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Apple usou prova falsa para barrar a venda do Galaxy Tab, diz site

Segundo o serviço holândes, companhia enviou documento com imagens adulteradas do tablet da Samsung; erro pode mudar os rumos do caso

PC World / EUA

16/08/2011 às 10h22

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A Apple e seus advogados teriam manipulado dados apresentados ao tribunal em Dusseldorf, na Alemanha, ao enviar provas incorretas sobre a suposta similaridade entre o iPad 2 e o Galaxy Tab 10.1, da rival Samsung, de acordo com informações do site holandês Webwereld.nl, que descobriu uma imagem com falhas que teria sido enviada pela “maçã” no caso.

Na última semana, o tribunal alemão ordenou um bloqueio preliminar da distribuição do Galaxy Tab 10.1 em toda a Europa, com exceção da Holanda, onde há um caso separado e mais amplo a caminho. O caso acabou se tornando uma guerra global entre a Apple e a Samsung pelos direitos de propriedade intelectual de seus produtos e tecnologias (além disso, a empresa também está tentando barrar a venda do tablet Xoom, da rival Motorola).

Ao menos uma das imagens do Galaxy Tab 10.1 que a companhia enviou como evidência no caso na Alemanha está errada ou foi manipulada. As provas fotográficas submetidas pela Apple, encontradas na página 28 do caso na Alemanha, mostram duas imagens: o iPad 2 e o suposto Galaxy Tab 10.1, acompanhado pela alegação da Apple de que a “aparência geral” dos dois produtos é “praticamente idêntica”.

O problema é que a imagem do Tab que a Apple enviou é imprecisa e não corresponde ao verdadeiro Galaxy Tab 10.1, de acordo com o Webwereld. Outras investigações verificaram essa afirmação.

O Galaxy Tab disponível no mercado europeu é maior e mais alongado do que o iPad 2. No entanto, o formato do aparelho que a Apple alega ser o Tab 10.1 parece muito com o do iPad.

A imagem do suposto tablet da Samsung fornecida pela “maçã” é cortada e sua proporção de altura está distorcida. De acordo com a Samsung, o Tab mede 256,7 x 175,3 milímetros, o que se traduz em uma proporção de altura de 1.46. Mas o Tab da imagem da Apple tem uma proporção de 1.36. A parte inferior é cerca de 10% mais larga do que o produto real.

Resultado: a proporção do Tab da imagem da Apple é na verdade mais próximo da proporção do iPad 2, que é de 1.30. Resumindo: o formato do suposto Galaxy Tab da denúncia está mais próximo do iPad 2 do que do verdadeiro tablet da Samsung.

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Imagem do Galaxy Tab (acima) e a versão distorcida: fica mais parecido com o iPad

 

O advogado do escritório holandês especializado em direitos intelectuais Klos Morel Vos & Schaap, Arnout Groen, está perplexo com o caso. “Isso é algo grave. Que um ‘erro’ desse tipo tenha sido cometido em um caso sobre direitos de design dificilmente pode ser uma coincidência... A taxa de proporção do suposto Galaxy Tab está claramente distorcida para ficar mais próxima do iPad. Fica a critério do juiz decidir se essa falta terá consequências para o caso. Mas ao menos uma repreensão por parte do juiz deve estar a caminho.”

Groen explica que as partes envolvidas no caso são exigidas pela lei de fornecer evidências “completas e verdadeiras” para o juiz. Isso se aplica em todos casos, não importando se a prova errada foi fornecida intencionalmente ou por engano, afirma, completando ainda que essa obrigação é ainda mais crucial em uma decisão para um lado, uma vez que a evidência apresentada ao juiz representa apenas um ponto de vista.

Essa exigência também vale para a Alemanha, confirma o especialista alemão em patentes, FLorian Muller. Ele lembra que provas visuais com falhas poderiam ter sérias consequências para o caso, “desde que qualquer diferença entre o produto mostrado na denúncia da Apple e o produto verdadeiro possa ser determinante no resultado”.

Muller duvida que os advogados da Apple tentaram enganar o tribunal. Ele afirma que a imagem usada na denúncia poderia ser de um protótipo pré-lançamento, que apareceram durante os procedimentos de descoberta do caso da Apple contra a Samsung em abril deste ano, nos EUA.

O Galaxy Tab 10.1 está disponível para reviews pelo menos desde o último mês de maio. A denúncia da Apple na Alemanha foi feita em 4 de agosto. “Mas mesmo que a imagem que eles apresentaram esteja apenas obsoleta, em vez de manipulada, isso poderia aumentar as chances de uma virada de mesa na audiência de 25 de agosto em Dusseldorf”, diz Muller.

O Webwereld informou a Apple e seu conselho alemão sobre os resultados de sua investigação das imagens e enviou questões para confirmar ou negar as conclusões e para esclarecer o assunto. No entanto, a empresa preferiu não se manifestar. A Samsung também se negou a comentar o assunto, afirmando que o caso ainda está em andamento.

 

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