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Comic-Con: o iPad pode matar os quadrinhos impressos?

Fomos até a maior feira do setor, nos EUA, para tentar descobrir a resposta diretamente com os editores e produtores de apps

Macworld / EUA

26/07/2010 às 13h42

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Neste ano realizamos uma visita especial à feira Comic-Con, feira que aconteceu na semana passada em San Diego, nos Estados Unidos, para ver como o iPad e outros aparelhos similares estão afetando a indústria de quadrinhos.

Como esperado, existe muita preocupação entre os vendedores de comic-books sobre um futuro em que os quadrinhos venham como downloads digitais e não mais como objetos de papel vendidos nas lojas de varejo.  Essa é uma indústria lutando com mudanças potencialmente gigantescas, que pode ser forçada a aceitar por causa do rápido avanço da tecnológia.

Primeiro, as boas notícias: o aparecimento do app Marvel Comics como um dos aplicativos mais notáveis quando o iPad foi lançado no início de abril deu à indústria toda algum tempo sob os holofotes. Claramente, todo mundo da indústria de quadrinhos acredita que as HQ's digitais têm o potencial de expandir o mercado. Se você olhar a lista dos quadrinhos digitais mais vendidos, verá que ela é bastante diferente dos quadrinhos mais vendidos em lojas especializadas, sendo dominada por heróis e nomes de marcas conhecidos, incluindo produtos ligados à filmes.

“Essas pessoas não são seus compradores principais de histórias em quadrinhos”, disse David Steinberger, da Comixology, a companhia por trás dos aplicativos da Marvel e da DC Comics (ambos gratuitos). Em vez disso, disse Steinberger durante o painel sobre quadrinhos, são o tipo de pessoa que assistiu ao filme “Kick-Ass - Quebrando Tudo” no cinema e ficou interessada em ver o quadrinho original no qual o título é baseado.

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App da Marvel para iPad foi um dos mais notáveis quando o tablet foi lançado, em abril deste ano.

Mas a indústria de quadrinhos parece convencida (ou ao menos bastante esperançosa) de que a vindoura revolução dos quadrinhos digitais, em que aparelhos como o iPad eliminam a necessidade da mídia impressa, vai acabar levando os leitores para lojas especializadas em busca das coisas boas – em papel.

“Nós vamos fazer o papel do traficante de drogas”, disse o vice-presidente de marketing e vendas da DC, John Rood, sugerindo que os quadrinhos digitais podem servir como uma forme de “fisgar” as pessoas, especialmente por meio de amostras grátis. A DC tem feito muitas experiências com freebies, incluindo uma amostra de 10 páginas da versão relançada de “Mulher Maravilha”, e Rood disse que a companhia registrou seis vezes mais downloads gratuitos do que downloads pagos.

“As lojas de quadrinhos são centros culturais”, disse Steinberg ao público na feira, formado em sua maioria por vendedores de quadrinhos. “As pessoas que frequentam as lojas querem estar envolvidas...mas outras pessoas não sabem nem que as lojas existem.” Os aplicativos da Comixology incluem uma base de dados que aponta aos leitores lugares onde eles possam comprar quadrinhos em papel.

Então os quadrinhos impressos podem prosperar na era do iPad? Steinberger sugere que eles poderiam, comparando-os às butiques de vinis. E as livrarias encaram o mesmo desafio, à medida em que os leitores se voltam aos e-books e passam a comprar direto da Amazon, por exemplo.

O iPad é apenas o primeiro de uma série de aparelhos capazes de oferecer uma experiência de leitura comparável à do material impresso. Esse simples fato vai causar uma enorme ruptura na indústria de quadrinhos. Existe uma boa chance de que as editoras se beneficiem disso, no final das contas, uma vez que o público potencial para o seu material poderia crescer muito.

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DC Comics foi a última grande editora dos EUA a lançar apps para os aparelhos da Apple.

O fato é que, atualmente o iPad e similares são aparelhos de leitura imperfeitos. Páginas duplas não ficam bem neles. E os materiais impressos possuem ótimas edições em capa-dura muito bem produzidas. Mas a tecnologia avança rapidamente. Não é loucura pensar que, em seis meses, a Apple pode lançar um iPad com uma Retina Display de altíssima resolução. Adicione aí uma leva de tablets Android com telas grandes, e talvez até Kindles que mostrem imagens coloridas.

Essa é a razão pela qual quando os executivos da indústria de quadrinhos falam no palco sobre usar os quadrinhos digitais para fisgar as pessoas a comprar as revistas, parece que eles estão apenas tentando não assustar os vendedores responsáveis por uma grande parte de suas receitas. Ideias como oferecer uma cópia digital do produto aos compradores das edições impressas não vão impedir a mudança. O futuro da indústria é digital, e as editoras sabem disso.

A grande pergunta é: será que a indústria conseguirá caminhar com cuidado, expandindo os quadrinhos digitais sem dizimar totalmente o dinheiro que ganha dos revendedores de edições impressas? Atualmente, todos os quadrinhos publicados são escaneados e postados em sites piratas apenas horas depois de seu lançamento. É muito parecido com o que a indústria musical viveu durante a era do Napster. Enquanto isso, os meios legais de se comprar quadrinhos digitalmente estão muito datados, oferecendo mais edições antigas, em vez das mais recentes e das melhores. Os editores falham em agrupar as histórias e vendê-las mais efetivamente a uma audiência que não é expert no assunto. A maioria das pessoas que quer comprar quadrinhos digitais não ficará satisfeita com um teaser de 10 páginas e um conselho para visitar sua loja de quadrinhos local.

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