Home > Notícias

Apple pode integrar tecnologia do Shazam no iOS 8 para reconhecer músicas

A notícia de uma parceria estreita entre as empresas foi publicada pela Bloomberg. Meta é usar a "impressão digital" musical para gerar mais receitas

Da Redação *

20/04/2014 às 1h01

shazam 435.jpg
Foto:

A Apple deverá integrar a tecnologia de reconhecimento musical criada pela empresa londrina Shazam na próxima versão do seu sistema operacional móvel, o iOS 8, segundo reportagem da Bloomberg. O artigo foi publicado citando como fontes de informação "duas pessoas próximas ao produto".

O recurso de identificação automática de músicas da app Shazam seria integrado ao iOS 8 da mesma forma que o Twitter foi anteriormente, dando aos usuários a possibilidade de acessar a tecnologia sem precisar necessariamente baixar e instalar o app original em seus aparelhos móveis.

Entre os usos, a Bloomberg sugere que um usuário de iPhone poderia, por exemplo, ativar o assistente digital Siri e perguntar a ele "que música está tocando agora" e ter acesso aos dados da música e o link para comprá-la pelo iTunes.

A Apple agregou o Twitter ao iOS 5 em 2011 e, desde então, oferece aos desenvolvedores de applicativos móveis APIs (application programming interfaces) para conectar suas apps com o Twitter. A empresa deverá mostrar o iOS 8 durante o evento Worldwide Developers Conference (WWDC), programado para acontecer entre 2 e 6 de junho em San Francisco.

A Shazam é uma empresa com sede em Londres que tem como principal produto um app móvel de mesmo nome conhecida pela sua tecnologia de reconhecimento automático de músicas, tanto em iOS quanto em Android. O app utiliza o microfone do iPhone ou iPad para "ouvir" um trecho de música e associar esse trecho à música original comparando-a com seu banco de dados.

Hoje o app também oferece links para a loja iTunes para que o usuário compre a música se quiser. Se a compra for feita a Shazam recebe uma parte da venda. Por conta disso, a reportagem da Bloomberg e outros analistas acreditam que a razão óbvia do interesse da Apple é acelerar as vendas da iTunes, ampliar o uso da iTunes Radio e ainda tirar proveito da popularidade de serviços de streaming como Pandora e Spotify para vender músicas.

"No mínimo, o Shazam já se provou muito efetivo em converter interesse em compras", diz Russ Crupnick, analista do NPD Group. "Apps como Shazam preenchem essa nossa necessidade de identificar músicas que ouvimos em todos os lugares e facilitam nossa vontade de comprá-las".

Outros analistas acreditam que a tecnologia pode abrir implicações mais profundas na forma como a Apple pode gerar receita a partir dos seus usuários. Um dos usos, segundo o professor Aram Sinnreich, da Rutgers University, seria um novo método de targeting dos consumidores.

O Shazam tem sido usado pelas pessoas para identificar músicas usadas em publicidade na televisão, por exemplo, ou em anúncios em vídeo que são mostrados antes de um filme no cinema e muitos anunciantes pagariam bem para que pessoas "marcaram" um anúncio para depois enviarem a elas um outro anúncio semelhante ou até mesmo uma oferta.

Sinnreich especula que a Apple poderia usar esse "big data" musical resultante da integração do Shazam-iOS para criar uma nova variedade de modelos de geração de receita.

A atualização recente do app que, com a aprovação do usuário, deixa o Shazam ativo o tempo todo "ouvindo" o que seu dono ouve, poderia abrir um cenário gigantesco para uma nova inteligência de marketing. "Ela poderia coletar todo tipo de mídia que uma pessoa consome", diz Sinnreich. "Quem precisa da Nielsen quando você tem milhões de usuários de iPhone enviando dados?"

* Com reportagem de Gregg Keizer - Computerworld

Tags

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter por e-mail Newsletter por e-mail