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Banda larga: Fora das grandes capitais, brasileiros ainda sofrem

Internautas que não estão no eixo Sul-Sudeste falam de suas experiências com a net de velocidade não tão alta e preços mais caros.

Redação do IDG Now!

28/04/2009 às 17h45

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internet-lenta-88.jpgNavegar em alta velocidade, baixar músicas, assistir a vídeos no YouTube e trocar arquivos com os amigos. Todas essas atividades são possíveis graças às conexões de banda larga, cada vez mais populares no País. Principalmente para quem mora nos Estados do Sul e do Sudeste - onde uma conexão de 10 Mbps é vendida por 59,90 reais ao mês e existem até conexões de fibra óptica que proporcionam velocidades de 30 Mbps.

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Mas como é a vida de quem mora fora dessa “bolha”? A reportagem do IDG Now! ouviu vários assinantes de bandas 'dita' largas em Estados como Maranhão, Piauí e Paraíba. Pelos relatos, percebe-se que,basta sair da proximidade dos grandes centros para as velocidades despencarem e os preços subirem.

O leitor Lucas Muniz Alves, de São Luiz (MA), conta que “a banda larga é muito lerda e cara”. “Uma conexão da TV a cabo (da empresa TVN) de 300 Kbps custa 80 reais e ainda tem que assinar o serviço de TV, pois a venda é casada. Estou vendo aqui que esta mesma empresa já esta fornecendo um serviço de 6 Mbps no valor ‘irrisório’ de 344,90 reais”, afirmou. “Sem contar que muitas cidades do interior do Estado ainda nem contam com o serviço de telefonia móvel, que dirá de internet.”

Em João Pessoa (PB), o leitor Pedro Alves Jr. afirma que os principais serviços são o Velox (da Oi), a Jet e a NET, que entrou no mercado após comprar uma operadora local de TV a cabo. Ele conta que sua conexão de 256 Kbps, da NET, custa 125,22 reais por mês.

No Amazonas, outro Estado com infraestrutura precária de internet, os preços são um pouco melhores, mas também não são dos mais convidativos. O leitor Thalisson Torres conta que paga, com desconto, 85 reais por mês em uma conexão de 200 Kbps. Em São Paulo, por valor semelhante, Thalisson conseguiria uma conexão de 4 Mbps, caso fosse assinante do Speedy. Ele reclama ainda da qualidade do serviço. “Minha banda ‘larga’ não é de boa qualidade e vive fora do ar”, afirmou.

Jorge Brandão, do Piauí, conta que assina o provedor Velox, da Oi, e paga 150 reais por uma velocidade de 1 Mbps. “Mas é muito ruim, (a velocidade) talvez chegue a 300 Kbps”, disse. Ele conta que em sua empresa consegue um link de 2 Mbps por 200 reais, mais quatro linhas telefônicas, porém o serviço “só pode ser instalado em empresas”.

E se engana quem pensa que as dificuldades de acesso estão limitadas a Estados do Norte e Nordeste. A apenas 200 km de distância de São Paulo, em Santa Rita do Sapucaí, o Velox não chega a todos os bairros da cidade, como conta Eduardo Lopes. Ele conta que esse problema atinge várias outras cidades da região que tem menos de 100 mil habitantes. Problema parecido tem Alexandre Custódio, que mora em Avaré e não consegue ter uma conexão mais rápida do que 1,2 Mbps, pois o provedor (Speedy) não tem “disponibilidade técnica”.

Políticas públicas
Na avaliação de Cássio Tietê, diretor de expansão de negócios da Intel Brasil, esses problemas acontecem porque a penetração da banda larga no País mal passa os 5%. Segundo dados do último Barômetro Cisco, estudo que mede o uso das conexões de alta velocidade no Brasil, apenas 5,16% da população conta com esse serviço. O Nordeste tem o índice mais baixo, com apenas 1,1% de penetração.

Para Tietê, “falta um grande plano de banda larga nacional”. “Não existe política pública de inclusão e universalização, como existiu com a telefonia ou com o projeto de computador popular”, disse. Ele acredita que o governo deveria olhar com mais atenção ao problema e usar a banda larga como ferramenta de incentivo ao desenvolvimento.

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