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Apple rejeita aplicativo de Google Voice para o iPhone

Nenhuma das empresas se pronunciou oficialmente sobre o motivo da rejeição. Quem sai perdendo são os usuários do smartphone.

Daniel Ionescu, da PC World/EUA

28/07/2009 às 16h29

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Segundo o site TechCrunch publicou nesta segunda-feira (28/7), a Apple rejeitou a inclusão do Google Voice no App Store, sua loja de aplicativos para iPhone. De acordo com a publicação, um porta-voz do Google afirmou que a versão para iPhone do aplicativo foi submetida à avaliação da Apple seis semanas atrás, mas foi rejeitada.

A empresa de Cupertino (EUA) também teria rejeitado outra aplicação, esta não do Google, chamada GV Mobile, alegando que ela teria funcionalidades duplicadas, equivalentes às existentes no aplicativo Google Mobile.

Ao fazer isso, a Apple acirra o debate que cerca a abertura da App Store e acrescenta um detalhe a mais: sobre a influência da AT&T (primeira operadora a oferecer o iPhone nos Estados Unidos em 2007) na Apple.

A operadora móvel norte-americana é quem mais iria perder caso o Google Voice em versão móvel estivesse disponível para seus clientes donos de iPhones. O aplicativo do Google permite que o usuário envie e receba mensagens curtas de textos (SMS) por meio de um número de telefone do Google (com preços mais baixos), driblando as tarifas do serviço de SMS da AT&T.

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A versão móvel do Google Voice foi lançada em julho e já está disponível para celulares e smartphones Blackberry ou com o Android (sistema operacional móvel criado pelo buscador) instalado.

As duas empresas – Apple e Google – foram contatadas, mas até o momento, nenhuma delas se pronunciou sobre esse tema.

Iniciativa do Google
O Google Voice, antes conhecido com GrandCentral, é um sistema de gerenciamento inovador que proporciona um número de telefone único para onde convergiriam todos os demais números telefônicos do usuário – de casa, do trabalho ou mesmo celular. O buscador reapresentou o serviço em junho de 2009 e já está disponível nos Estados Unidos para usuários convidados.

O serviço funciona como uma espécie de hub (concentrador) que gerencia correio de voz, contatos e pode proporcionar chamadas gratuitas ou de baixo custo por meio de linhas fixas. Agora, o Google quer ampliar tais facilidades para smartphones também.

Alguns podem estranhar a rejeição do aplicativo Google Voice por parte da Apple pelo simples fato de o principal executivo do gigante de buscas, Eric Schmidt, fazer parte do corpo diretor (o chamado board) da própria Apple.

No entanto, nem a aprovação pessoal do vice-presidente mundial para gerência de produto da Apple, Phill Schiller, foi suficiente para assegurar que o GV Mobile não fosse rejeitado também.

Dessa análise, pode-se concluir que o problema está localizado em outro ponto, e como sugerem muitos, na AT&T. A operadora de serviços móveis de telecomunicação, parceira exclusiva da Apple nos Estados Unidos, já brigou no passado – como no caso dos aplicativos SlingPlayer (que permite ver TV pelo iPhone) e Skype (tradicional serviço de telefonia pela web)  – para restringir a oferta de aplicativos que pudessem conflitar com suas fontes de receita. Na atual situação, o serviço de SMS gratuito do Google Voice e o baixo custo das chamadas de longa distância podem significar uma perda e tanto para a receita da operadora.

Naturalmente, nenhuma dessas alegações foi confirmada oficialmente nem pela Apple nem pela AT&T. Mas, do ponto de vista dos usuários, donos de iPhone é que saem perdendo com ações como essas. Em outras palavras, é como se as duas empresas estivem lutando contra todo o potencial tecnológico que seus produtos e serviços podem oferecer, quando esse potencial provém de outros fornecedores e vai contra seus próprios interesses.

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