar com novas dores de cabeça de segurança de dados provocadas por dispositivos de consumo aparecendo em redes corporativas - e eventualmente levou à chegada das políticas de BYOD, juntamente com um ecossistema inteiramente novo dedicado ao gerenciamento de dispositivos e redes.

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