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Artistas independentes usam a internet para divulgar seu trabalho

Seja em redes sociais, download de músicas ou vídeos de shows, a web democratizou a música. Saiba mais sobre o fenômeno.

Lygia de Luca, repórter do IDG Now!

09/06/2008 às 19h01

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fama_web_88Há alguns anos, os artistas esperavam o aval de uma grande gravadora ou estúdio para divulgar seus trabalhos. Hoje, o universo é online: a internet não só democratizou a música como também se tornou um meio eficiente de publicidade para artistas independentes.

Este é o caso da banda Dance of Days, líder do serviço Download Remunerado, da Trama Virtual, e da cantora Mallu Magalhães, que registrou, em 6 meses, mais de 850 mil acessos em músicas de seu perfil no MySpace.

Além deles, artistas independentes e hoje famosos, como o Autoramas e o Cansei de Ser Sexy (CSS), usam a internet em benefício de suas carreiras.

“Agora é o inverso. As gravadoras começam a procurar os artistas que estão acontecendo na internet. Temos muita sondagem sobre o que as bandas têm feito ou se estão com bastante acesso”, conta o diretor artístico do MySpace, Luiz César Pimentel.

Além disso, Pimentel diz que a internet é um terreno democrático. “O espaço de divulgação é o mesmo. As pessoas interessadas em música buscam um terreno mais limpo que a mídia tradicional”, diz.
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“O modelo tradicional já se esgotou, é um fato. O que as mídias propuseram também já era. A música brilha na internet como ela sempre brilhou em todas as esferas”, opina o músico e presidente da Trama Virtual, João Marcello Bôscoli.

Segundo sua lógica, quanto mais fácil o acesso, mais pessoas escutam música. Tanto que o Autoramas conseguiu, pelo MySpace, realizar uma mini-turnê na Europa.

“Um cara ouviu nosso som e mandou uma mensagem pelo nosso perfil. Ele acabou nos ligando e fomos pra Espanha, Portugal e Inglaterra. Com esse contato, conseguimos ir pra Bélgica e Holanda também”, lembra o vocal e guitarrista do Autoramas, Gabriel Thomaz.

Já a banda Cansei de Ser Sexy (CSS) usa o MySpace para divulgar as datas de shows para os fãs. A assessora do grupo revela que, em questão de horas, os ingressos são vendidos.

Recentemente, a CSS esteve envolvida em uma polêmica graças a conquista do primeiro lugar entre os vídeos mais vistos no YouTube. Com quase 100 milhões de visitas e suspeitas de fraude levantadas, a banda virou notícia sem solução. O Google não conseguiu terminar as investigações, já que o autor do vídeo tirou o mesmo do ar.
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No caso da jovem Mallu Magalhães, o MySpace foi e ainda é o meio de divulgação das músicas que compõe no auge de seus 15 anos de idade.

Pimentel destaca que este caso é excepcional, pois em três meses “ela teve mais de um bilhão de visitas únicas em seu perfil, além de receber propostas para tocar por festivais no Brasil e no comercial da Vivo”.

E o sucesso online é tanto que Mallu não aceitou outro tipo de proposta - as recebidas de gravadoras. Ela resolveu seguir o caminho próprio, segundo Pimentel.

Além de Mallu, outros hoje famosos internacionalmente contaram com o MySpace, conhecido pelo enfoque em música, para aparecer: Amy Winehouse, Lilly Alen, Sean Kingston e Paramore.

Dinheiro no bolso
A internet também ajuda os artistas a ganharem dinheiro - sim, diretamente, pela própria rede. No Brasil, o projeto Download Remunerado, da Trama Virtual, tem no topo de seu ranking a banda Dance of Days.

A mecânica do serviço é o pagamento aos artistas de acordo com o número de downloads de suas faixas. A média de ganho, por música, fica em cerca de 10 centavos - dinheiro investido por patrocinadores.
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A Dance of Days acumula em torno de 124 mil downloads desde o início do projeto, há 9 meses - o que gerou receita de aproximadamente 15 mil reais.

Entre as empresas que já patrocinaram o Download Remunerado, estão a Mormaii, Volkswagen, Sol, Kildare, VR e ABN AMRO.

“Estamos com a Trama desde o começo, antes dos downloads serem remunerados. É muito importante pra nós, que somos independentes, pois nosso disco dificilmente chega no Brasil inteiro”, explica o guitarrista da banda, Tyello.

O problema de distribuição também é lembrado por Thomaz, do Autoramas. “Quando fomos tocar em Rondônia, nossos fãs disseram que nunca viram nossos CDs nas lojas. Mas no show, estão todos cantando nossas músicas”, afirma.

O Dance of Days conseguiu, pela divulgação na web, fazer mais shows - como nos festivais Abril Pro Rock e Porão do Rock. A banda também está lançando um disco em formato 100% digital, no projeto Álbum Virtual, da Trama, que estréia junto com o Tom Zé, no dia 20 de junho. É possível, por enquanto, baixar a obra pelo site Extreme Days.
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Com poucos meses de vida, a banda também independente LesTics conseguiu marcar seus primeiros shows graças à aparição na MySpace TV. Antes disso, criou um site com algumas músicas e, por meio dele, vieram resenhas positivas de sites de música independente.

“Daí as coisas começaram a acontecer”, resume Umberto Serpieri, guitarrista da banda. Graças ao sucesso, ele precisou, junto ao parceiro musical Olavo Rocha, formar uma "banda real" - até então, a dupla havia gravado todos os instrumentos.

“A idéia não era fazer um CD e sair divulgando. Gravamos em um esquema simples, só pra registrar”, explica Serpieri. Mas quando foram chamados para o programa No Estúdio, foi preciso “montar” a banda.

“Como lá tocamos ao vivo, as pessoas vêem que não somos fabricados, e isso nos ajuda muito a fazer shows”, diz Serpieri.

Além do talento, Pimentel destaca que a pró-atividade ajuda os independentes a alavancarem a carreira pela web.

“Primeiro, é preciso se movimentar. Em um perfil do MySpace, quanto mais você se mexe, mais as pessoas te acham, pois seus amigos recebem informação sobre suas atualizações”, explica. “O pior é ficar estático.”
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O caso entre a web e a música
“A internet dá o direito do artista existir”, simplifica Bôscoli, sobre a presença da internet em carreiras musicais.

A afirmação do presidente da Trama corresponde ao número de bandas que não só despontam na internet, mas que a usam para literalmente existir.

O MySpace tem, no mundo, 13 milhões de perfis de artistas - sendo 91 mil no Brasil, entre mais de 1,5 milhão de integrantes da rede social.

O cenário musical online é dominado, por enquanto, pelas bandas independentes do estilo indie, rock e emo. A tendência segue o “movimento de bandas de garagem”, que Pimentel avalia como mais recorrente. “O formato do grupo é mais fácil - guitarra, baixo e bateria - e facilita”, diz.

Independente do estilo que predomina na web, fato é que muitos artistas usam o cenário online como ‘audição’. “A web abriu a oportunidade das pessoas se mostrarem, e a maré é igual pra todo mundo”, opina Pimentel.
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Além disso, o mundo online oferece uma “riqueza de possibilidades de modelos de negócio”, segundo Bôscoli. “Fica meio óbvio eu dizer isto, mas há dez ou 15 anos, os artistas dependiam de um pequeno grupo de pessoas para publicar sua obra ou fabricar um disco. Hoje, você queima um CD no computador e põe a música na internet”, diz.

Mas apesar de tantas possibilidades, Bôscoli afirma que a realidade da internet não é diferente da de fora. “Se você entra em uma loja de música, quantos ganharam um disco de platina?”, exemplifica.

Thomaz concorda: “Se você não se destacar, ficará no nível de 1 bilhão de bandas.”

Outra vantagem para os músicos é ter contato direto com seu público. “A internet é um canal aberto ao relacionamento com os fãs - e vice-versa”, diz Bôscoli.

Para os fãs de musica, nada melhor do que a democracia online. “Há um tempo havia o jabá, as pessoas eram educadas pelo que tocava no rádio e na novela, e sabíamos que aquilo era um negócio. Agora as pessoas têm na web o que querem, na hora que desejam”, conclui Pimentel.

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