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Como a mudança de regras da Apple “no meio do jogo” mata uma empresa

Cobrança de 30% do valor por todo conteúdo vendido em aplicativos fez com que criadora do iFlowReader fechasse as portas

PC World / EUA

11/05/2011 às 18h27

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A partir de 31/5, o aplicativo iFlow Reader e sua desenvolvedora BeamItDown Software deixarão de existir. A precoce extinção dessa pequena empresa e seu software é a história de uma companhia que agiu de acordo com as regras do jogo e alcançou sucesso – até que a Apple resolveu mudar as regras e acabou com ela.

Uma carta aberta no site da empresa explica a situação. “Nós absolutamente não queremos fazer isso, mas a Apple tornou completamente impossível para qualquer um além deles conseguir ter lucro vendendo e-books contemporâneos em qualquer aparelho iOS. Nós não podemos sobreviver vendendo livros tendo prejuízo e por isso fomos forçados a fechar. Nós apostamos tudo na Apple e no iOS e então a Apple nos matou ao mudar as regras no meio do jogo.”

Mas o que é o iFlowReader? É um inovador aplicativo para a leitura de livros eletrônicos no formato padrão ePub. O aplicativo do iFlowReader está (ou estava) disponível na App Store para uso no iPhone, iPad e iPod Touch.

O iFlowReader é apenas uma gota no mar em comparação aos grandes do negócio – a Apple com o iBooks, a Amazon com o Kindle e a Barnes and Noble com o Nook, entre outros. A companhia por trás dele foi forçada a fechar porque foi atingida no fogo cruzado, já que a Apple mudou as regras para tentar ganhar vantagem competitiva para o iBooks frente ao Amazon Kindle, em aparelhos iOS.

Quando a Apple lançou o iBooks e entrou no mercado de livros para bater de frente com a Amazon e seu onipresente aplicativo do Kindle, ela decidiu criar novas regras. Essencialmente, a “maçã” mudou as regras para que as companhias tenham de pagar uma taxa de 30% por qualquer conteúdo comercializado em seu aplicativo, para tentar sufocar a competição de preços de rivais como a Amazon, e ao menos conseguir uma fatia do sucesso contínuo do Kindle.

O problema, como descrito pela equipe do iFlowReader, é que as editoras de livros adotaram um modelo para fazer negócios que paga ao varejista uma comissão de 30% em vendas como um agente da editora.

Isso significa que depois dos custos operacionais e despesas o varejista não está, na verdade, ganhando 30%. Você pode ver para onde essa matemática está indo – a taxa de 30% da Apple é mais do que um app como iFlowReader rende. Por isso, as novas regras significam que a empresa está vendendo livros no vermelho. E é difícil continuar no negócio dessa maneira.

A carta aberta do iFlowReader.com resume a situação dizendo que “isso aconteceu mesmo após grandes discussões para esclarecer nossos planos com a Apple, porque não queríamos fazer esse grande investimento de tempo e dinheiro no escuro”. Depois continua: “A Apple respondeu às nossas perguntas detalhadas para dizer que nossos planos não infringiam suas regras de maneira algumas, o que era verdade na época, mas há uma pegadinha aí. A Apple pode mudar as regras a qualquer momento e eles fizeram isso.”

Se você é um usuário do iFlowReader ou possui um investimento em livros por meio do app, certifique-se de visitar o site do aplicativo até o final deste mês e seguir as instruções fornecidas para assegurar que ainda tenha acesso à biblioteca de obras que acumulou.

E descanse em paz, iFlowReader.

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