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Como a política de sigilo da Apple afasta os clientes corporativos

Estratégia de discrição extrema funciona com o consumidor final, mas atrapalha o crescimento do uso de seus equipamentos nas empresas

PC World / EUA

28/04/2010 às 14h48

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Os grandes sucessos da Apple, como o iPad e o iPhone, escondem um fato importante: a discrição da empresa tem como custo uma presença limitada no mercado  corporativos. Essencialmente, a companhia aceita essa situação no mundo dos negócios em troca de uma estratégia de marketing que manipula os consumidores de forma brilhante. O seu plano de marketing, que envolve fornecer produtos excitantes para consumidores que se empolgam facilmente, depende do elemento surpresa.

É sobre isso que se baseia todo o pensamento de “realidade que distorce o campo de ação” de Steve Jobs. Se você pensar de forma racional sobre os produtos da Apple, verá que nem todos eles são impressionantes. Mas adicione o hype automaticamente criado por sua estratégia de marketing, e até algo razoavelmente normal, como o iPad, torna-se um sucesso desgovernado.

Cortina de Ferro
A cultura de sigilo da Apple é essencial para sua capacidade de manipular os consumidores, e essa cultura tem, inclusive, estado na mídia ultimamente, graças ao recente caso envolvendo um site e um modelo da próxima geração do iPhone. Talvez o envolvimento da justiça, e, possivelmente, os tribunais possam nos dizer que isso já foi longe demais.

Esse approach de nunca revelar nada significa que os clientes corporativos nunca podem estar certos do que a Apple fará a seguir.

Quando serão lançados os próximios computadores e sistema operacional? O que eles terão? A próxima versão do sistema OS X será um problema para computadores de outras gerações? Ou para aplicativos feitos internamente? O quão seguro é o Mac OS realmente? 

Apesar de todas as suas falhas, a Microsoft é bem aberta com os usuários do Windows sobre os problemas do sistema e como lidar com eles. Os patches (programas para corrigir erros) são muitos e freqüentes. Os consumidores sabem quando esperá-los e onde conseguir informação sobre porque o patch foi lançado e o que ele conserta. 

 

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Steve Jobs: estratégia de sua empresa conquista usuário doméstico, mas repele as corporações

As correções da Microsoft são sempre notícias grandes. Em comparação, as da Apple parecem sempre escondidas e pouco comentadas.

Realmente, a Apple não enfrenta tantos problemas quanto a Microsoft, mas seu approach para consertar o sistema OS X parece quase casual. As correções aparecem, os usuários as aceitam como parte de uma atualização, e pouco é dito.

Não é dessa maneira que corporações de TI querem ser tratadas, e isso explica a razão dos ótimos computadores e sistema operacional da Apple não serem comumente encontrados em mesas de escritóro.

Já é hora de a Apple começar a tratar de maneira diferente o Mac OS, computadores Mac e outros aparelhos. A companhia deveria derrubar a "Cortina de Ferro" que a separa dos consumidores, dando a eles verdadeiros mapas dos produtos e ciclos de lançamentos com os quais pudessem contar.

Pode parecer estranho, mas sob esse aspecto, a Microsoft é uma companhia muito melhor do que a Apple, pois possui cronogramas dos produtos e processos em beta abertos, que permitem que os consumidores corporativos tenham cronogramas e amplas oportunidades para testar o software da próxima geração antes de fazer a compra.

Tratar mal os clientes corporativos também afeta a Apple
Nas vendas corporativas, a companhia está literalmente "jogando contra o patrimônio". Os Macs deveriam ser muito mais comuns na área de negócios, e é culpa da Apple que eles não sejam.

Os produtos da Apple irão continuar envoltos em mistério, desde que a companhia não se importe que a RIM, com o  BlackBerry, continue, ou o Android se torne, o padrão para smartphones corporativos.

Sem dúvida, Steve Jobs sabe, e provavelmente pode colocar um valor em dólar sobre os custos e benefícios do extremo sigilo. Mas isso poderia ser menos rígido, pelo menos com os produtos para corporações.

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