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AMD quer unir ARM e X86 com o projeto “Skybridge”

Empresa irá fabricar SoCs (Sistemas em um Chip) X86 e ARM com a mesma pinagem, permitindo que uma única placa mãe seja aproveitada nas duas arquiteturas e oferecendo mais flexibilidade aos seus consumidores.

Mark Hachman, PCWorld EUA

06/05/2014 às 19h37

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A AMD deu nesta segunda-feira mais um passo rumo ao que chama de “computação ambidestra”, ao anunciar um framework para unificar processadores ARM e X86 no que chama de “Projeto Skybridge”

Do ponto de vista técnico, o Projeto Skybridge aproxima as duas arquiteturas de processador mais populares na atualidade: a X86, uma arquitetura de alto desempenho que domina os mercados de PCs, servidores e notebooks, e ARM, uma arquitetura de menor consumo que é o padrão “de fato” em tablets e smartphones. Os processadores SkyBridge, sejam eles baseados em ARM ou X86, terão pinagem compatível, o que significa que poderão ser usados na mesma placa-mãe com mudanças mínimas, ou mesmo nenhuma.

Para a AMD, SkyBridge e ARM representam uma oportunidade de fugir da corrida no mercado X86, onde compete com a Intel em PCs e servidores. Durante uma conferência de imprensa nesta segunda-feira a AMD dise que irá adquirir uma licença de arquitetura junto à ARM para iniciar o desenvolvimento de seus próprios processadores ARM até 2016, que serão conhecidos pelo codinome K12. Neste meio tempo a empresa demonstrou o “Seattle”, ou Opteron A1100, que foi anunciado no ano passado. O processador integra até oito núcleos ARM Cortex-A57 projetados pela própria ARM.

Entre 2014 e 2016 a ARM irá estabelecer a “Skybridge”, que segundo a empresa é um framework para futuros esforços de computação nos mercados cliente e de computação embarcada. Embora muitos esperassem anunciar novos chips para servidores após o Seattle, a empresa não declarou a Skybridge como sendo uma tecnologia para o segmento de servidores, e em vez disso caracterizou-a como uma abordagem mais ampla para uma variedade de mercados, incluindo APUs que combinam CPUs e GPUs.

O novo CEO da AMD, Rory Read, deixou claro que a AMD não necessariamente precisa enfrentar cara-a-cara a Intel no mercado de PCs e servidors. A prioridade de Read tem sido reconstruir a companhia ao redor do projeto de chips “semi personalizados” para consoles de videogame (como o PlayStation 4, Xbox One e Wii U), servidores especializados e outros nichos que podem potencialmente florescer em novos mercados.

“Não há dúvidas de que a AMD está se transformando”, disse Read. “Estamos construindo uma AMD diferenciada”.

E a diferenciação é crucial para a AMD, já que a companhia vem lutando no tradicional mercado de servidores baseados na arquitetura X86. De acordo com a Mercury Research, a AMD chegou a deter no máximo 26,2% deste mercado, no segundo trimestre de 2006. Mas desde então a participação vem caindo constantemente: para 4.7% no primeiro trimestre de 2013, e apenas 2.8% no primeiro trimestre de 2014, disse Mercury.

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Executivos da AMD falaram relativamente pouco sobre o Seattle, um chip sobre o qual a empresa começou a falar no ano passado, junto com outros chips de codinomes Warsaw e Berlin, mais tradicionais e projetados para competir diretamente com os Xeon da Intel. A AMD mostrou o Seattle rodando um ambiente LAMP (Linux, Apache, MySQL e PHP), bem como a plataforma de blos Wordpress e servindo vídeo. Segundo Lisa Su, vice-presidente sênior na AMD, o Seattle será eventualmente demonstrado como parte da unidade de negócios SeaMicro, que foi adquirida pela AMD em 2012.

Flexibilidade adicional

Os executivos da AMD não deixaram claro quais serão os benefícios que o Skybridge irá oferecer aos consumidores. De acordo com Paul Santeler, gerente geral da unidade de negócios Hyperscale na HP, oferecer soluções tanto em ARM quanto em X86 oferece uma “luta justa” que possibilitará que um consumidor use as arquiteturas de forma intercambiável.

Na AMD, entretanto, a adição da tecnologia ARM adiciona mais uma arma ao seu arsenal tecnológico, disseram executivos da empresa. “Já fizemos servidores, alta frequência, ecalabilidade”, disse Jim Keller, o chefe da equipe de design do K12, sobre a adição da licença de arquitetura ARM. “Com ARM, podemos ampliar nossa gama”.

De acordo com Mark Papermaster, CTO da AMD, o Skybridge será “a base de todos os nossos designs ambidestros no futuro”, disse ele.

Skybridge será implementado em um processo de 20 nm, o próximo passo em relação ao atual processo de manufatura em 28 nm. Executivos não revelaram nenhum detalhe sobre o K12, incluindo seu processo de manufatura ou seus recursos esperados.

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