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As principais plataformas da história da Apple – Parte 1

Macworld / EUA

01/03/2013 às 17h45

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Se você pedisse para alguém nomear as plataformas de computação da Apple, provavelmente receberia três respostas: Apple II, Mac, e iOS. Mas a verdadeira história da herança de plataformas da Apple é muito mais rica e variada do que a maioria das pessoas percebe.

Nos últimos 36 anos, a empresa de Cupertino criou ao menos 13 plataformas diferentes, cada uma sendo a casa da sua própria variedade única de sistema. Alguns desses ecossistemas conheceram mortes rápidas pelas mãos de um mercado imperdoável, enquanto outros persistiram.

Tecnicamente, uma plataforma de computação é definida pela combinação de sistema operacional e arquitetura de hardware subjacente. Você pode dizer, então, que, de certa maneira, cada plataforma representa sua própria espécie de máquina, capaz de rodar seus próprios aplicativos de forma nativa, mas não os de outras plataformas.

Apesar de essa definição de plataforma parecer simples, é fácil agrupar ou reagrupar as famílias de tecnologia da Apple, dependendo de quais características você enfatizar, por isso não há uma maneira exatamente correta de fazer isso. Nessa lista em especial, você verá as plataformas da empresa agrupadas primeiramente por família de produtos, que, com algumas exceções, são geralmente centradas em torno de uma única arquitetura de hardware ou paradigma de software.

Vale notar que a Apple lançou vários outros produtos que são tecnicamente computadores “em seus corações”, como a série AirPort Wi-Fi e a Time Capsule. Como esses aparelhos possuem funções únicas – puxando seus códigos do firmware com nenhum potencial realista de rodar alguma coisa – os excluímos da lista. Tecnicamente, o iPod Shuffle atende a esse critério também, mas ele foi incluído por fazer parte da “família iPod”.

Infomações das plataformas

Com tantas informações pela frente, será útil esclarecer alguns termos usados para descrever essas plataformas, o que vamos fazer de forma breve aqui. Também vale lembrar que sempre que uma propriedade é comum a todas as subplataformas, ela só é listada na seção da plataforma principal.

Anos em que durou: Os anos em que a plataforma esteve/está ativa.

Classe de CPU: A arquitetura básica de CPU para a plataforma.

Sistema: O sistema operacional autorizado pela Apple disponível para a plataforma.

Status de desenvolvimento: “Aberto” significa que a Apple permite o desenvolvimento irrestrito de terceiros para a plataforma. “Fechado” quer dizer que a Apple não autoriza todos os desenvolvimentos de terceiros. “Moderado” significa que a Apple permite o desenvolvimento de terceiros com permissão e gerenciamenteo especial.

Tamanho da plataforma: Uma contagem de modelos distintos lançados na plataforma. Esse número ode variar amplamente, dependendo de como você diferencia os modelos (especialmente com a plataforma Mac), por isso deve ser usado como um indicador mais aproximado.

As plataformas a seguir aparecem na ordem em que o modelo incial delas foi lançado originalmente.

Apple I (1976 a 1977)

Classe da CPU: MOS 6502
Sistema: System Monitor
Status de desenvolvimento: Aberto
Tamanho da plataforma: 1

A história a seguir deve soar familiar: o Apple I surgiu como um microcomputador de plataforma criado por hobby por Steve Wozniak para seu próprio uso. O amigo Steve Jobs então convenceu Woz a transformá-lo em um produto, e assim a Apple nasceu.

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A plataforma do Apple 1 não era muito grande, uma vez que só durou um ano e a máquina raramente saía dos círculos de “hobbistas” da Califórnia. O computador, que era vendido como uma placa de circuito sem um case, fonte de energia, ou teclado, recebeu apenas algumas aplicativos oficiais da Apple. É difícil apontar quantos software de terceiros foram lançados para a plataforma, mas os poucos lançados normalmente usavam as sacolas Ziploc para empacotar o produto.

Apesar do curto ciclo de vida e do baixo impacto comercial do Apple I, o hardware e a tecnologia de software sob o conjunto de 8-bit baseado em 6502 “preparou o terreno” para o Apple II, que seria lançado um ano depois.

Apple II (1977 a 1993)

Classe de CPU: MOS 6502
Sistema: Apple DOS, Apple Pascal, ProDOS 
Status de desenvolvimento: Aberto
Tamanho da plataforma: 7

Quando chegou a hora de criar um sucessor para o Apple I, Wozniak se baseou no seu amor por videogames para criar o sistema de computador colorido menos caro do mundo. O Apple II trazia a mesma CPU MOS 6502 de 8-bit do seu antecessor, mas adicionou (entre outros recursos) uma série de slots de expansão que estenderam significativamente o ciclo de vida da plataforma. Ah, e também trazia um case, um teclado, e uma fonte de energia.

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Com 7 variações principais do Apple II (no mercado norte-americnao) ao longo de quase duas décadas, a plataforma tornou-se o centro de um ecossistema amplo e vibrando com muitos acessórios e aplicativos da Apple e de outras empresas. O Apple II foi a plataforma mais popular da empresa de Cupertino por um bom tempo – mesmo durante os primeiros anos do Macintosh no mercado.

Apple III (1980 a 1984)

Classe de CPU: 6502
Sistema: SOS, Apple Pascal
Status de desenvolvimento: Open
Tamanho da plataforma: 2

O Apple III representou a primeira tentativa da Apple de fornecer produtos específicos para o mercado corporativo de computadores. Porisso, a Apple impediu intencionalmente a compatibilidade com o anterior Apple II para diferenciar o novo produto em preço e mercado. Essa decisão voltou para “assombrar” a Apple quase que imediatamente. O gerenciamento confuso da Apple assistiu enquanto o Apple II, com seu vasto suporte de expansão de terceiros, rapidamente ganhou capacidades iguais e até adicionais em relação as presentes no Apple III, acabando assim com qualquer vantagem verdadeira que o novo produto pudesse ter sobre o anterior.

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Preço alto, suporte limitado de terceiros, e um lote inicial de aparelhos com problema levaram a uma adoção tímida do Apple III e a sua descontinuação em 1984. No entanto, seu sistema flexível e bem-recebido (SOS, de Sophisticated Operating System) serviu como inspiração para o ProDOS no Apple II, que ajudou a estender o ciclo de vida da plataforma até o início dos anos 1990.

Apple Lisa (1983 a 1985)

Classe de CPU: Motorola 68K
Sistema: Lisa OS, SCO Xenix
Status de desenvolvimento: Aberto
Tamanho da plataforma: 2

O Apple Lisa conheceu sua criação quando Steve Jobs e alguns funcionários da Apple deram um passeio na Xeror PARC, um centro de desenvolvimento e pesquisas da gigante das copiadores. Lá, eles viram uma máquina avançada chamada Alto que usava uma interface gráfica com bitmap e um aparelho chamado mouse.

A Apple logo criou sua própria plataforma com janelas e bitmap, o Lisa, que tornou-se um dos dois primeiros microcomputadores comerciais equipados com uma interface gráfica de usuário (GUI). Seu alto preço (10 mil dólares na época do lançamento, lentidão, e drives proprietários com problemas impediram o crescimento da plataforma.

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Reagindo às críticas, a Apple redesenhou o Lisa com um novo drive no ano seguinte – enquanto lançava o Macintosh, muito mais barato e também baseado em uma interface gráfica de usuário. As altas vendas do Mac em comparação com o Lisa condenaram o segundo ao esquecimento.

Entre os poucos consumidores que compraram o Lisa, a maioria ficou satisfeita com um pacote de ferramentas gráficas de produtividade que a Apple incluiu no computador. As baixas taxas de adoção tornaram o desenvolvimento de programas desinteressante para terceiros, e muitos poucos apps de outras empresas realmente chegaram a essas séries de máquinas grandes e caras.

Macintosh (1984 até hoje em dia)

Status de desenvolvimento: Aberto
Tamanho da plataforma: 210+

A plataforma Macintosh surgiu pela primeira vez em 1984, e está entre nós desde então (com formas muito variadas, é verdade). Nas últimas décadas, a plataforma viu três grandes mudanças de hardware (entre 68K, PowerPC, e CPUs x86) e uma grande mudança de sistema (entre o Classic OS e o atual OS X). 

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Apesar de algumas pessoas poderem argumentar que esses três tipos de CPU constituem três plataformas separadas (e tecnicamente isso é verdade), a Apple acompanhou cada mudança de hardware com camadas de emulação que preservaram compatibilidade reversa, mantendo assim o espírito do Macintosh entre as revisões de hardware.

Com essas três subplataformas de hardware, o ecossistema do Mac é ainda mais subdivido pelo uso de diferentes sistemas operacionais como o A/UX, baseado em Unix, em máquina 68K, e, obviamente, a mudança entre o clássico Mac OS e OS X na época do PowerPC.

Com amplo suporte de terceiros e literalmente centenas de membros na família, o Macintosh aparece como a plataforma mais popular da Apple até o momento.

Macintosh 68K (1984 a 1996)

Classe de CPU: Motorola 68K
Sistema: Mac OS, A/UX
Tamanho da plataforma: 72

Macintosh PowerPC (1994 a 2006)

Classe de CPU: PowerPC
Sistema: Mac OS, Mac OS X
Tamanho da plataforma: 87

Macintosh x86 (2006 até hoje em dia)

Classe de CPU: Intel x86
Sistema: Mac OS X
Tamanho da subplataforma: 51+

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Apple IIgs (1986 to 1992)

Classe de CPU: WDC 65816
Sistema: ProDOS 16, System 1.x to System 6.x
Status de desenvolvimento: Aberto
Tamanho da plataforma: 1

Longe de ser apenas outro produto derivado do Apple II, a plataforma Iigs é, na verdade, uma superconfiguração da plataforma anterior de 8-bit. Essa máquina “pós-Mac” expandiu significativamente em comparação ao processador 8-bit ao usar um processador de 16-bit que permitia o uso de mais memória de sistema e execução mais ágil de programas. Um novo chip gráfico e um sintetizador de som impressionante  diferenciaram ainda mais o Iigs dos seus “primos” de 8-bit.

Como um membro da família Apple II, o processador WDC 65816, do Iigs, continha um modo de emulação que podia executar programas escritos para o processador 6502 do Apple II original com cerca do dobro da velocidade, levando adiante assim o vasto legado de programas do Apple II.

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No entanto, esse novo processador também permitia a criação de aplicativos mais novos e poderosos, feitos especificamente para tirar vantagem das melhorias de hardware únicas do IIgs.  Em conformidade, a Apple criou um sistema operacional especial de 16-bit (ProDOS 16) e depois introduziu uma interface gráfica colorida reminiscente do Macintosh.

De modo geral, o IIgs permaneceu uma plataforma popular por pelo menos cinco anos (especialmente em educação), apesar do suporte limitado da Apple. O foco no Macintosh colocou um fim na trajetória do IIgs em 1992.

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