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Como Bill Gates, o rei dos nerds, influenciou a vida de muita gente

O fundador da Microsoft ajudou a redefinir o termo e agregou prestígio ao estereótipo do garoto brilhante e cheio de conhecimento.

Daniela Moreira, editora-assistente do IDG Now!

27/06/2008 às 8h00

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bill_windows_150Tecnólogo, visionário, bilionário, monopolista, filantropo. Ao longo dos seus mais de 30 anos de carreira, Bill Gates acumulou diversos títulos. Mas talvez nenhum deles lhe caia tão bem como aquele que carrega desde muito antes da fama: o de nerd.

Camisa xadrez, óculos, cabelo desarrumado, Bill Gates é o típico garoto que senta na primeira fileira na escola, arrasa na prova de física e não é lá muito popular entre as garotas - com um pequeno diferencial: 50 bilhões de dólares na conta bancária.

> Que tipo de nerd é você?

Gates não foi o primeiro “nerd” da história - a expressão surgiu no início da década de 1950, quando o pequeno Bill sequer havia nascido -, mas certamente ajudou a redefinir o termo. Ao estereótipo do garoto brilhante, cheio de conhecimento e habilidades, porém sem traquejo social, Gates adicionou um ingrediente extra: prestígio.

Um dos pais da computação pessoal, Gates inaugurou uma nova era, em que entender de coisas que vão além da compreensão das “pessoas comuns” - como os computadores - deixou de ser uma excentricidade e passou a ser “legal” - e, mais do que isso, dar dinheiro, muito dinheiro.

Com Gates, os nerds ganharam um ícone à sua imagem e semelhança. Isso não quer dizer, contudo, que o cara mais inteligente da sala de repente passou a ficar cercado de amigos na hora do recreio. “O que faz a sociedade admirar Bill Gates não é o conhecimento, é a grana. O dinheiro trouxe a respeitabilidade”, opina Marcelo Coutinho, sociólogo e diretor-executivo do Ibope Inteligência.

“O esquisito vai ser sacaneado a vida inteira”, opina Alexandre Ottoni, uma autoridade no assunto. Criador do site Jovem Nerd - e nerd daqueles que eram “sacaneados na escola”, em sua própria definição -, Ottoni acredita que a glória de Gates não rebateu no “nerd nosso de cada dia”.

No entanto, o sucesso de Gates serviu de inspiração para outros jovens perseguirem a carreira em tecnologia, em sua opinião. “Mostrou que as pessoas interessadas são as que dão certo”, diz ele.
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Mas a contribuição de Gates para a volta por cima dos nerds não pára só na inspiração. O mundo que ele ajudou a construir, realizando sua visão de tornar os computadores objetos pessoais, do dia-a-dia, abriu novos caminhos a eles.

Com a popularização da tecnologia, mais do que objetos do dia-a-dia, os eletrônicos, computadores e celulares se tornaram objetos de desejo e status e quem sabe manipulá-los não é mais geek - é “descolado”. “Nesta sociedade espetacularmente tecnológica, o cara que comanda a tecnologia é o popstar”, define Coutinho.

Que o diga Steve Jobs, fundador da Apple e ícone da tecnologia que arrasta multidões eufóricas a suas apresentações – se você dúvida, assista ao vídeo de lançamento do aclamado iPhone no YouTube e tente ouvir as palavras de Jobs entre gritos e aplausos da platéia ensandecida.

O florescimento da computação pessoal e o advento da internet abriram ainda um novo canal de comunicação para os nerds. Se no mundo real nem sempre o nerd encontra pessoas que compartilhem dos seus gostos, interesses e saberes, a web é uma porta aberta para encontrar outros nerds ávidos por compartilhar informações e dividir entusiasmos.
 
Longe dos constrangimentos sociais do mundo físico, os nerds se multiplicam na rede, agrupando-se em comunidades online como blogs, redes sociais, jogos de RPG online e sites como Jovem Nerd, que reúne mais de 250 mil visitantes únicos mensais. “Os nerds moldaram o mundo para se tornar um lugar mais agradável para eles”, é o diagnóstico bem-humorado de Deive Pazos, parceiro de Ottoni no site.

Toda esta mudança de cenário culminou em um fenômeno surpreendente: o orgulho nerd. Se no passado eles se escondiam atrás do par de óculos fundo de garrafa e da camisa xadrez, hoje eles estão literalmente vestindo a camisa e estampando no peito o orgulho de ser nerd.
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Na Nerdstore – loja online do Jovem Nerd –, camisetas com dizeres como “come to the nerd side” e “nerd power” são sucesso de venda, exigindo freqüentes reposições de estoque. A febre nerd vai tão longe que uma grife norte-americana lançou uma coleção voltada ao público mais clássico, com saias comportadas, calças de cintura alta e camisas em tons pastéis – no melhor estilo Bill Gates.

Porque, afinal de contas, se há algo que não se pode dizer do fundador da maior empresa de software do mundo é que ele tenha abandonado seu “nerd side”. Mesmo rico, famoso e poderoso, ele continua muito, muito, mas muito nerd – e não se envergonha disso.

Em um imperdível vídeo que faz uma sátira de como seria seu último dia na Microsoft – com participações de ninguém menos que Steven Spielberg, Hillary Clinton, Barack Obama e George Cloney, entre outras celebridades –, Gates mostra o seu lado mais “nerd”, brincando com bonequinhos de Star Wars na hora do expediente e tocando o “riff” de Mário Bros no Guitar Hero para Bono ao telefone. 

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Para fechar com chave de ouro, um apresentador de jornal encerra o vídeo definindo Gates como “um homem que simplesmente não acredita em pagar mais de 7 dólares em um corte de cabelo”.

O segredo do nerd mais bem-sucedido do mundo é saber rir de si mesmo.

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