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Com Windows 8.1, Microsoft espera ter uma “segunda chance”

Atualização que será apresentada nesta quarta-feira pode ser a chave para que o sistema “deslanche”. Isso se a empresa tomar as decisões certas.

Mark Hachman, PCWorld EUA

25/06/2013 às 20h54

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A edição 2013 da Build, conferência anual para desenvolvedores da Microsoft, começa nesta quarta-feira e a empresa enfrenta uma tarefa árdua: convencer os desenvolvedores e entusiastas da tecnologia de que ainda está na vanguarda. Algo difícil quando você está prestes a lançar uma atualização de seu sistema operacional que, muitos acreditam, existe apenas para corrigir problemas incômodos na versão original.

De fato, é difícil fazer com que um "Band-Aid" se pareça com inovação.

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Para muitos consumidores, a Tela Iniciar do Windows 8 é uma colcha de retalhos incoerente que são forçados a encarar sempre que o PC é ligado. Isso será resolvido com um novo recurso que permite inicializar o sistema no desktop, mas o Windows 8.1 ainda terá de lidar com uma longa lista de outros problemas, e os observadores do sistema em todo o mundo continuam céticos.

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O pomo da discórdia: a Tela Iniciar no Windows 8

“Acredito que as mudanças no [Windows 8] foram notadas pela comunidade técnica”, disse Frank Gillet, um analista da Forrester Research. “Mas a percepção do sistema junto ao mercado de massa não mudou muito”.

O que devemos esperar da Build 2013? Nesta quarta-feira a Microsoft dará a primeira amostra do Windows 8.1, que deve dominar a discussão no primeiro dia. No segundo dia espere mais destaque para uma nova versão do Visual Studio e outros projetos e iniciativas voltados aos desenvolvedores.

Afinal, a Build é uma conferência para eles, e a Microsoft precisa que seus parceiros de software tenham interesse em suportar sua plataforma. “O que espero da Build é uma estratégia mais refinada para o desenvolvimento de aplicativos para o Windows 8.1, e uma ampliação do ecossistema”, disse Wes Miller, um analista da Directions on Microsoft.

Tudo se resume em convencer os desenvolvedores de que há valor - e um retorno no investimento - no novo ecossistema Windows. PCs, tablets Surface e smartphones com o Windows Phone representam as três “pernas” da infraestrutura de hardware, e são unidas pelo software e serviços da Microsoft.

Uma ladeira íngreme a percorrer

Em setembro de 2011 a Microsoft ofereceu o Windows 8 Developer Preview, exatamente quando surgiram os primeiros sinais de que o mercado dos “PCs” tradicionais estava em sério declínio e que os tablets e smartphones estavam arrecadando o dinheiro dos consumidores. A Microsoft claramente viu um futuro mais “móvel”, e amarrou uma interface para tablets ao rosto do Windows. E então vei o tablet Surface, lançado em Outubro de 2012. O hardware recebeu elogios, mas os consumidores não conseguem engolir seu alto-preço e falta de software interessante.

O Windows 8 bem sendo culpado pela derrocada do PC tradicional. As críticas são reforçadas pelo declínio no número de licenças corporativas, já que as empresas hesitaram em atualizar para um sistema operacional com uma interface pouco familiar. Tami Reller, chefe de marketing do Windows na Microsoft, promete que as coisas irão melhorar no final deste ano.

Em parte, o otimismo é atrelado ao Windows 8.1. A Microsoft prometeu uma longa lista de melhorias: o retorno do Botão Iniciar, a capacidade de apagar remotamente todo o conteúdo de uma máquina corporativa (útil para empresas) e o recursos de usabilidade como a capacidade de compartilhar papéis de parede entre a tela Iniciar e o Desktop.

Será que o Windows 8 é tão ruim quanto acreditamos?

A Microsoft cometeu um grande erro ao não levar em conta que a vasta maioria dos usuários iria usar o Windows 8 em um PC tradicional, e não em um Surface ou híbrido de tablet e PC. Por esta perspectiva, a Tela Iniciar introduzida no Windows 8 faz pouco sentido.

Mas para os usuários de tablets, a Tela Iniciar funciona bem. Eles foram treinados por seus tablets para reagir instintivamente a ela, com seus blocos dinâmicos facilmente acessíveis. Dito isto, a Microsoft certamente alienou alguns usuários organizando os blocos de acordo com seu próprio sistema - colocando apps chave como Pessoas e Calendário, por exemplo, na primeira “tela” da interface. O Windows 7 (e versões anteriores) mostravam os apps mais usados primeiro, e então listagem em ordem alfabética quando o item “Todos os Programas” era clicado. Esta abordagem está de volta no Windows 8.1, o que é bom.

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Será que se bem organizada esta tela pode ser tão boa quanto o velho menu Iniciar?

Ainda assim, o recurso de “Boot para o Desktop” e o retorno do Botão Iniciar ao Desktop são uma contradição. O boot para o desktop leva os usuários para um ambiente familiar, mas para fazer qualquer coisa eles precisam ir para a Tela Iniciar, que lhes é estranha. Há um número de utilitários de terceiros que resolvem o problema, mas a Microsoft teria feito melhor se tivesse integrado um Menu Iniciar de verdade dentro do Desktop.

A Microsoft também desperdiça espaço nos apps da Windows Store, que foram feitos para rodar sempre em tela cheia. Colocar dois - ou quatro, no Windows 8.1 - apps lado-a-lado pode ajudar a mitigar o problema, mas ainda é pouco eficiente, embora possa fazer sentido do ponto de vista de uma interface com o usuário.

Entretanto, provavelmente é hora de dizer que o Windows 8 não é tão ruim quanto pensamos.

Com alguns cliques a Tela Iniciar pode desaparecer e o Desktop volta à ativa. Venho usando o Windows 8 há meses, e embora eu ainda não esteja tirando vantagem de todos os seus truques e recursos aprecio as mudanças que a Microsoft fez “por debaixo dos panos”. O problema é que não damos valor a alguns dos novos recursos.

Por exemplo, a inicialização do sistema é muito mais rápida. Ele trabalha melhor com múltiplos monitores e exige menos memória que o Windows 7. O espaço em disco necessário também é menor e deve cair ainda mais com o Windows 8.1. É como se o Windows 8 fosse um atleta profissional absolutamente em forma mas usando maquiagem de palhaço, o que cria um sério problema de imagem.

Precisamos de apps. Não muitos, mas dos mais importantes

Segundo Miller, antes que um produto comece a vender ele tem de oferecer uma boa resposta a uma pergunta crítica: “o que eu posso fazer com ele que eu não podia fazer antes”. Mas com o Windows 8 não há atrativos ou “grandes experiências” o suficiente. E estas experiências devem surgir através de apps.

As apps invertem o argumento “Desktop vs. Tela Iniciar”. Quando querem acessar o Facebook, pessoas usando um PC instintivamente visitam o site do Facebook. Funciona bem, e estamos acostumados a ele. Mas o mesmo serviço formatado como um app para o iOS, Android ou Windows Phone parece muito mais atraente que qualquer página web no desktop.

Ignorando o fato de que a participação do Windows no mercado de tablets é minúscula, a Microsoft precisa de alguns apps chave para o Windows 8: Facebook, Yelp, Pinterest, e Instagram, pra começo de conversa. Fixar um atalho para um site à Tela Iniciar é um quebra-galho, não usa solução.

E se a Microsoft quer ocupar a posição do iPad e dos Chromebooks no mercado de educação, parcerias mais fortes com desenvolvedores de apps para este segmento são essenciais. Tenho um Lenovo Twitst com uma versão da Encyclopedia Britannica para o Windows 8 que não é ruim, mas é necessário um app com a mesma qualidade dos de iPad que a Microsoft possa colocar em frente aos educadores (e consumidores) como um exemplo do potencial da plataforma. Se a Encarta ainda existisse...

A Build 2013 representa a segunda chance da Microsoft. Será que ela foi ultrapassada pelo mercado? Você pode até dizer que sim, mas também podemos dizer que a empresa ainda tem fôlego. Vamos descobrir ao longo desta semana.

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