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Beatles x iTunes: McCartney culpa EMI por ausência na loja da Apple

Entenda como a briga entre as duas "Apples" adiou a inclusão do catálogo da banda na loja virutal; músicas das carreiras solo dos integrantes já estão disponíveis

Macworld/Reino Unido

19/05/2010 às 12h11

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“Chatices do mundo dos negócios” devem ser culpadas pela ausência contínua (e visível) dos discos dos Beatles no iTunes, segundo uma recente entrevista de Paul McCartney ao programa Newsbeat, da BBC Radio One.

De acordo com o músico, o EMI Group, que possui os direitos das gravações do grupo, é a última parada em uma longa – e definitivamente sinuosa – estrada que tem deixado o trabalho do quarteto de Liverpool emaranhado em uma rede de complicações e acusações, mantendo suas canções longe da loja de música da Apple.

“Para te falar a verdade, eu não entendo realmente como isso ficou tão complicado”, afirma McCartney ao Newsbeat. “Eu sei que o pessoal do iTunes gostaria de fazer isso, então um dia vai acontecer.”

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Os Beatles no início de carreira, nos anos 1950: provavelmente nenhum deles imaginava o que viria ser um iPod.

Bom, Sir Paul. Talvez nós possamos dar uma pequena ajuda e explicar essa verdadeira saga aos nossos leitores.

Até pelos seus nomes, a relação entre a Apple Corps. e a Apple Computer nunca foi realmente amigável. Os problemas começaram em uma época em que a própria ideia de algo como o iTunes e o iPod teria sido considerado roteiro de um filme de ficção científica; em 1978, a Apple Corps., a holding fundada pelos Beatles para administrar seus negócios, processou a Apple Computer por violação de marca registrada (trademark). A ação judicial finalmente saiu dos tribunais por uma quantia que foi originalmente estimada na casa dos dez milhões de dólares, mas depois foi revelada se tratar de meros 80 mil dólares.

Como parte de seu primeiro encontro legal, as duas companhias concordaram em não invadir os negócios da outra: os rapazes de Liverpool não produziriam equipamentos de computadores, enquanto a empresa de Steve Jobs iria se conter para não lançar produtos musicais.

Mas, na década seguinte, as rivais acabaram no tribunal mais duas vezes, sempre pelo vício por música da Apple Computer – funcionalidade relacionada às suas linhas de computadores; a contínua batalha legal da fabricante americana com sua “irmã” britânica levou o desenvolvedor Jim Reekes (que aparece no documentário “Welcome to MacIntosh”, de 2008) a batizar de “sosumi” o som inicial do Mac, uma versão disfarçada de “so sue me” (algo como “então me processe").

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Ainda não há previsão de quando será possível comprar e baixar as músicas dos Beatles diretamente pelo iTunes para o seu iPod

O próprio iTunes não apareceu no foco legal da Apple britânica até 2003, quando processou mais uma vez sua rival da Califórnia pelo uso de sua marca registrada na Music Store (Loja de música) do iTunes. Desta vez, a fabricante de computadores levou a melhor quando um juiz britânico decidiu a favor da Apple e até ordenou que a Apple Corps. pagasse taxas legais.

Em 2007, a Apple Computer mudou seu nome para Apple Inc. (tornando assim a tarefa de escrever um artigo sobre as duas companhias ainda mais difícil) e anunciou um novo acordo com a Apple Corps., que lhe concedeu todos direitos do nome Apple em troca de um belo pagamento de 500 milhões de dólares. Na keynote da Macworld Expo daquele ano, Steve Jobs fez muitas referências aos Beatles – um fato que muitos acharam significar uma reconciliação e o iminente lançamento das músicas da banda na iTunes Store.

Pule para 2010, e nós ainda estamos esperando a chance de comprar na iTunes Stores clássicos como “Yesterday” e “Come Together” e sincronizá-los com nossos iPods, iPhones e iPads. Enquanto isso, todos os discos dos Beatles foram digitalmente remasterizados e disponibilizados em CD, e até em uma edição limitada em um pendrive em forma de...uma maçã(!), além de todas as músicas das carreiras solo dos quatros membros terem sido disponibilizadas pelo iTunes.

É claro que apenas as partes envolvidas sabem quais obstáculos ainda precisam ser resolvidos, mas é seguro apostar que dinheiro tenha algo a ver com isso – além de ser grande o número de pessoas e empresas que precisariam assinar um contrato sobre o assunto.

Para fechar qualquer acordo, seria necessária a aprovação de Paul e Ringo Starr, Yoko Ono e Olivia Harrison, Apple Corps., Apple Inc, e EMI. Considerando o tamanho dos negócios que os Beatles ainda comandam cerca de 40 anos após se separarem, e o fato de que a maioria das partes envolvidas teve, em algum ponto, uma batalha legal com a outra, não é nenhuma surpresa que as coisas se arrastem tão lentamente.

Podemos apenas esperar que todos os envolvidos desistam da ideia de esperar que cada pessoa no mundo compre os discos da banda antes de permitir que possamos baixar diretamente suas músicas.

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