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Análise: Sucesso da App Store não esconde falhas da Apple

Apple vende aplicativos como pão quente, mas ainda enfrenta desafios com sua loja de programas para iPhone e iPod touch.

Ben Boychuk, Macworld/EUA

06/10/2008 às 15h16

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Por diversos motivos, é possível afirmar que a loja de aplicativos da Apple, a App Store, é um sucesso. Apesar da disputa entre a Apple e alguns desenvolvedores, novos aplicativos começam a aparecer todos os dias e as vendas continuam a todo vapor.

Steve Jobs, CEO da companhia, disse que a App Store entregou mais de 100 milhões de aplicativos nos primeiros sessenta dias, e uma notícia do Wall Street Journal informou que a loja gerou 30 milhões de dólares no seu primeiro mês de existência. Jobs chegou até a considerar que a App Store pode gerar um mercado de 1 bilhão de dólares algum dia.

Apesar disso tudo, alguns usuários, analistas e desenvolvedores criticam a posição da Apple em manter a App Store dentro do iTunes, usando muitos recursos que foram feitos para música, não para software.

Foi o que percebeu o estudante George Posner: existem diferenças entre comprar músicas e programas para o iPhone. “São coisas distintas”. Posner afirma gostar da App Store, mas que ela não é seu primeiro destino ao considerar um novo aplicativo para seu iPhone. Isso parece estranho, já que a App Store é o único local para baixar aplicativos oficiais para o telefone. Antes de ir à  App Store, Posner leva em consideração informações que viu no Facebook ou que seus amigos comentaram.

“A Apple fez a App Store se distanciar dela”, explica Rob Frankel, especialista em marcas. “Ela fez um ótimo trabalho ao criar todo o império iTunes, mas acreditou que poderia apenas clonar a estrutura, e isso não funciona. Frankel diz que a loja de aplicativos parece um adendo à iTunes Music Store em vez de ser um local para encontrar produtos únicos.

“Música é música, e aplicativos são aplicativos”, afirma o consultor. O que funciona para um pode não funcionar para outro. O problema, na percepção de Frankel, é que a App Store não faz o que a iTunes Music Store proporcionou – tornar indistintas as experiências de arte e tecnologia.  E não é só isso.
Navegar na App Store não é fácil. Existem diversas categorias, e são complicadas para achar algo. Vá à App Store e clique em Entertainment ou Games. Aparecem centenas de produtos, alguns custam 1 dólar, outros 10 ou mais, outros são gratuitos. É uma bagunça, e fica difícil encontrar sentido nisso.

Sim, a loja tem um mecanismo de buscas. Só que você precisa ter alguma idéia do que quer buscar. Como tudo é novo e diferente, como ir direto ao ponto? Um mecanismo de buscas aprimorado ou um sistema de aplicativos relacionados similar ao Genius, do iTunes, ajudaria os consumidores a encontrar novo software mais fácil.

E, diferente do iTunes, que conseguem ouvir uma prévia da música que vão comprar, toda experiência da App Store se resume à opinião de usuários e telas fornecidas pelos desenvolvedores.  Não há como testar o programa antes de instalar. Alguns desenvolvedores oferecem versões básicas (ou “lite”) de seus aplicativos para tentar seduzir o comprador – mas isso é uma política do criador do programa, não algo da App Store. Posner sugere uma alternativa: “Não deve ser difícil criar um recurso de auto-destruição para aplicativos depois que seu período de testes acabar”.

Muitos aplicativos têm nomes similares, o que pode confundir os compradores. Um exemplo: a loja oferece diversos conversores de medidas, e todos são variações sobre o mesmo tema com o mesmo nome: Units, Units Convertor, Converter by UnitConvertr e Converter by Architechies, para dar alguns exemplos.

Mas a similaridade no nome pode significar a mesma função. Muitos fazem a mesma coisa, uns podem ser pagos e outros gratuitos.

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Estrutura da App Store: tente encontrar algo com facilidade.

Outra crítica comum entre blogs e fóruns é o modo que a App Store oferece uma estrutura de preços arbitrária e confusa. Para música, os preços são tabelados – um dólar por música, álbuns por 10 dólares, 2 dólares por programas de TV. Na App Store, a variação é enorme.

Definir preços para os aplicativos é tarefa para os desenvolvedores, não para a Apple. Conforme as aplicações se proliferam (vide os conversores) e os desenvolvedores ficam mais competitivos, a tendência é que os preços se estabilizem.

As atualizações são pouco frequentes por conta dos processos da Apple. Quando uma atualização de firmware do iPhone/iPod touch trava um programa, o desenvolvedor pode corrigir o problema e enviar o novo programa em um dia – só que o processo trava na aprovação da Apple, que tem um processo lento. Usuários e desenvolvedores reclamam que pode levar uma semana ou mais para surgirem as atualizações no site, deixando os usuários com aplicativos com falhas nesse período.

Nem tudo são reclamações. A Apple mudou algumas coisas nesse período. No fim de setembro, a Apple mudou a política de reviews de produtos na App Store. Agora, só quem compra o aplicativo pode fazer uma crítica (ou elogio) a ele. Isso foi feito para limpar os aplicativos de opiniões falsas e tentar melhorar a experiência do usuário.

E os desenvolvedores também comemoraram quando a Apple modificou, na última semana, suas políticas de divulgação de informação: eles podem comentar com outros programadores sobre seus métodos (mas só depois que o aplicativo é publicado).

No Brasil

As críticas - e elogios - à App Store também valem para a versão brasileira. Só que, infelizmente, o usuário brasileiro da App Store ainda encontra menos programas em comparação à loja norte-americana.

Um exemplo rápido e fácil: games. Se você tem acesso à App Store com uma conta nos Estados Unidos (mesmo que cadastrada com um cartão pré-pago comprado com facilidade em qualquer loja da Apple), pode baixar jogos para seu iPhone/iPod touch sem maiores problemas. Agora, se você é usuário da conta brasileira, esqueça os games: eles simplesmente não aparecem.

A Apple já informou, oficialmente, que não interfere no mercado onde os aplicativos são vendidos, e oferecer ou não um determinado programa (ou game) é escolha do desenvolvedor, que teoricamente precisa oferecer suporte técnico ao produto no Brasil. Por isso não temos games, e sim uma loja limitada.

Outro problema que esperamos ser consertado em breve é a barreira do idioma. A App Store Brasil ainda fala inglês - nada de português, mesmo com o iPhone já à venda no mercado local.

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