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Apple TV+ é sobre criar experiência única, e não pioneirismo em streaming

Serviço da Apple promete balançar o mercado de streaming de vídeo, avalia Gartner. Empresa deve focar em experiências premium e personalizadas

Caio Carvalho

01/04/2019 às 16h35

Foto: Apple

Na última semana, a Apple anunciou seu tão aguardado serviço de streaming, que promete rivalizar com Netflix, Hulu, Amazon Prime Video e outras plataformas do tipo. Batizada de Apple TV+, a novidade, embora pareça promissora e ter recebido o apoio de grandes nomes da indústria do cinema e da TV, deixa mais dúvidas do que respostas. Quando será lançado? Quanto custará? Quais programas estarão disponíveis assim que for disponibilizado? Essas são apenas algumas das dúvidas que pairam no ar.

A verdade é que, durante o evento do último dia 25 de março, a gigante de Cupertino mostrou muito do que esperar sobre o Apple TV+, mas ao mesmo tempo se esquivou de esclarecer todas essas questões. Além disso, muitos usuários acreditam que a empresa entrou atrasada nesse mercado altamente dominado por Netflix e outros rivais já consolidados.

Tuong Nguyen, analista sênior do instituto de pesquisas Gartner, tem uma opinião diferente. Para o especialista, a Apple não quer se tornar a primeira nessa indústria, até porque a corporação nunca foi pioneira em alguns segmentos - o iPod e o iPhone, por exemplo, não foram os primeiros produtos em suas respectivas categorias. Em vez disso, a empresa busca criar uma experiência única, com foco em opções mais premium do que os demais concorrentes.

"O Apple TV+ fará com que o mercado fique mais competitivo, permitindo que os usuários tenham mais escolhas. Esse posicionamento adiciona um novo provedor no mercado - um que tem o poder de uma marca muito forte e que construiu um grande império de tecnologia com base na entrega de experiências premium a consumidores de alto nível. Isso aumentará ainda mais a concorrência", diz.

Privacidade e conteúdo personalizado

Um dos atrativos do Apple TV+ são as produções originais que serão inclusas no catálogo do serviço. Nomes como Steven Spielberg (que já havia criticado plataformas de streaming, como a Netflix), Sofia Coppola, Oprah Winfrey, J.J. Abrams, M. Night Shyamalan, Ron Howard, Octavia Spencer, Reese Witherspoon, Steve Carell, Jason Momoa e Jennifer Aniston são algumas das personalidades que já confirmaram produções exclusivas.

No entanto, os grandes diferenciais do serviço serão privacidade e personalização, itens que Tim Cook, CEO da Apple, mencionou diversas vezes durante o evento da semana passada. "Essas são questões muito importantes para os consumidores, especialmente com notícias sobre violações de segurança, perda de dados pessoais, falta de proteção on-line e organizações que vendem essas informações sem consentimento dos usuários. Fornecer conteúdo personalizado e de alta qualidade é outra maneira de o Apple TV+ se diferenciar, além da possibilidade de assistir esses programas em múltiplas plataformas (telefone, tablet, laptop, desktop)", avalia Nguyen.

Por esse motivo, a inclusão de nomes como o do diretor Steven Spielberg e da apresentadora Oprah Winfrey aumentam a credibilidade e a expectativa dos espectadores no futuro serviço. Além disso, a indústria como um todo passa a enxergar a plataforma como uma das maiores apostas da Apple para os próximos anos.

Preços

Claro que conteúdo de alta qualidade não é o único fator que poderá impactar a popularidade do Apple TV+. Os valores dos planos também deverão ser fundamentais para tornar a Apple uma forte competidora ao reinado da Netflix ou segmentá-la para um público elitista.

"Embora o preço não tenha sido discutido, acredito que será semelhante aos preços atuais de outros serviços de streaming de vídeo. Será importante para a empresa entregar valores competitivos, ao mesmo tempo em que será necessário adicionar conteúdos regularmente para atender às diversas preferências dos consumidores", explica o consultor doGartner.

Foco no software

Nos últimos anos, o mercado de smartphones passou a desacelerar em todo o mundo COLOCAR ALGUM DADO AQUI QUE PROVE ESSA FALA. E isso inclui os iPhones da Apple que, embora ainda sejam a principal fonte de receita da companhia, teve menos unidades vendidas nos últimos relatórios financeiros divulgados pela empresa. Logo, é natural que a Apple busque outras fontes de renda, e uma delas tem sido voltar os investimentos para softwares e serviços.

 

A criação do Apple TV+ por si só já é um indicativo de que a Apple deve apostar cada vez mais nesse tipo de produto. "Serviços são a estratégia lógica para avançar. O hardware (iPhones, iPads, Macs etc) é extremamente competitivo e tem se estagnado muito rapidamente. Por isso, os serviços são um diferenciador-chave que é mais difícil de se copiar", diz Nguyen.

"Não se trata apenas de TV, filmes, músicas, aplicativos ou jogos. A Apple pensou no pacote completo, incluindo os dispositivos (iPhone, iPad, HomePod, AirPod, Macbook Air, entre outros) que ajudam a construir todo o ecossistema da Apple. É sobre a experiência geral, não apenas um único aparelho ou produto, permitindo que a Apple ofereça uma experiência premium", conclui.

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