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Android e iPhone abrem novas oportunidades a desenvolvedores móveis

São Paulo - Kits de desenvolvimento para as plataformas atraem a atenção dos programadores, com a promessa de um novo e lucrativo filão de negócios.

Daniela Moreira, repórter do IDG Now!

18/03/2008 às 20h32

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android_iphone_88A estrondosa entrada de dois titãs como Google e Apple no terreno da mobilidade não poderia passar incólume aos desenvolvedores de aplicativos móveis. Tanto é assim, que os kits de desenvolvimento de aplicativos – ou SDKs, do inglês software development kit – do iPhone e do Android já somam, juntos, quase 1 milhão de downloads.

O kit de desenvolvimento do iPhone, lançado em 6 de março, já foi baixado mais de 100 mil vezes, enquanto o Android, liberado em novembro do ano passado, teve mais de 750 mil downloads antes do final de fevereiro.

Tanto a Apple quanto o Google estão oferecendo incentivos para que os desenvolvedores criem aplicativos para as suas plataformas. O Android Developer Challenge oferece 10 milhões de dólares em prêmios para os desenvolvedores que criarem as melhores aplicações para o sistema operacional móvel.

Já os potenciais desenvolvedores de software para o iPhone contam com um fundo de investimento de 100 milhões de dólares de uma empresa de capital de risco, que vai oferecer aporte financeiro e suporte administrativo a empresas que criarem aplicações inovadoras para o telefone da Apple.

A recepção aos dois SDKs vêm sendo positiva, com elogios à simplicidade de uso e aos recursos oferecidos. Mas mesmo com todo o entusiasmo em relação à posição de destaque que o iPhone já conquistou no mercado e às expectativas em torno do potencial sucesso dos dispositivos equipados com o Andoid – os primeiros devem chegar ao mercado até o final do ano –, os desenvolvedores ainda estão tateando estes novos terrenos.

No Brasil, nem o Google nem a Apple falam oficialmente sobre as plataformas, mas isso não impede que os desenvolvedores de aplicações móveis locais baixem os SDKs e dêem suas opiniões. Um deles é Guilherme Leite, especialista em Apple e autor do blog e do podcast GuiLeite.com, que já baixou e avaliou o kit de desenvolvimento para o iPhone. “A documentação é muito boa”, avalia.  
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Oficialmente, o iPhone ainda não chegou ao Brasil, mas é muito comum encontrar aparelhos desbloqueados funcionando no País. Mesmo assim, Leite não aposta em um volume grande de potenciais consumidores locais para a venda de aplicativos voltados ao telefone.

“O que vemos muito aqui é o cara que compra o iPhone porque é moda, mas nem sabe usar direito os recursos que já tem”, ele opina. No entanto, há usuários, como ele próprio, que estão dispostos a pagar pelos aplicativos para fomentar a comunidade desenvolvimento. “Comprei um aplicativo chamado ShowTime, da Polar Bear Farm, por 10 dólares. Ele grava vídeo, ainda sem som e sem compressão, mas já é um começo”, ele relata.

Um dos problemas que os desenvolvedores brasileiros vão enfrentar, segundo o especialista, é que inicialmente Apple só está liberando seu programa de certificação para quem está nos Estados Unidos. “Mesmo que eles desenvolvam algum aplicativo interessante não será tão fácil, pelo menos por enquanto, obter o certificado digital para poder distribuir pela App Store no iPhone”, ele aponta.

Outra questão é a limitação do tipo de aplicativo aceito pela Apple na loja oficial App Store, que venderá os softwares cobrando uma comissão de 30% do valor do aplicativo. “Eles já disseram que alguns aplicativos serão barrados, como VoIP, por exemplo”, justifica Leite.

Ainda assim, ele acredita que o aparelho oferece oportunidades para os desenvolvedores brasileiros. “O grande atrativo é a popularidade do iPhone. O fato de poder ser o primeiro a criar um aplicativo para um dispositivo tão desejado é uma vantagem”, pondera Leite.

Ele lembra ainda que mesmo sem o apoio da Apple, que só lançou SDK do iPhone quase um após a estréia do aparelho, os aplicativos criados para a plataforma são inúmeros e variados.
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Embora igualmente tímida, a movimentação da comunidade de desenvolvimento em torno no Android no Brasil também já pode ser detectada. O Portal Android, comunidade em português dedicada a discutir assuntos relacionados à plataforma, já reúne mais de 130 usuários cadastrados, segundo seu fundador, o desenvolvedor de aplicativos móveis Jaison de Oliveira.

“É um lançamento quente, mas ainda muito novo”, opina o desenvolvedor, sobre a plataforma. “As primeiras versões do SDK tinham muitos bugs, mas a nova versão está bem mais pronta”, ele avalia. Contudo, a plataforma já arranca elogios, principalmente em comparação a outras linguagens de programação para dispositivos móveis como Java ME ou BREW.

“Achei muito mais simples que o Java ME [versão da linguagem de programação Java para sistemas embarcados]”, opina Cezar Signori, desenvolvedor especializado Java e responsável pelo grupo pelo fórum Android Pro, que reúne 143 usuários. “Os principais atrativos são a simplicidade e a padronização”, ele destaca.

“O Java ME tem muitos problemas de compatibilidade com hardwares de diferentes fabricantes”, concorda Oliveira. “O Android também fornece recursos mais interessantes, como a possibilidade de controle à pirataria, o que oferece mais chances de ganhar dinheiro com os aplicativos desenvolvidos”, opina o desenvolvedor.

O amadurecimento das plataformas de desenvolvimento, somado ao pujante crescimento previsto para o mercado de dispositivos móveis - que já contabiliza mais de 3 bilhões de usuários no mundo e ainda tem muito fôlego para crescer – de fato promete abrir aos desenvolvedores novos e lucrativos caminhos.

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