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Com novo processador, Intel poderá realmente concorrer com a ARM

Após duas tentativas fracassadas, smartphones com chip de baixo batizado de "Medfield" devem chegar ao mercado em 2012.

Computerworld/EUA

07/06/2011 às 12h18

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O novo chip da Intel, chamado Medfield, será um teste decisivo para a fabricante para entrar no mercado de smartphones e na batalha do ARM, segundo analistas.

Os primeiros smartphones com a tecnologia Intel chegam às lojas no início do ano que vem, de acordo com a empresa. No entanto, os analistas dizem ainda que fabricantes de aparelhos devem ser cautelosos com a estratégia da Intel e com sua competitividade com a rival ARM, que tem seus processadores presentes na maioria dos smartphones do mundo.

A Intel tem enfrentado várias complicações em suas tentativas de inserir seus chips no mercado de smartphones. Em janeiro, a Intel afirmou que os smartphones Medfield estarão disponíveis no segundo semestre deste ano, mas na última semana durante a Computex, em Taipei, foi anunciado que aparelhos chegaram ao mercado no início de 2012. Um projeto cancelado da LG e uma aliança inquieta com a Nokia prejudicou as tentativas anteriores da Intel inserir seus chips nos dipositivos móveis.

O Medfield combina um processador Atom com um número de núcleos especializados para funções como a aceleração de gráficos. Ele irá substituir o Moorestown, um chip da Intel projetado para smartphones que nunca foi usado. A. LG apresentou um smartphone baseado no chip, o GW990, mas cancelou o lançamento do projeto antes de liberá-lo para produção.

Para os fabricantes de aparelhos, os chips Intel em telefones podem ser uma ideia difícil de aceitar, disse Jim McGregor, estrategista-chefe de tecnologia na In-Stat, que também participou da Computex.

"A Intel está provendo designs completos e surporte para poucos [empresas], mas não está claro se isso é o suficiente para ela ser competitiva. Basta olhar para a Nokia. A Intel trabalhou com eles por uma década e nunca apresentou um aparelho baseado em Intel ", afirmou McGregor.

Meego
No ano passado, a Nokia desenvolveu o Meego OS em parceria com a Intel, mas em fevereiro a empresa finlandesa abandonou os projetos a fim de estabelecer uma estratégia para o próximo smartphone com Windows Phone 7 da Microsoft. O CEO da Intel, Paul Otellini, chamou a decisão da Nokia de “grande golpe”, mas depois disse que a retirada forçada de seu chip do produto da Nokia aconteceu para oferecer o Medfield para outras empresas.

O processador da Intel tem um melhor desempenho do que os produtos da ARM, mas chips de smartphone também precisam ser competitivos em eficiência energética e em custo, declarou McGregor. Os processadores ARM são considerados com maior eficiência de gasto de energia do que os da concorrente.

Os chips da Intel são tradicionalmente construídos para um desempenho veloz e não para eficiência energética, mas a fabricante está levando mais a sério o consumo de energia, disse Doug Freedman, analista sênior de semicondutores da Gleacher and Co.

"Finalmente, estamos começando a ver a Intel que a mudança é necessária para vencer no no mercado dos ultra-móveis e eles estão redesenhando computadores para parecerem mais com os portáteis", declarou Freedman.

Entretanto, a ARM tem uma vantagem já que a maioria dos softwares de smartphone hoje tem sistemas operacionais baseados em ARM,  afirmou Freedman.

Mudança de planos
O surgimento da ARM, uma pequena empresa que licencia designs de processadores para fabricantes de chips, é uma das responsáveis fazer a Intel mudar a maneira como concebe e fabrica seus processadores para torná-los menores e com mais eficiência energética.

A Intel normalmente lança uma nova tecnologia conhecida como process node, a cada dois anos. Processos mais recentes permitem colocar mais transistores em um chip, tornando-os menores e fecha-los mais próximos uns dos outros, com os nós de processo tendo a mesma dimensão média dos menores componentes do chip.

Agora a Intel quer acelerar o ritmo: o Medfield será feito por meio de um processo de 32 nanômetros e a fabricante vai começar a fazer chips usando um processo de 22 nm, ainda este ano. Os próximos processos de 14 nm e 11 nm serão apresentados em intervalos de menos de dois anos, disseram funcionários da empresa.

Segundo a Intel, isso permitirá a liberação de chips com um consumo iguais aos da ARM em 2013.

Apesar dos avanços na tecnologia de fabricação, os executivos do setor disseram que os chips da Intel podem falhar em smartphones.

Na semana passada, o CEO da Texas Instruments, Rich Templeton, alfinetou a  Intel, dizendo que por causa de sua longa história de fabricação de chips de alto consumo para PCs, a empresa pode ter dificuldades em fazer os chips que consomem menos de 1 watt que funcione em condições reais. A Texas Instruments produz chips para smartphones e tablets com processadores ARM.

A Intel também introduziu transístores 3D para uso em sua próxima geração de chips 22 nm, com os transistores 37% mais rápidos e com um consumo que não chega a metade dos transistores 2D em atuais chips de 32 nm. A produção de chips usando o processo de 22 nm começará ainda este ano.

Teste crucial
O impacto pode não ser imediato,  mas a Intel pode arrancar alguma parcela do mercado da ARM  com o tempo devido à melhor tecnologia de fabricação, declarou Roger Kay, presidente da Endpoint Technologies Associates.

"Assim que o cronograma do process node acelerado de Atom entrar em ação, a história da Intel vai melhorar, e eu prevejo um maior número de vitórias e impacto sobre a hegemonia da ARM em smartphones", disse Kay.

A Intel também está percebendo a importância do crescimento do  rápido mercado de  smartphones e tablets, que são cada vez mais importantes à medida que caem as vendas de PCs. Na segunda-feira, a empresa de  pesquisa de mercado IDC cortou sua previsão de 7,1% para 4,2% em todo o mundo para 2011, devido às baixas movimentações das economias e por causa do interesse crescente por tablets.

A Intel é uma potência industrial com imensos recursos técnicos e financeiros e não deve ser considerada fora da corrida dos smartphones, afirmou McGregor, da In-Stat.

"Isso não significa que eles vão ter o produto certo no momento certo do ponto de vista conpetitivo. A Intel fez várias tentativas no mercado gráfico e elas nunca conseguiram grandes resultados. Eu não sei se este é um caso semelhante, mas o  Medfield definitivamente vai ser um teste crucial ", disse ele.

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