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Artigo: Microsoft precisa de um smartphone realmente incrível para decolar

Sem conseguir decolar sua plataforma móvel, empresa de Redmond precisa mudar. Listamos algumas possíveis soluções para a fabricante chegar perto dos rivais.

Mark Hachman - PC World / EUA

05/12/2014 às 14h36

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A Apple tem o iPhone, o Google tem a linha Nexus, a Samsung a linha Galaxy, e a Motorola a linha Moto. E a Microsoft? A Microsoft tem um monte de números que não significam nada para ninguém.

E não é que a plataforma Windows Phone está na direção errada. Não está realmente indo para lugar nenhum. A Microsoft descobrir o que o Windows Phone significa, rapidamente – e capitalizar isso com um smartphone carro-chefe que personifique todos esses recursos.

Essa é a conclusão de um relatório sobre o Windows Phone lançado nesta semana e que pinta uma imagem obscura sobre o futuro do sistema à medida que a Microsoft abraça os aparelhos mais simples e com configurações médias (low-end e midrange). O suporte anêmico para os desenvolvedores só aumenta o problema, aponta o autor. E, em grande parte, ele está certo.

No relatório de Jan Dawson, da Jackdaw Research, ele recomenda que a Microsoft continue a identificar recursos específicos que diferenciem o Windows Phone do iOS, que domina o mercado de aparelhos top de linha, e o Android, que pega todo o restante. O Windows Phone parece estar atacando a mesma porção do Android, com hardware de qualidade e preços acessíveis – mas com apenas uma fração da base de usuários. Dawson recomenda que a empresa crie um smartphone carro-chefe icônico, o que faz sentido.

O autor do relatório quase sugere que é tarde demais para salvar a linha Lumia, em parte por causa do ciclo vicioso do desenvolvimento de aplicativos. A falta de usuários significa menor potencial de receitas, o que significa que os desenvolvedores vão “segurar” o desenvolvimento para a plataforma, o que desanima os consumidores que possam estar interessados no sistema.

O levantamento nota que a fatia de mercado teve seu pico no último trimestre de 2013, quando atingiu 3,4%, e só decaiu desde então. Em parte, isso aconteceu porque as vendas permaneceram estáveis em cerca de 34 milhões de unidades no último ano.

Então o que precisa ser feito? Veja abaixo algumas possíveis soluções.

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A solução: o que é o Windows Phone?

Dawson coloca uma solução de três pontos para a Microsoft: encontrar uma maneira melhor para ter apelo junto aos desenvolvedores. Desenvolver e mostrar um smartphone carro-chefe. E focar no que torna o Windows Phone especial.

A parte do “especial” é o problema: a Microsoft ainda não definiu o que é o Windows Phone. O tablet Surface tinha o mesmo problema no início, mas desde que a Microsoft o “casou” com sua mensagem de produtividade, ele começou a decolar.

A Microsoft tentou a mesma estratégia com o Windows Phone, mas não deu certo. Em parte porque o celular é um aparelho muito mais de entretenimento pessoal do que uma ferramenta de produtividade. O Windows Phone ainda opera num espaço nebuloso em que fornece um hardware sólido por menos. Mas essa é uma venda difícil.

Vamos deixar o “vazio de apps” de lado – a Microsoft só pode algumas coisas para atrair a atenção dos desenvolvedores. Mas, por outro lado, controla o seu próprio destino. O que pode fazer para melhorar?

1-Ressaltar o básico

Os Windows Phones fazem o que você espera de um smartphone, no mesmo nível ou melhor do que os rivais. Isso inclui hardware sólido, ótimas câmeras, uma integração firme com o Outlook e outros e-mails, um bom assistente digital com o Cortana, e apps sociais fundamentais como Facebook e Twitter. Mesmo aparelhos mais baratos com o sistema rodam bem, e a fragmentação quase não existe: virtualmente todo Windows Phone possui o WP8 ou 8.1. Aqui está a sua frase de efeito, Microsoft: o Lumia é o melhor smartphone que cabe no seu bolso.

2-Libere a flexibilidade

Qualquer pessoa que já usou vários Windows Phones, no entanto, sabe que com o tempo aparece a decepção por conta da mesmice dos aparelhos. Esse é o outro lado da similaridade: se você comprar um novo Windows Phone, as chances são que você conseguirá “clonar” seus apps e dados conhecidos para um novo celular com cores de doces que se parece muito com o seu aparelho anterior.

Critique o quanto quiser o TouchWiz, da Samsung, ou o Sense, da HTC: o Android permite um espaço para as fabricantes experimentarem e se diferenciarem, ganhando fãs leais no processo. A Microsoft não tem isso. E com virtualmente todo Windows Phone (com exceção do HTC One)  feito pela Microsoft, apenas não existe a flexibilidade oferecida pelo Android. Qualquer um pode colocar um aplicativo de pum na Windows Store, mas você não permite que a HTC refaça a tela Início? Isso é andar para trás.

Isso é exatamente o que a Apple oferece ao longo das gerações e gerações de iPhones, obviamente. Mas em cada novo modelo, a Apple anuncia exatamente pelo que você vai querer esperar na linha do último modelo. A Microsoft faz isso? Não.

3-Recursos criam o carro-chefe

Já surgiram rumores de um Lumia com uma câmera de 50MP. Também estou cético quanto a isso. Mas a Microsoft precisa de algo para os consumidores se animarem – não apenas armazenamento ilimitado no OneDrive.

E se a Microsoft aparecer com algo inovador, nós ficamos sabendo disso? Não. Não fiquei impressionado com o app Lumia Selfie. Mas ele consegue duas coisas. A primeira é que, por conseguir fazer selfies usando a câmera traseira maior, elimina a necessidade das câmeras de 5MP para selfies como acontece no Lumia 735. Em segundo, é um app que nenhuma outra plataforma possui.

Pense grande e longe, Microsoft. Atire na lua. Dê para todo usuários Windows Phone que comprar um Lumia 520 aquela esperança brilhante de que um dia ele vai comprar o Lumia Zeus, aquele phablet de seis polegadas e tela quad-HD que se conecta ao seu Xbox One e destrava quando sua Microsoft Band fica próxima. Mas se não fizer isso, tente ao menos convencer o mundo que está fazendo uma diferença.

4-Adoramos nomes

Para quem se identifica com sua nova BMW 325i, ótimo. De verdade. Pessoalmente, números nunca significaram muito, a não ser para marcar uma nova geração de um produto. Se maior não significar melhor, então as coisas podem ficar confusas.

Os nomes, por outro lado, projetam uma aura de intimidade. O nome não precisa ser “quente e acolhedor”: todos sabemos o que alguém quer dizer quando diz que ama seu Nexus. Mas com os nomes numéricos dos produtos da Microsoft, algumas vezes preciso pensar: Ok, qual é qual? E como muitos são parecidos, sou forçado a “caçar” as especificações técnicas e a data de lançamento.

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