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Com Android e iPhone, operadoras deixam aplicativos de lado

Operadoras começam a desistir de oferecer os aplicativos, deixando que essa relação fique entre desenvolvedores e clientes.

IDG News Service/EUA

22/09/2008 às 17h29

Foto:

android_ezinhos_88.jpgOperadoras móveis começam a deixar a criação de conteúdos e serviços  para celulares  nas mãos de outros ''jogadores", como a indústria que vem embalada pelo iPhone e os 110 novos fornecedores que surgem nesse ainda pequeno cenário.

O modelo de negócios da AT&T com a Apple para o iPhone fez o que operadoras estavam tentando fazer há anos: conseguir clientes entusiasmados com mobilidade de dados. Ela permite que os assinantes usem as riquezas da web com um navegador completo (embora sem Flash), e customizem seus telefones com aplicativos desenvolvidos e vendidos por alguém que não seja a operadora.

A maior explosão da história recente deve boa parte de seu sucesso ao que a Apple construiu, e não aos serviços das operadoras.

Nesta terça-feira (23/09) chega a próxima grande perturbação: Um celular para a rede norte-americana da T-Mobile com o sistema operacional do Google, o Android. E em breve a plataforma terá seu código aberto para que os desenvolvedores possam criar e vender seus próprios aplicativos livres de royalties e tê-los rodando em todos os aparelhos com Android.

Na seqüência da liderança do Google, uma versão open source do Symbian, o software que está em cerca de 60% dos aparelhos do mundo, deve aparecer no ano que vem. Já há celulares no mercado que usam sistema operacional baseado em Linux, pela LiMo Fundation, um consórcio de indústrias. E alguns fabricantes de aparelhos estão começando a olhar para softwares e serviços também.

Um executivo da AT&T disse no início do mês que está tarde demais para as operadoras pegarem o papel principal no desenvolvimento de novos aplicativos. "Nós perdemos o barco", disse Roger Smith, diretor de serviços da próxima geração de telefonia móvel.

O líder da rival Verizon Wireless, que lançou uma iniciativa neste ano para abrir sua rede a dispositivos e aplicativos de terceiros, pareceu aliviado em 'passar controle'.

"Nós não poderíamos segurar toda essa inovação e fazer todas essas apostas, treinar toda essa gente e assumir todas as despesas desse negócio", disse o presidente e CEO Lowell McAdam. "Agora, os desenvolvedores farão suas apostas e os consumidores irão decidir."

Redes móveis podem ser 'abertas' de dois modos - ambos tem sido abraçados pelas operadoras dos Estados Unidos. Uma delas é permitir em sua rede, sem controle rigoroso, a entrada de aparelhos que não são vendidos ou não recebem a marca da operadora, em vez de analisar um produto rigorosamente, personalizando sua interface, e determinando o momento de seus lançamentos para o ciclo de negócios da operadora.

A Verizon já está permitindo que alguns aparelhos especializados em um plano de rede aberta operem junto a sua atividade regular, e a Sprint Nextel usará uma abordagem similar com a quarta geração de sua rede WiMax, que deve sair neste mês.

A outra forma de abertura envolve dar aos desenvolvedores acesso às plataformas de software, deixando seus aplicativos funcionarem em muitos telefones com uma versão e trazendo vendedores e compradores de software juntos com menos supervisão da operadora.

Tradicionalmente, softwares de telefone são distribuídos em pacotes controlados pelas operadoras. Pacotes colocam aplicativos ou links para comprá-los direto do telefone para assinantes, com  o sistema de cobrança incluso no aparelho pela conta da operadora. Assim, os clientes sabem que o software foi testado e aprovado pela  empresa. Mas o tempo e o esforço envolvidos na aquisição de aplicativos 'assinados' ou aprovados pelas operadoras frustraram muitas empresas de software e algumas acreditam que eles provaram ter ferramentas muito boas para vender aplicativos, de qualquer maneira.

"Se você é um desenvolvedor pequeno, para cara celular, para cada operadora, cada mercado, tem que fazer a assinatura uma série de vezes", disse Rich Miner, gerente do grupo de plataformas móveis do Google. "Você começa a somar os recursos que precisa para ultrapassar todos esses obstáculos e eles se tornam insuperáveis."

O mobile web propriamente dito está se tornando mais viável com browsers melhores e redes de maior velocidade. Heysan, que fornece uma plataforma de mensagem de texto unificada, manteve seu serviço estritamente baseado na web pela falta de recursos para desenvolver aplicativos para múltiplas operadoras e sistemas operacionais. Desenvolver para dez plataformas, exigiria pelo menos 50 desenvolvedores, disse Gustaf Akstrinerm CEO e co-fundador da Heysan.

O grupo, baseado em São Francisco, tem apenas seis programadores. Mesmo assim, a Heysan atraiu  quase 500 mil clientes à sua base através das buscas do Google e da divulgação boca-a-boca. Ele não acredita que um pacote de operadora traria essa quantidade de usuários.

O iPhone da Apple e a App Store são o modelo da futura indústria de software. A Apple age como um portão de entrada para os aplicativos para iPhone, controlando seu próprio SDK (kit de desenvolvimento de software) e exercendo algum controle sobre o que está na App Store, mas não é tão rigorosa quanto uma operadora ao montar um pacote. Este modelo se revelou um grande sucesso, registrando mais de 100 milhões de downloads desde seu lançamento em julho. Mais lojas como esta estão a caminho, de acordo com os executivos da indústria.

"Usuários terão definitivamente muitas fontes para buscar aplicativos e conseguir as experiências que quiserem", disse John O'Rourke, gerente geral de fornecedores de softwares independentes da Developer and Competitive Strategy, da Microsoft.

O Google vai ainda mais longe que a Apple e sua App Store, deixando os desenvolvedores totalmente livres para distribuir seus próprios softwares sem certificação de ninguém.

A liberdade é a raiz das preocupações por parte de alguns observadores, pois desenvolvedores, incluindo  os que atuam nas operadoras que estão construindo programas baseados no Android, poderiam alterar tanto a plataforma que ela iria 'despedaçar'. Se cada aplicativo Android não puder funcionar em qualquer telefone Android,, o esforço perderia seu valor. O Mobile Linux já sofre críticas por isso.

"Quanto você pede a todos os fornecedores de soluções Linux qual porcentagem do software roda em todas as suas plataformas, a resposta está perto de zero porque há um grau muito elevado de fragmentação neste espaço", disse Jerry Panarossi, vice-presidente de operações Symbian nos EUA.

No entanto, as operadoras já lançaram 23 aparelhos baseados na tecnologia LiMo,  o que prova que o Linux está apto para o mundo móvel, segundo Morgan Gillis, diretor executivo da The LiMo Fundation.

Com as mudanças na plataforma feita pelos fornecedores de software, alguns fabricantes de hardware também estão buscando um pedaço do bolo. Enquanto a Nokia se prepara para abrir mão do controle do Symbian, está lentamente implantando um conjunto de aplicações e serviços. Eles incluem o sistema de compartilhamento de dados Ovi, a plataforma de games móvel N-Gage, o portal de conteúdo MOSH, e o Nokia Maps, baseado em uma tecnologia adquirida da Navteq por 8,1 bilhões de dólares no ano passado.

Os serviços da Nokia provavelmente impulsionarão o lucro da empresa , de acordo com analistas, mas também podem ajudar a Nokia a diferenciar seus equipamentos, com a atenção dos consumidores em direção ao iPhone - um formidável rival tanto em hardware quando em software - e à plataforma Android.

A Sony Ericsson também está começando a agir, desenvolvendo algo especial para sua próxima linha de smartphones Xperia. Os usuários serão capazes de escolher dentro de 16 telas iniciais, cada uma com sua própria seleção de sites e aplicativos, e basta tocar em um desses painéis para retornar à exibição atual.

Mas operadoras provavelmente não ficarão de fora como meros prestadores de serviços de banda larga. De sua parte, alguns esperam que alavanquem a presença em TV e banda larga doméstica para criar serviços triplos, que se juntam TV, PC e celular. Essas ofertas, tais como serviços de mensagens que trabalham com todos os sistemas, podem ser lucrativos e manterem os clientes fiéis.

Mas nem todo mundo está convencido. Esses serviços 'convergentes' podem servir principalmente para nichos de mercado, como pessoas que precisam programar seus gravadores digitais de vídeo de seus celulares, disse o analista da ABI Research, Clint Wheelock.

O mundo emergente de redes abertas pode se revelar um negócio melhor para todos, de acordo com Krishna Vedati, CEO da Plusmo, que faz um framework para widgets e os vende, inclusive para operadoras.

Operadoras costumam exigir cerca de 40% da receita de software da companhia em troca de colocar seus produtos no pacote, disse Vedati. Agora os aplicativos são distribuídos de outros modos, mas as operadoras podem cobrar cerca de 30% pelos serviços, como a infra-estrutura de publicidade, disse ele. A receita  é maior porque mais pessoas baixam os aplicativos.

Quando se trata de inovação, as operadoras parecem estar se rendendo. Questionado sobre o que faria se Bill Gates oferecesse 1 bilhão de dólares para investir, o vice-presidente de estratégia corporativa da Sprint, Russ McGuire, essencialmente admitiu que operações móveis não são legais.

"Gostaria de pegar esse dinheiro e investí-lo para viabilizar inovações a muitos outros que são mais empreendedores, criativos, que estão em porções da sociedade nas quais não temos muita visibilidade", disse McGuire.

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