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Escassez de metais raros pode afetar produção de gadgets

De discos rígidos até carros híbridos, muitos aparelhos de alta tecnologia ainda dependem de componentes feitos com metais conhecidos como "terras raras".

IDG News Service

06/10/2010 às 14h43

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Imagine um smartphone do tamanho de um sapato. Ou um notebook pesando 10 kg. 

Estes são exemplos do que estaríamos carregando em nossas bolsas atualmente, se não fossem os metais do grupo das terras raras, um conjunto de materiais com propriedades únicas, que permite a redução no tamanho dos componentes eletrônicos, incluindo capacitores, lasers e ímãs poderosos.

De discos rígidos até carros híbridos, muitos dos dispositivos de alta tecnologia encontrados hoje ainda dependem de componentes feitos com estes elementos para funcionar corretamente. Isso obriga os governos e os fabricantes a encontrarem novas fontes de matérias-primas. 

As terras raras são um grupo de 17 metais, incluindo o neodímio, utilizado em ímãs, e érbio, usado em lasers.

Há muito tempo, países como os Estados Unidos possuíam suas próprias fontes de metais deste tipo. Hoje, no entanto, são abastecidos pela China, onde os custos com mineração são menores e as regras ambientais menos rigorosas. Estes fatores fizeram do país o maior produtor mundial deste material, responsável por exportar 90% da demanda global, dizem analistas. 

No mês passado, o controle em relação ao fornecimento chinês se tornou evidente, quando jornais informaram que ele tinha parado de exportar estes metais ao Japão na iminência de uma crise diplomática entre as duas nações.

"A ação da China tem gerado incertezas", declarou Dudley Kingsnorth, um especialista no assunto, da instituição australiana Industrial Minerals Company Australy. "Sem dúvida as pessoas diversificarão suas fontes para reduzir a dependência em relação ao país asiático. Entretanto, isso não acontecerá da noite para o dia“, completou ele.

O Japão, um grande importador destes materiais, está explorando ativamente outras fontes como Canadá e a Austrália, analisando também processos de reciclagem de dispositivos eletrônicos antigos.

Outro caso interessante vem do Congresso dos EUA, que analisa mudanças na legislação para reestruturar as fontes destes metais. Embore o domínio seja da China, existem previsões que este país continue a liderar as exportações do material por, no máximo, mais dois ou três anos.

Olhando os custos, um déficit no suprimento de terras raras não significará obrigatoriamente um aumento no valor mínimo dos elementos, ou elevação no preço dos aparelhos eletrônicos, dizem analistas. Isto porque muitos deles utilizam apenas pequenas quantidades destes metais. "Um computador portátil, por exemplo, carrega entre 50 e 80 centavos de dolár de terra rara", disse Kingsnorth. "Mesmo que tripliquem o preço deste material, nada impedirá as pessoas de comprá-lo", completou.

Já para outros produtos eletrônicos, estas substâncias são fundamentais, por exemplo, para a miniaturização e por torná-los capazes de serem executados com eficiência. Sem ímãs de neodímio de alta performance, os fabricantes serão obrigados a projetar equipamentos maiores e mais pesados. 

"Você não teria um laptop sem esses ímãs", acrescentou Kingsnorth. "Ele teria que pesar 4 ou 5 vezes mais". Devido à crescente demanda interna de terra rara, a China já estipulou limites às suas exportações. 

Por outro lado, a demanda deve aumentar cada vez mais nos próximos meses. Segundo algumas projeções, a procura por tais metais pode quase dobrar até 2015, devido ao aumento na procura de carros com motores híbridos, por exemplo. 

 "A China prefere exportar produtos de valor agregrado e não apenas a matéria prima", disse Jim Sims, um porta-voz da Molycorp. "Este é provavelmente o modelo que a América Latina deveria tentar imitar", finalizou ele.

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