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Artigo: Steve Jobs e a “morte dos PCs”

Ao lançar o iPad 2, o líder da Apple voltou a entoar o mantra da "morte dos computadores tradicionais". Ele está certo?

PC World/EUA

14/03/2011 às 9h39

Foto:

Algumas afirmações ficam zumbindo em nossas cabeças,
de acordo com quem as profere. É o caso da recente colocação de Steve Jobs, todo
poderoso da Apple, ao dizer que o mundo estaria chegando ao final de uma era: a
dos PCs. Durante a conferência D8, realizada em 2010, Jobs comparou os PCs aos
caminhões. Eles estariam por aí por mais alguns anos, mas seu uso seria
algo muito exclusivo. Ao lançar o modelo 2 do iPad, Jobs voltou a entoar o
mantra do “adeus PCs”.

É compreensível que a Apple veja a questão dessa maneira. Ainda
que a venda de computadores da empresa continue a crescer, eles estão longe de
entrar para a lista de mais vendidos. Já os novatos tablets, smartphones
e outros dispositivos móveis abocanham uma fatia cada vez maior do mercado. Se,
por um lado, o sistema Android, da Google, continua a ser um adversário de
respeito, os lucros oriundos dessa plataforma são divididos entre empresas como HTC, Google, Samsung, Motorola e outros, a iPlataforma (iPad, iPhone etc)
estufa as contas de uma única empresa. Pode-se concluir que a Apple não esteja
apenas torcendo pela extinção dos PCs: ela vai declarar guerra e procurar se
afastar dessa linha em vias de extinção.

Será?
Por ironia, Jobs diz que os PCs estão morrendo. Ainda assim,
a empresa faz de tudo para manter o usuário de seus produtos vinculados a
máquinas do tipo desktop ou notebook. A insistência da Apple em fazer do iTunes a
única maneira de um computador se comunicar com os gadgets é um bom exemplo.

Para publicações como a PC World e outras, esse tipo
de afirmação vem roubar o sono de editores e de profissionais de mídia. Mesmo
assim, a perspectiva de PCs serem iguais aos caminhões é bastante criticável
(em alguns aspectos pelo menos).

É certo que os tablets tiveram influência sobre o mercado de
computadores. Consumidores buscam cada vez mais os smartphones com alto
desempenho para ter um “PC de bolso”. Isso determina a taxa de vendas de
laptops e de netbooks, mas está longe de afetar a venda de PCs desktop.

Atualmente, ninguém ousa dizer que um tablet consegue, por
foça de limitação de processamento e de recursos, substituir um desktop. A presença
de um teclado físico, uma quantidade de memória RAM invejável e janelas que
facilitam o trabalho de multitarefa são apenas alguns dos motivos principais da
predileção por PCs a hora de dar conta de algumas tarefas. Não é razoável afirmar
que a produtividade ofertada por essas máquinas é um item necessário apenas
para profissionais enfurnados em baias – produtividade é a chave do sucesso
para todos os profissionais que usem plataformas digitais para dar contade suas
atribuições. E tal produtividade falta nas soluções portáteis.

Se os tablets quiserem se sobressair, não bastará apenas
resolver os problemas de desempenho, é necessário dar conta da ausência do
teclado. Além disso, manter o consumo de energia baixo, na casa dos 20 ou 30
watts, é – ainda – inviável se quiserem dar um passo em direção ao problema do
teclado. Além disso, à medida que os tablets e smartphones ficam mais potentes,
o mesmo pode ser dito dos PCs, que vão oferecer as soluções necessárias às
empresas na busca por equipamento mais poderoso.

Então o PC não está morrendo...

Afinal de contas, o que é um Personal Computer (nome
completo do sr. PC)? Será definido pelo sistema operacional instalado? Linux,
Windows ou Mac OS? Um teclado faz de algo um PC? Será a quantidade de energia
consumida? Não é possível definir claramente, pois um MacBook Air é tão “PC”
quanto um Samsung Galaxy Tab. Além disso, os smartphones da atualidade têm
poder de processamento igual aos dos PC de cinco ou seis anos atrás.

A conclusão é qiue não estamos nos afastando dos PCs, ou que
esse equipamento seja um item de trabalho indispensável a apenas 20% da
população. O que podemos prospectar é que os PCs estarão por toda parte. O nome
Personal Computer, que merece ser alterado para “computador unipresente”, estará nas
bolsas, preso às cinturas, nas casas, escritórios, nos painéis de automóveis e
nos assentos traseiros de aviões e automóveis. Não é, definitivamente o fim da
era dos PCs mas o fim do “único PC”.

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