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Anatel mantém inalterada data de estréia da portabilidade numérica

A partir de 1º de setembro, usuários poderão manter números fixos e móveis mesmo que decidam mudar de operadora.

Fabiana Monte, do Computerworld

08/08/2008 às 17h33

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A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) manteve o cronogama de implementação da portabilidade numérica, que entra em operação a partir do dia primeiro de setembro, em 11 códigos nacionais de numeração (DDD), e será finalizada até março de 2009. A portabilidade numérica vai permitir ao usuário mudar a operadora de telefonia, fixa ou móvel, e manter o número de telefone.

Em reunião realizada nesta sexta-feira, (08/08) em Brasília, as empresas de telefonia informaram à agência resultados dos testes de implementação do sistema no Brasil. Segundo comunicado divulgado pela Anatel, os testes "apresentaram resultados insatisfatórios".

Fontes de mercado informaram à reportagem de Computerworld que as teles gostariam de adiar o início da portabilidade.

Durante as próximas três semanas, a Anatel "acompanhará sistematicamente os testes, em regime emergencial, para garantir a execução do cronograma de implementação da portabilidade".

O relato sobre os resultados será levado ao conselho diretor da agência, que se reúne na próxima quarta-feira (13/08), para que seja tomada alguma decisão. No entanto, a agência não trabalha, no momento, com a hipótese de adiamento.

"A portabilidade já estava prevista há 10 anos, na privatização. Quem aparecer agora e disser que não sabia e não teve tempo para se preparar, fala sério! Por que o pessoal não se mexeu?", critica José Roberto Melo da Silva, presidente e CEO da Aeiou (ex-Unicel), que anunciou sua operação beta em São Paulo no dia 05/08.
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De acordo com Silva, a portabilidade não muda nada para a operadora, nem positiva e tampouco negativamente. "Para nós é neutro, não faz diferença. A portabilidade é um fato da vida".

Em conferência telefônica realizada nesta quinta-feira (07/08), na qual comentou os resultados da TIM, Mario Cesar Pereira de Araújo, presidente da empresa, classificou a portabilidade numérica como uma oportunidade para a operadora.

Araújo afirmou que a companhia tem feito investimentos em sistemas e adaptações na rede para cumprir as especificações da portabilidade. Mas o executivo destacou que houve atrasos nas especificações e redução no tempo para testes.

"Na TIM estamos nos preparando para estar com a portabilidade pronta. Está em fase de testes e os problemas estão sendo resolvidos rapidamente. Somos um dos interessados em que a portabilidade entre no mercado", comentou Araújo.

"Só que tem que entrar com qualidade, para que o setor não seja considerado um setor que causa problemas para os clientes", defendeu o presidente da TIM. "Não acredito em caladão", ponderou.
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Segundo Marcos Bellotti, diretor de negócios e assuntos regulatórios da Cleartech, as operadoras deram início aos testes entre si no dia 15/07. A Cleartech é a empresa responsável pela implantação tecnológica que permitirá a centralização da troca de mensagens entre todas as operadoras. Essas mensagens são as informações sobre a migração de usuários de uma tele para a outra. De acordo com Belloti, no dia 01/05 terminaram os testes entre as operadoras e a Cleartech, que desempenhou o papel de entidade administradora, e de operadora fictícia.

"Todos os testes foram concluídos e entregues à Anatel", informa o diretor da Cleartech, que foi contratada como pela Associação Brasileira de Recursos de Telecom (ABRT), entidade que centralizará a troca de mensagens entre operadoras.

Belloti destaca que o processo de implementação da portabilidade é complexo, mas que o setor já experimentou momentos similares, com a entrada do Serviço Móvel Pessoal (SMP) e do Código de Seleção de Prestadora (CSP). "A portabilidade está exigindo mais esforço, talvez alguma dessas mudanças seja tecnologicamente mais complexa, mas o esforço para a portabilidade é maior", analisa.

Alguns dos principais pontos a serem alterados pelas empresas são redes, que precisarão estar aptas a receber clientes de um plano de numeração diferente; mediação, que é a captura de dados da chamada, para, por exemplo, analisar informações relativas à interconexão de rede; fraude, cujos parâmetros mudam com o novo modelo; faturamento, e, principalmente CRM, já que a operadora precisará a atender a clientes que não eram dela.

"Minha percepção é que os testes estão andando bem, existem dificuldades, certamente, porque há alterações mudo grandes sendo feitas pelas empresas e o prazo é extremamente agressivo", completa Belloti, ressaltando que não pode divulgar dados de testes realizados entre operadoras.

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