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AMD detalha plataforma AM1 para PCs de baixíssimo custo

Placa-mãe e processador poderão ser adquiridos por cerca de US$ 60. Plataforma é voltada a mercados emergentes como a América Latina e Leste Europeu.

Rafael Rigues*

08/04/2014 às 17h57

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A AMD está detalhando nesta quarta-feira sua plataforma AM1, projetada para permitir a criação de PCs de baixo custo voltados a mercados emergentes como a América Latina e o Leste Europeu. Quão baixo? Que tal cerca de US$ 60 por uma placa-mãe e uma APU (Accelerated Processing Unit, Unidade de Processamento Acelerado) que inclui um processador e uma GPU?

Parte da estratégia já havia sido divulgada no início de março, quando a empresa anunciou que estaria ressuscitando as linhas Sempron e Athlon com APUs para o mercado de baixo custo. Mas agora temos um cenário mais completo, incluindo detalhes técnicos de cada chip e uma lista de fabricantes de placas-mãe que irão apoiar a plataforma.

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A família AMD AM1.
Crédito: Rafael Rigues.

Inicialmente a AMD irá colocar no mercado quatro chips. O Sempron 2650 é o caçula da família, com dois núcleos baseados na arquitetura “Jaguar” (a mesma usada no PS4 e Xbox One) rodando a 1,45 GHz, suporte a memória DDR3-1333 e uma GPU Radeon R3 integrada com 128 núcleos baseados na arquitetura “Graphics Core Next” (GCN) rodando a 400 MHz. Já o Sempron 3850 tem quatro núcleos “Jaguar” a 1,3 GHz, suporte a memória DDR3-1600 e a mesma GPU Radeon R3 do Sempron 2650, mas rodando a 450 MHz.

Por sua vez os modelos Athlon são o “topo de linha” da nova plataforma. O Athlon 5150 tem quatro núcleos “Jaguar” a 1,6 GHz e eleva o clock da GPU para 600 MHz. Por sua vez o Athlon 5350 eleva a frequência dos núcleos para 2,05 GHz, mantendo a mesma frequência da GPU e suporte a memória do 5150.

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Máquina AM1 baseada em uma placa-mãe ASRock AM1B-ITX. Notem o (diminuto) sistema de refrigeração
Crédito: Rafael Rigues.

Todas as APUs tem um TDP de apenas 25 Watts, o que simplifica muito a refrigeração do processador e do gabinete do PC. Em demonstrações no Lone Star Campus da AMD em Austin, no Texas, vi máquinas sendo refrigeradas apenas por um cooler de alumínio sobre o processador e um diminuto ventilador de 5 x 5 cm sobre ele.

Os chips são tecnicamente “Sistemas em um Chip” (SoC, System on a Chip), que englobam CPU, GPU e o “chipset” com suporte a vários periféricos (como interfaces USB e SATA) em um só componente. São variantes da família “Kabini”, originalmente projetada para uso em notebooks e que tinha chips soldados à placa-mãe. Na plataforma AM1 eles são encaixados em um novo soquete, chamado FS1b. Segundo a AMD o soquete permite que os usuários façam o upgrade dos processadores de suas máquinas, protegendo o investimento inicial.

Seis fabricantes de placas-mãe já anunciaram seu suporte à plataforma AM1. Biostar e Gigabyte irão produzir placas-mãe no formato Micro-ATX, enquanto a MSI e ECS irão produzir placas Mini-ITX. Já a ASUS e ASRock produzirão placas em ambos os formatos.

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Algumas das placas-mãe para a plataforma AM1.
Crédito: Rafael Rigues.

O alvo da nova plataforma são os pequenos integradores de sistemas e os consumidores que preferem montar suas máquinas em casa, escolhendo a dedo as peças para aproveitar ao máximo um orçamento reduzido.

A AMD posiciona seus chips como concorrentes dos processadores Intel baseados na arquitetura Bay Trail, como o Pentium J2900. Comparado a este, um Athlon 5350 pode ter desempenho até 1,4 vezes superior no teste de “uso doméstico” do benchmark PCMark 8 v2, e até duas vezes superior em desempenho gráfico em testes como Fire Strike, parte do 3DMark. 

Além disso, segundo a empresa, suas APUs tem melhor suporte a sistemas operacionais: Windows XP, Vista, 7 e 8.1 são suportados, enquanto os produtos da Intel suportam apenas o Windows 7 e 8.1. E todos os modelos tem uma arquitetura de 64-Bit, enquanto entre os “Bay Trail” apenas algumas variantes são 64-Bit.

Embora a GPU Radeon R3 não seja um produto para gamers que exigem o máximo de qualidade gráfica em resoluções altíssimas, sua presença nas APUs faz diferença: vários aplicativos, de pacotes Office como o LibreOffice a navegadores como as versões mais recentes do Chrome, Firefox e Internet Explorer são capazes de “terceirizar” tarefas que demandam cálculo intenso e processamento paralelo para a GPU, acelerando sua execução.

O recálculo de um modelo financeiro complexo em um Athlon 5350 leva sete vezes menos tempo com o auxílio da GPU do que se fosse feito apenas pela CPU, segundo a AMD. As GPUs também tem tecnologias para aprimorar a qualidade de imagem na reprodução de vídeo, e acelerar o processo de conversão entre formatos.

De acordo com a AMD um processador Sempron 3850 irá custar US$ 39, o Athlon 5150 sairá por US$ 49 e o Ahtlon 5350 por US$ 59. As placas-mãe deverão custar entre US$ 25 a US$ 35 (preços no exterior). No Brasil a plataforma deve chegar no final de Abril.

*O jornalista viajou a Austin, no Texas, a convite da AMD

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