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Android não gera dinheiro para desenvolvedores, diz pesquisa

Levantamento divulgado pela empresa Distimo revela que, quando a questão é lucratividade com apps, a lojinha da Apple ganha de lavada

Jonny Evans, da Computerworld/EUA

27/05/2011 às 16h43

Foto:

Atenção, desenvolvedores para smartphones: vocês ainda não
ficarão ricos com o Android Market da Google. Mantenha distância da confusão da
fragmentação de sistemas e mire no iOS da Apple; essa é a mensagem da empresa
de análise de app stores Distimo.

A última pesquisa dessa empresa nos diz que os usuários de
Android simplesmente não têm gasto dinheiro. Uma absurda fatia de 80% de todos
os apps pagos disponíveis globalmente no Android Market foram baixados menos de
cem vezes.

Segue a pesquisa: “Descobrimos que apenas duas aplicações
pagas foram baixadas mais de meio milhão de vezes no Google Android Market até
hoje em todo o mundo, enquanto seis aplicações pagas na App Store da Apple
geraram o mesmo número de downloads em um período de dois meses e apenas nos
Estados Unidos.”

O relatório pode ser obtido no site da Distimo.

Pagou, levou
Você tem aquilo pelo qual paga. Enquanto a Apple impõe
rígidos padrões de qualidade sobre os apps de sua App Store, a Google não. Isso
significa que, quando você visita a loja da Apple terá certeza de uma garantia
de qualidade. Mas, quando visita a loja da Google a única coisa que sabe é que,
em termos de segurança, você terá de proteger a si mesmo, e que nem todo app
funcionará tão bem em cada uma das versões do Android.

Esse desconforto sentido pelos exploradores de apps é
traduzido por diferenças significativas entre as empresas. “O Google Maps é a
única aplicação com mais de 50 milhões de downloads no Android Market, o que
faz dela a aplicação mais popular de todos os tempos nesta loja”, explica a
Distimo. Por outro lado, apenas 96 aplicações foram baixadas mais de 5 milhões
de vezes no Google Android Market.

Em outras palavras, quando os consumidores olham para o
Android Market, eles descobrem pouca coisa capaz de chamar a atenção. O Android
os deixa... Enfadados. Enquanto isso, a Apple já tentou registrar a frase “There´s
an App for that” (há um app para isso). Este slogan chegou a ser citado até no
programa infantil "Vila Sésamo".

“Olhando apenas para games, há cinco jogos no Google Android
Market com mais de 250 mil downloads em todo o mundo. Na App Store da Apple
para o iPhone, dez jogos geraram mais de 250 mil downloads nos Estados Unidos
em apenas dois meses”, afirmou a Distimo.

O resultado dessa pressão é que os desenvolvedores para
Android tentam fazer dinheiro com publicidade inserida dentro dos apps.

Tome como exemplo o Angry Birds – um enorme sucesso que, na
plataforma iOS, é pago. No Android, esses jogos são gratuitos e trazem vários
anúncios.

Quem faz dinheiro?

Siga a grana
Argumenta-se que apenas a Google faz dinheiro com o Android.
A Google responde por 20% dos apps mais baixados do mercado Android – Google Maps
(como número um) e YouTube (em terceiro), em uma lista dominada por
utilitários.

E quem fica rico com Google Maps e YouTube? Google. E quem
pega a maior fatia da receita com anúncios inseridos em apps para o Android?
Google. Assim, na Android-lândia, parece que o risco fica com os fabricantes de
aparelhos e os desenvolvedores, enquanto a Google leva o dinheiro.

Compare isso com a Apple. Uma entrevista com o investidor do
iFund, Matt Murphy, revela que as empresas que fazem games e outros apps para
aparelhos da Apple têm sido contratadas ou compradas por outras empresas que
buscam ganhar penetração imediata no mercado móvel.

“Várias de nossas empresas receberam ofertas de compra nos
últimos seis meses e eu presumo que essa tendência vai continuar”, disse Murphy
à Reuters. “Se você não tem um produto móvel líder, será melhor entrar nesse
jogo porque, daqui a um ou dois anos, será muito tarde.”

Ele explica a equação: levou 18 meses para que a
desenvolvedora Ngmoco alcançasse uma receita mensal de 1 milhão de dólares. No
iPhone, essa marca agora é alcançada em seis meses. Murphy avisa que o cenário
está mais competitivo, mas diz não ter planos de lançar um fundo de
desenvolvimento com foco no Android.

Apps são importantes. O CEO da Forrester, George Colony, os
vê como o começo da App Internet, que alcançou um valor de mercado de 2,2
bilhões e tem crescido a uma taxa anual composta de 85%. “Esta é a arquitetura
do futuro”, disse Colony.

E, quando olhamos para o futuro a partir do que temos hoje,
a Apple é a única versão de futuro que tem um plano de negócios viável. Embora,
claro, isso possa mudar.

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